Sobre aposentadoria

por Vítor Menezes em 05/08/2016
Um dos fatores que leva muitas pessoas a prestarem concurso público é a tal da aposentadoria, que, para os que se aposentam hoje, é de fato bem melhor que a do regime geral de previdência. Parece razoável supor que as "benesses" do funcionalismo público continuarão sempre existindo, pois brasileiro é um povo que adora trabalhar pesado para custear um Estado grande. Deste modo, não duvido que o RPPS sempre será melhor que o RGPS. Minha dúvida é se algum dos dois conseguirá pagar uma aposentadoria minimamente decente dentro de algumas décadas.
 
Esta dúvida passa por vários fatores, com destaque para a drástica alteração do perfil demográfico da população (o país envelhece rapidamente). Mas neste artigo não vou falar de nada disso, vou falar é de corrupção mesmo.
 
Com a deflagração da operação lava jato, temos visto na imprensa, dia após dia, inúmeros fundos de pensão completamente aparelhados, sendo usados para todo tipo de fraude. Funcionários da Petrobrás e dos Correios que o digam. Bem, até aqui nada demais.
 
O que gostaria de compartilhar é a grande facilidade com que se fraudam os próprios institutos que cuidam dos RPPS's. Estou neste momento lendo o livro "Assassinato de Reputações II - Muito além da Lava Jato", escrito por Romeu Tuma Jr. e Claudio Tognolli. O livro é quase um documentário, com descrições detalhadas sobre inúmeros tipos de fraude, algumas delas envolvendo justamente tais institutos. A facilidade com que se criam artifícios contábeis para desviar dinheiro da aposentadoria do servidor público é espantosa. Ainda não terminei o livro, mas já me sinto confortável para recomendar sua leitura, vale muito a pena!
 
Então a mensagem que gostaria de passar é: não confie cegamente seu futuro à sua "aposentadoria estável de servido público". Aprenda você mesmo a investir diretamente seus recursos, e, tendo aprendido, diversifique. É o velho ditado de não deixar todos os ovos na mesma cesta, pois já sabemos que esta cesta é furada.
 
Muitos servidores que conheço vivem no limite de seus salários, que, convenhamos, costuma ser alto. A pessoa ganha 8 mil por mês, ela torra 8 mil por mês. Muda de cargo, passa a ganhar 15, ela passa então a torrar 15 mil por mês. Muda de cargo, passa a ganhar 20, ela torra 20. São pessoas que sempre vivem no limite, na iminência de cair no fácil, prático (e caro!) empréstimo consignado. A única esperança delas é contar com a aposentadoria do RPPS. Hoje essa grana vem. Daqui a 20, ou 30 anos, eu já tenho lá minhas dúvidas.
 
Você que é jovem e ainda vai passar mais de 30 anos trabalhando no setor público, se aceita uma sugestão, aqui vai: encare seu RPPS como um seguro de vida. Se você for atropelado amanhã e ficar imobilizado numa cama, pronto, sua família não morre de fome, você vai receber alguma coisa. Mas não coloque todas as suas esperanças de aposentadoria (que ocorrerá após algumas décadas) numa cesta furada. Poupe todo mês, invista regularmente, é você quem tem que aprender a administrar seu próprio dinheiro. Não espere que ninguém faça isso por você.
 
O Bastter, que é um dos autores sobre educação financeira e investimentos que respeito bastante, tem uma frase mais ou menos assim: pare de comprar o que você não precisa com o dinheiro que você não tem para impressionar quem não gosta de você.
 
Deixe seu comentário:
Ocorreu um erro na requisição, tente executar a operação novamente.