Revisaço de Português para o INSS 2016

por Denise Carneiro em 04/05/2016
E aí, meus lindos concurseiros e concurseiras? Prontos para o "REVISAÇO"?
Antes de tudo, gostaria de destacar que temos dois cursos teóricos voltados para o concurso do INSS aqui no TEC Concursos, um completo e um mais enxuto, que foca apenas nos tópicos mais relevantes, para quem estiver com pouca disponibilidade de tempo:
 
Módulo Detalhado INSS
 
Módulo Revisão para o INSS 
 
 
Recado dado, vamos lá, temos um "bocadinho" de coisa interessante pra revisar!
 
Estou supondo que vocês já estudaram tudo (ou quase tudo), ok? Agora é a hora de "aparar arestas", atentar para uns detalhes, revisar pontos mais importantes, sem desespero, tudo bem? Vamos seguir, nesta revisão, os tópicos na ordem do edital:
 
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
 
Este é o tópico mais relevante para o INSS, pois é o único que podemos garantir que estará lá na prova e em mais de uma questão (geralmente três ou mais).
 
O CESPE ama estas expressões: depreende-se, conclui-se, infere-se. E o que isso significa? Significa que botaremos nossa cabecinha para raciocinar, pois a resposta estará lá no texto, mas provavelmente não de forma explícita/literal. 
 
O que você NÃO vai fazer na prova: você não vai extrapolar. Sério, considere-se hipnotizado(a), você não vai extrapolar, você não vai extrapolar...
Uma coisa é concluir, depreender, inferir algo com base no que está no texto, outra é usar como base a opinião própria ou conhecimentos prévios. Em regra, não misture o que você sabe com o que o texto diz. A questão pedirá apenas O QUE O TEXTO DIZ, seja de forma direta ou indireta. Certinho? Vamos ver uma questão do CESPE quentinha de 2016:
 
(CESPE/ 2016/ TRE-PI) O modelo de racionalidade que orienta a ciência constituiu-se a partir da revolução científica do século XVI e foi desenvolvido nos séculos seguintes basicamente no domínio das ciências naturais. Ainda que com alguns prenúncios no século XVII, é só no século XIX que este modelo de racionalidade se estende às ciências sociais emergentes. A partir de então se pode falar de um modelo global de racionalidade científica que admite variedade interna, mas que se defende ostensivamente de duas formas de conhecimento científico: o senso comum e as chamadas humanidades ou estudos humanísticos. Sendo um modelo global, a nova racionalidade científica é também um modelo totalitário, na medida em que nega o caráter racional a todas as formas de conhecimento que não se pautarem pelos seus princípios epistemológicos e pelas suas regras metodológicas. É esta a sua característica fundamental e a que melhor simboliza a ruptura do novo paradigma científico com os que o precedem.
Boaventura de Sousa Santos. A crítica da razão indolente:
contra o desperdício da experiência. 2007, p. 60-1 (com adaptações).

 
Alternativa "A": a nova racionalidade científica desenvolveu-se ao longo de três séculos.
Incorreta, gente! Vamos ver o que o texto diz? 
 
"O modelo de racionalidade que orienta a ciência constituiu-se a partir da revolução científica do século XVI e foi desenvolvido nos séculos seguintes basicamente no domínio das ciências naturais. Ainda que com alguns prenúncios no século XVII, é só no século XIX que este modelo de racionalidade se estende às ciências sociais emergentes."
 
Pela leitura, fica claro que esse modelo de racionalidade foi criado no século XVI e que continuou sendo desenvolvido até, no mínimo, o século XIX, pois é nesse último que ele se estende às ciências emergentes, ou seja: quatro séculos, no mínimo. 
 
Alternativa "B": a principal característica da nova racionalidade científica consiste na ruptura com os paradigmas precedentes.
Incorreta, pois a principal característica é ser um MODELO TOTALITÁRIO, vejamos:
 
"Sendo um modelo global, a nova racionalidade científica é também um modelo totalitário, na medida em que nega o caráter racional a todas as formas de conhecimento que não se pautarem pelos seus princípios epistemológicos e pelas suas regras metodológicas. É esta a sua característica fundamental.."
 
Perceberam que a característica fundamental é ser modelo totalitário? Certo, mas olhem o que o CESPE tentou fazer com vocês:
 
O período completo está assim: "Sendo um modelo global, a nova racionalidade científica é também um modelo totalitário, na medida em que nega o caráter racional a todas as formas de conhecimento que não se pautarem pelos seus princípios epistemológicos e pelas suas regras metodológicas. É esta a sua característica fundamental...e a que melhor SIMBOLIZA a ruptura do novo paradigma científico com os que o precede." (grifos e destaques da professora)
 
Gente, olha o perigooooo!! A principal característica é a de ser um MODELO TOTALITÁRIO que simboliza a ruptura do novo paradigma científico com os que o precede. Aí a assertiva diz o quê? Que a principal característica da nova racionalidade científica consiste na ruptura com os paradigmas precedentes. Estão vendo a maldade? O CESPE jogou uma informação que está no texto, mas de forma distorcida. Se lermos apenas "por cima", a chance de erro é grande. Assim, cuidado!!
 
Alternativa "C": o conhecimento científico baseia-se no senso comum e em estudos humanísticos.
Incorreta, pois ele, na verdade, FOGE/se defende disso:  "A partir de então se pode falar de um modelo global de racionalidade científica que admite variedade interna, mas que se defende ostensivamente de duas formas de conhecimento científico: o senso comum e as chamadas humanidades ou estudos humanísticos."
 
Alternativa "D": a nova racionalidade científica é um modelo global, que se aplica às ciências naturais e sociais.
Correta, o texto afirma isso no seguinte trecho: "O modelo de racionalidade que orienta a ciência constituiu-se a partir da revolução científica do século XVI e foi desenvolvido nos séculos seguintes basicamente no domínio das ciências naturais. Ainda que com alguns prenúncios no século XVII, é só no século XIX que este modelo de racionalidade se estende às ciências sociais emergentes. A partir de então se pode falar de um modelo global de racionalidade científica..."
 
Alternativa "E": todas as formas de conhecimento que não se pautam pela nova racionalidade científica são irracionais.
Incorreta, pois o texto NÃO afirma que todas as formas de conhecimento que não se pautam pela nova racionalidade científica são irracionais, gente! Cuidado! Ele apenas apresenta o posicionamento da nova racionalidade científica e PARA ELA: todas as formas de conhecimento que não se pautam pela nova racionalidade científica são irracionais.
Ou seja, essa é uma visão/posicionamento da nova racionalidade científica, e não do autor/texto, ok?
 
Pronto, sentiram "o clima", né? Vamos ao próximo tópico!
 
TIPOLOGIA TEXTUAL
 
Então, analisando os temas que o CESPE tem explorado nas provas dos últimos anos, percebemos que este tem menor relevância, assim, se você não o estudou até agora, não perca muito tempo com ele, mas "decore" isto:
 
- Os tipos textuais explorados em prova: narrativo, descritivo, instrucional, dissertativo (argumentativo ou expositivo).
- Na narração temos, em regra, predominância do tempo passado, temos enredo, sucessão de fatos, personagem/personagens, narrador.
- Na descrição temos, em regra, o uso de muitos adjetivos e/ou locuções adjetivas, muitos verbos de ligação.
-  Tanto a narração quanto a descrição, muitas vezes, aparecem apenas em um parágrafo ou um trecho dentro de um texto dissertativo. 
 
ATENÇÃO! Meu povo, o CESPE ama este tipo de questão: "A sequência narrativa inicial, relatando a origem do termo "groupthinking", não caracteriza o texto como narrativo, pois integra a organização do texto predominantemente argumentativo." (CESPE 2009)
 
Quando você vir um enunciado assim, preste atenção! Apenas um parágrafo descritivo ou narrativo NÃO torna o texto descritivo nem narrativo. Assim, se o CESPE falar que o parágrafo x é narrativo e, por isso, o texto é uma narração, vá checar a informação já com a noção de que essa proposição provavelmente estará errada. Se o enunciado falar que o parágrafo y é descritivo, mas que isso não caracteriza o texto como descrição, existe boa chance de estar certo, ok? Mas... vá checar!!!
 
- o texto instrucional é aquele que instrui/orienta o leitor sobre algum procedimento (bula, receita culinária, manual) ou impõe algo (leis, normas).
 
- a dissertação pode ser expositiva ou argumentativa. Basicamente o que difere de uma para outra é: na expositiva, o autor apenas apresenta as informações de forma objetiva, sem a intenção de convencer os leitores sobre determinado ponto de vista. Na argumentativa, como o próprio nome indica, ele vai tentar convencer o leitor, ele vai literalmente argumentar.
 
Várias vezes o CESPE tenta confundir o candidato elaborando questões que misturam características da dissertação expositiva com a argumentativa. Pode ainda afirmar, em algum enunciado, que "o texto é expositivo, e não dissertativo", o que é claramente errado, pois, seja argumentativo ou expositivo, o texto é antes de tudo dissertativo.
 
ORTOGRAFIA E ACENTUAÇÃO
 
Meu povo, ortografia e acentuação são temas pouco explorados pelo CESPE, mas peço que vocês revisem o emprego de letras maiúsculas e minúsculas e prestem atenção neste tipo de questão:
 
(CESPE - 2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem acento gráfico com base na mesma regra de acentuação gráfica.
 
Tradicionalmente, os gramáticos (e gramáticas, rsrs) entendem que essas palavras são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em ditongo oral, vejamos:

in- di- ví- duo
di- á - ria
pa-ci-ên- cia

Alguns desentendimentos estão ocorrendo com o advento da expressão "proparoxítona aparente" no Novo Acordo Ortográfico. E o que são essas proparoxítonas aparentes? Basicamente são as "antigas" paroxítonas terminadas em ditongo crescente.
Ou seja, é só uma forma diferente de classificar as paroxítonas terminadas em ditongo crescente.

O que interessa para nós:

Seja com base na classificação tradicional "paroxítonas terminadas em ditongo crescente", seja com base na classificação nova "proparoxítonas aparentes", as palavras "indivíduo", "diária" e "paciência"  estarão acentuadas com base na mesma regra.
O que não pode é a banca dizer na mesma questão que "indivíduo" é paroxítona terminada em ditongo crescente e "diária" é proparoxítona aparente, ok? Se essa maluquice acontecer, a questão será anulada.

Assim, não há motivo pra medo, angústia ou aperreio (como dizemos aqui no meu Nordeste), quando aparecer questões de acentuação envolvendo palavras como essas.

Se o CESPE disser que elas estão acentuadas pelo mesmo motivo, estará correta.
Se o CESPE disser que elas estão acentuadas por serem proparoxítonas aparentes, estará correta.
Se o CESPE disser que elas estão acentuadas por serem paroxítonas terminadas em ditongo crescente ou ditongo oral, estará correta.
Se o CESPE disser que elas estão acentuadas por motivos diferentes, estará errada. (*apenas se todas as palavras tiverem a mesma configuração que apresentamos).

Vale destacar que o CESPE tem utilizado a classificação tradicional: paroxítonas terminadas em ditongo oral ou crescente.
 
Outro ponto: decorem a regra das proparoxítonas (todas são acentuadas) e a regra dos hiatos (palavras com  vogal i ou vogal u  tônica, isolada ou seguida de S na mesma sílaba, formando hiato, recebem acento agudo, exemplo: sa-í-da, a-ça-í, pa-ís).
 
EMPREGO E RECONHECIMENTO DAS CLASSES DE PALAVRAS/FORMAÇÃO DE PALAVRAS/FLEXÃO DE GÊNERO E NÚMERO/MODOS E TEMPOS VERBAIS
 
Em relação a este tópico, destacamos os seguintes temas: verbo, conjunção e colocação pronominal. Apontaremos detalhes apenas sobre eles, pois têm sido os mais explorados pelo CESPE, ok?
 
- VERBO
 
Cuidado com questões que envolvam a substituição de LOCUÇÃO DE VERBO ESTAR  + VERBO NO GERÚNDIO por VERBO NO PRESENTE DO INDICATIVO. 
 
(CESPE 2013) As formas verbais compostas ‘estão fazendo’ e “irão construir” poderiam ser substituídas, respectivamente, pelas formas verbais simples fazem e construirão, uma vez que são equivalentes em sentido. CORRETA
 
O CESPE já apresentou um pensamento diferente em questões antigas, mas esta questão mais atual (de 2013), demonstra que a banca passou a aceitar a substituição de locução de verbo estar + verbo no gerúndio por verbo no presente do Indicativo.
 
Recomendamos, entretanto, que o candidato observe com calma a presença de expressões como "sentido exatamente igual", "valor semântico idêntico" no enunciado, caso não haja nenhuma expressão que possa tornar errada a assertiva, é mais seguro continuar seguindo o posicionamento atual da banca e marcar como correta a possibilidade desse tipo substituição: locução do verbo estar + verbo no gerúndio por verbo no presente do Indicativo.
 
Cuidado com a flexão de locuções verbais quando um dos verbos estiver no infinitivo: o verbo no infinitivo NÃO VARIA. 
 
Exemplo retirado de questão do CESPE de 2014 (ICMBio): podemos substituir "poderíamos aprender" por "poderíamos aprendermos". ERRADO.
 
Por fim, revisem o sentido que cada modo e tempo verbal pode expressar: cuidado redrobrado com o pretérito mais-que-perfeito do Indicativo (indica ação passada que ocorreu antes de outra também passada) e com o modo subjuntivo num geral (sentido de probabilidade, desejo, dúvida, hipótese).
 
- CONJUNÇÃO
 
O CESPE simplesmente ama o trio: conquanto, portanto e porquanto. 
 
(CESPE 2013) Seriam mantidas a coerência e a correção gramatical do texto se, feitos os devidos ajustes nas iniciais maiúsculas e minúsculas, o período “É correto (...) o Brasil” fosse iniciado com um vocábulo de valor conclusivo, como logo, por conseguinte, assim ou porquanto, seguido de vírgula. ERRADA
 
Porquanto não é conjunção que expressa valor conclusivo, mas explicativo ou causal.
 
Para facilitar a memorização:
 
Como utilizamos a conjunção "portanto" com mais frequência, ela é a mais fácil de lembrar: tem sentido conclusivo.
 
Assim, resta a dúvida entre porquanto e conquanto, aí vem o macete:
 
portanto = conclusiva
CONquanto = CONcessiva
porquanto = explicativa ou causal
 
E se você não lembrar do macete, ao menos saberá que essas conjunções (portanto, porquanto, conquanto) têm sentidos diferentes e, se uma substituir a outra, haverá mudança de sentido/alteração semântica.
 
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
 
Cuidado com questões envolvendo colocação pronominal + locução verbal!!
 
Quando tivermos verbo auxiliar + verbo principal no infinitivo ou gerúndio:
 
SEM PALAVRA ATRATIVA:
 
O pronome oblíquo pode vir após o verbo auxiliar, antes ou depois do verbo principal.
Exemplo: Ela deve-lhe entregar um presente./ Ela deve lhe entregar um presente./ Ela deve entregar-lhe um presente.
 
COM PALAVRA ATRATIVA:
 
O pronome oblíquo pode aparecer antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.
Exemplo: Ela não lhe deve entregar o presente./ Ela não deve entregar-lhe o presente.
 
Vejamos como o tema foi cobrado:
 
(CESPE 2011) Em "deve basear-se", a colocação do pronome "se" antes da forma verbal "deve" atenderia à prescrição gramatical. 
CORRETA!!
Vejamos a frase completa: A terceira ideia refere-se ao princípio de que o sistema democrático representativo deve basear-se no governo da maioria. (grifos da professora)
 
Acreditamos que o CESPE empregou a regra com palavra atrativa (pronome antes do verbo auxiliar) devido à presença do pronome relativo "que". 
 
(CESPE 2013) Seriam mantidas a correção gramatical e a coesão do texto, caso o pronome “os”, em “não os haveria de ter”, fosse deslocado para imediatamente depois da forma verbal “ter”, escrevendo-se tê-los.
CORRETA!!
 
Como já dissemos, em caso de palavra atrativa, o pronome oblíquo pode vir antes do verbo auxiliar ou depois do principal.
 
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE
 
Meus queridos, crase é um tema que até cai bastante em prova do CESPE, mas, analisando as estatísticas das questões dessa banca envolvendo o tema (de 2007 pra cá), percebi que vocês geralmente as acertam (média de 80% de acerto mais ou menos), assim não vamos pontuar muita coisa dentro deste tópico.
 
É importante saber:
 
a (preposição) + a (artigo) = à (com acento grave)
a (preposição ) + a qual/as quais = à qual/às quais
a (preposição) + aquele/aquilo/aquela = àquele/àquilo/àquela
a (preposição ) + a (pronome demonstrativo) = à
 
Muita gente errou esta questão simples, então fiquem ligados!
 
(CESPE 2015) No trecho “Chama-lhe à minha vida uma casa” (l.4), é facultativo o emprego do sinal indicativo de crase.
CORRETA!!!  A crase é FACULTATIVA antes de pronomes possessivos femininos.
 
Atenção! Sem a preposição "a" não pode ocorrer crase!!!!
 
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO, TERMOS ESSENCIAIS, ACIDENTAIS E INTEGRANTES DA ORAÇÃO
 
O CESPE costuma destacar um termo do texto e perguntar QUE FUNÇÃO SINTÁTICA ele exerce, vamos ver?
 
(CESPE - 2013) Denomina-se política ambiental o conjunto de decisões e ações estratégicas que visam promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais. 
A expressão “política ambiental” exerce a função de sujeito da oração em que se insere.
ERRADO!!! 
O sujeito é "o conjunto de decisões e ações estratégicas", vejam só:
 
O conjunto de decisões e ações estratégicas que visam promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais denomina-se política ambiental.
 
O trecho " que visam promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais" é oração subordinada adjetiva restritiva, podemos "riscá-la" para facilitar a visualização:
 
O conjunto de decisões e ações estratégicas denomina-se política ambiental.
                  sujeito                                                           verbo          predicativo do sujeito
 
 
Atenção para questões que envolvem ADJUNTO ADVERBIAL INTERCALADO!
 
(CESPE 2013) Em 2012, o CNJ promoveu, em parcerias com órgãos do Executivo e do Judiciário, campanhas importantes para promover o bem-estar do cidadão, como a da aplicação da Lei Maria da Penha no âmbito dos tribunais; a do reconhecimento da paternidade voluntária; a do fortalecimento da ideia de conciliação no Judiciário; e a de valorização da vida.
 
O trecho “em parcerias com órgãos do Executivo e do Judiciário” está entre vírgulas porque exerce função de adjunto adverbial intercalado na oração principal, estando deslocado em relação à ordem direta.
CORRETA!! 
 
 O trecho “em parcerias com órgãos do Executivo e do Judiciário” é adjunto adverbial intercalado. Quando o adjunto for de grande extensão (três palavras ou mais) e aparecer antecipado (início da frase) ou intercalado (meio da frase), deveremos isolá-lo com vírgulas.
 
Revisem as ORAÇÕES SUBORDINADAS, pois o CESPE geralmente cobra esse tema, vejamos:
 
(CESPE 2014) É importante ressaltar que o termo comunicação carrega, no mundo moderno, as marcas de sua ambiguidade original...
O trecho “que o termo comunicação carrega, no mundo moderno, as marcas de sua ambiguidade original” exerce a função de complemento verbal no contexto em que ocorre.
CORRETA! O trecho em destaque é oração subordinada substantiva OBJETIVA DIRETA, ou seja, exerce função de complemento verbal (objeto direto) de "ressaltar". 
 
Vamos aproveitar a mesma questão para revisar SUJEITO INDETERMINADO: ocorre quando não conhecemos a identidade do sujeito, nem pela desinência verbal, nem pelo contexto.

I- com verbo na terceira pessoa do plural*

Roubaram meu carro naquele estacionamento.
*Não deve ser possível identificar o sujeito pelo contexto.

II - com verbo no infinitivo impessoal

Era difícil decorar todo aquele assunto.

III- com verbo + índice de indeterminação do sujeito ("se")

Vive-se melhor aqui.
Trata-se de estudos realizados no ano passado.
* O verbo pode ser intransitivo, transitivo indireto, de ligação, transitivo direto com preposição.
 
Assim, na oração "É importante ressaltar"... (da questão comentada há pouco), o sujeito é indeterminado = verbo no infinitivo impessoal.
 
Revisem as diferenças entre ADJUNTO ADNOMINAL E COMPLEMENTO NOMINAL:
 
                                         Adjunto Adnominal            X          Complemento Nominal

            aparece COM ou SEM preposição                                       SEMPRE aparece preposicionado
Se liga a SUBSTANTIVOS (concretos ou abstratos)     Só substantivo ABSTRATO, ADJETIVOS e ADVÉRBIOS
            O termo é AGENTE                                                              O termo é PACIENTE
 
Quando for necessário usar a dica do agente x paciente: 

BIZU!  A.A -> AGENTE (Lembrem que o A.A tem "A" de "Agente".)
          C.N -> PACIENTE

Exemplo: Amor de mãe não tem fim. (ADJUNTO ADNOMINAL)
Basta perguntarmos: a mãe sente o amor (agente) ou recebe o amor (paciente)? Sente o amor! Assim, é agente e adjunto adnominal.

Exemplo: Amor à mãe não tem fim. (COMPLEMENTO NOMINAL)
Basta perguntarmos: a mãe sente o amor (agente) ou recebe o amor (paciente)? Recebe o amor! Assim, é paciente e complemento nominal.
 
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
 
O CESPE já cobrou mais de uma vez nos últimos três anos a concordância da palavra "MILHÃO", olhem só:
 
(CESPE 2014) Em decorrência do sismo, cerca de 220 mil pessoas morreram e 1,5 milhão ficou desabrigada no Haiti.
A palavra “milhão” poderia ser empregada no plural — milhões — sem prejuízo da correção gramatical do texto.
INCORRETA!!! 
 
- A concordância da palavra MILHÃO/BILHÃO/TRILHÃO: o numeral concorda com a parte inteira do numeral cardinal relacionado.

Exemplo: O público ultrapassou 1,3 milhão de pessoas. (Milhão no singular para concordar com 1)
Exemplo: O público ultrapassou 2,3 milhões de pessoas. (Milhões no plural para concordar com 2)
 
CUIDADO quando o sujeito for COLETIVO PARTITIVO (a maior parte de, a maioria de, um grupo de, uma porção de, uma parte de...):

O verbo pode ficar no singular para concordar com o núcleo do sujeito ou flexionar no plural para concordar com o núcleo do adjunto, vejamos:

Exemplo: A maioria dos fãs dançava ao som de U2. CORRETO
Exemplo: A maioria dos fãs dançavam ao som de U2. CORRETO
 
CUIDADO com a concordância quando o sujeito for PORCENTAGEM + SUBSTANTIVO:

O verbo concordará com o número da porcentagem ou com o substantivo especificador. Se antes da porcentagem houver  determinante, o verbo concordará apenas com o numeral, vejamos:

Exemplo: 1% dos alunos faz todos os exercícios. (concordando com o número "1")
Exemplo: 1% dos alunos fazem todos os exercícios. (concordando com "alunos")
Exemplo: Os 20% da turma fazem todos os exercícios. (só pode concordar com o "20", por causa do artigo "os" que é determinante)
Exemplo: Aquele 1% dos alunos faz todos os exercícios. (só pode concordar com o "1", por causa do pronome "aquele" que é determinante) 
 
ATENÇÃO: SUJEITO ORACIONAL -> VERBO NO SINGULAR
Exemplo retirado de questão CESPE 2015:
"Em momentos de incerteza econômica, buscar soluções para aumentar a produtividade é uma escolha certeira para sobreviver..."                                                                                            sujeito oracional                                verbo no singular
 
CUIDADO com o uso dos verbos HAVER (com sentido de existir) e EXISTIR!!! 
 
 
HAVER (com sentido de existir) - Não flexiona, é verbo impessoal, indica oração sem sujeito.
Havia algumas professoras naquela sala.
Havia uma professora naquele sala.
 
EXISTIR - flexiona normalmente para concordar com o sujeito.
Existe uma professora naquela sala.
Existem algumas professoras naquela sala.
 
PONTUAÇÃO
 
Pontuação é um tema muito importante para o concurso do INSS e está ligado quase umbilicalmente à sintaxe, ok? Para pontuar bem, devemos conhecer as funções sintáticas e dominar os tipos de oração. Como esse tópico envolve muita coisa, destacaremos apenas detalhes mais complicados, que poderão fazer diferença na hora da prova.
 
CUIDADO com a expressão "é que" EXPLETIVA (de realce), pois ela pode nos confundir bastante, olhem só:
 
(CESPE 2013)  Mas foi a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente, de 1981, que estabeleceu a estrutura formal do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), integrado por órgãos federais, estaduais e municipais e por entidades ambientalistas, setores empresariais (indústria, comércio e agricultura), populações tradicionais e indígenas e comunidade científica.
 
A oração “que estabeleceu a estrutura formal do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA)” classifica-se como adjetiva explicativa, o que justifica o fato de estar empregada entre vírgulas.
 
INCORRETA! Não, meu povo, a oração parece muito, mas não é adjetiva explicativa. E por que ela está isolada por vírgulas? Na verdade, as vírgulas que a isolam são utilizadas com outra função.
 
A vírgula antes de "que estabeleceu...", na verdade, está lá para isolar o adjunto adverbial "de 1981" (uma vírgula antes e uma depois). Vale destacar que essas vírgulas são facultativas, mas é para isso que elas estão empregadas no texto, vejamos:
 
Mas foi a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente, de 1981, que estabeleceu a estrutura formal do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), integrado por órgãos federais, estaduais...
 
A vírgula depois de " (SISNAMA) isola a oração "integrado por órgãos federais..." -> essa sim é adjetiva explicativa reduzida de particípio 
 
Mas foi a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente, de 1981, que estabeleceu a estrutura formal do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), integrado por órgãos federais, estaduais e municipais e por entidades ambientalistas, setores empresariais...
 
Percebam que essa oração qualifica o "Sistema Nacional do Meio Ambiente" e pode ser desenvolvida deste modo: "que é integrado por...".
 
E  esse "que", professora? Na verdade ele faz parte da expressão "foi que", empregada com finalidade de realce, podendo ser omitida do texto sem causar prejuízos, vejamos:
 
Mas foi a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente, de 1981, que estabeleceu a estrutura formal do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), integrado por órgãos federais...
 
Mas a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente, de 1981, estabeleceu a estrutura formal do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), integrado por órgãos federais...
 
Estão vendo? Omitimos a expressão "foi que" e tudo continuou correto, sem alterações de significado, sem problemas gramaticais. Cuidado, portanto, com esse tipo de expressão!!!
 
REVISEM as orações adjetivas, lembrando que:
 
ADJETIVAS EXPLICATIVAS - isoladas por vírgula.
ADJETIVAS RESTRITIVAS - sem vírgula.
 
Se o CESPE perguntar sobre a inserção ou a retirada de vírgula em oração adjetiva, pode ter certeza -> sentido alterado.
Outro detalhe: às vezes a banca emprega a expressão " prejudicar a coerência", quando ela fizer isso, entenda como "mudar/alterar o sentido original".
 
Assim, a inserção de vírgula em oração adjetiva restritiva, segundo o CESPE, prejudica a coerência, altera o sentido! 
 
ATENÇÃO!! Se o CESPE sugerir a retirada de uma vírgula que compõe um par de vírgulas, saibam que, em 90% das vezes, essa alteração acarretará ERRO. 
 
Exemplo retirado de prova CESPE 2013: O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), por exemplo, indica que a utilização de bens e serviços precisa atender às necessidades básicas e proporcionar melhor qualidade de vida. 
 
A vírgula após (PNUMA) pode ser retirada sem acarretar erro gramatical? Pode não, minha gente! Cuidado! Essa vírgula está na frase para quê? Para isolar, juntamente com outra vírgula, a expressão explicativa "por exemplo" (uma vírgula antes e uma depois), ou seja, ela faz parte de um par de vírgulas que isola a expressão "por exemplo". A retirada da vírgula após (PNUMA) acarreta erro gramatical grave, vejamos qual:
 
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) por exemplo, indica que a utilização de bens e serviços precisa atender às necessidades básicas e proporcionar melhor qualidade de vida. 
 
Sem a vírgula após (PNUMA), não temos mais a expressão explicativa isolada, mas apenas uma vírgula que separa o sujeito "O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)" do verbo "indica".
 
E antes o sujeito não estava separado do verbo, professora? Estava não, pois tínhamos um par de vírgulas isolando a expressão "por exemplo", e não apenas uma vírgula separando o sujeito do verbo. Podemos ter 500 coisas entre o sujeito e o verbo,desde que estejam isoladas (vírgula antes e vírgula depois).
 
FIGURAS DE LINGUAGEM 
 
Este não é um tema muito recorrente, gente, inclusive ficou "esquecido" pelo CESPE por vários anos, voltando a aparecer mais de 2013 para cá. Não recomendo, às vésperas da prova, dedicação a este tópico. Se "sobrar tempo", revisem os conceitos de metáfora, onomatopeia, antítese, prosopopeia (personificação), paradoxo e hipérbole.
 
SIGNIFICAÇÃO DA PALAVRAS
 
Neste tópico, o CESPE deve trabalhar a substituição de expressões com manutenção do sentido, ou seja, trabalhará expressões sinônimas, de sentidos equivalentes. Outro ponto interessante: sentido denotativo X sentido conotativo.
 
DENOTATIVO = aquele do DICIONÁRIO, literal.
CONOTATIVO = aquele em que usamos a CRIATIVIDADE, alterado para o contexto, figurado.
 
REDAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIAS OFICIAIS
 
Este assunto tem caído no gosto das bancas, e o CESPE não fica de fora, assim revisem direitinho, ok?
 
Características da Redação Oficial:
 
IMPESSOALIDADE
USO DO PADRÃO CULTO DE LINGUAGEM
CLAREZA
CONCISÃO
FORMALIDADE
UNIFORMIDADE/PADRONIZAÇÃO
 
ATENÇÃO, meu povo! Sendo a PUBLICIDADE e a IMPESSOALIDADE princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.
 
CUIDADO!!! Na Redação Oficial, há apenas um comunicador: o Serviço Público.
 
SERVIÇO PÚBLICO  --------> MENSAGEM  --------->SERVIÇO PÚBLICO OU CIDADÃOS/INSTITUIÇÕES
       emissor                                                                            receptor
 
Outro detalhe: LINGUAGEM TÉCNICA deve ser empregada em situações que realmente a exijam. Assim, é proibido utilizar linguagem técnica, professora? NÃO, mas ela só deverá ser utilizada quando necessário, e não de forma indiscriminada (sem motivo, sem critério).
 
ATENÇÃO!  Para redigirmos com CLAREZA, precisamos observar essas características: impessoalidade, uso do padrão culto, formalidade, padronização e concisão. Assim, a clareza depende da presença de TODAS essas características.
Estamos enfatizando essa informação, pois ela já caiu em prova do CESPE e derrubou muita gente, olhem só:

(CESPE - 2013) No que se refere a aspectos gerais das correspondências oficiais, julgue o item que se segue segundo o Manual de Redação da Presidência da República (MRPR).
A impessoalidade e o emprego do padrão culto de linguagem garantem a clareza textual, pois evitam que haja ambiguidade no texto.

INCORRETA, pois a clareza textual só é garantida pela presença de TODAS as características: impessoalidade, uso do padrão culto, formalidade, padronização e concisão. Assim, "impessoalidade" e "emprego do padrão culto da linguagem" colaboram para a clareza, mas não a GARANTEM.

ATENÇÃO! Se a banca trouxer, entre as outras características, a "objetividade", pode marcar tranquilo como característica da Redação Oficial. A objetividade faz parte da concisão.
 
DICA: Revisem os pronomes de tratamento.
 
DICA 2: Revisem os fechos:
 
- autoridades SUPERIORES, inclusive o Presidente da República:   Respeitosamente,
- autoridades de MESMA HIERARQUIA ou de HIERARQUIA INFERIOR:     Atenciosamente,
 
Por fim, revisem os documentos oficiais:
 
AVISO
OFÍCIO
MEMORANDO
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
MENSAGEM
CORREIO ELETRÔNICO
 
 
Meus queridos, o REVISAÇO chegou ao fim, produzimos cerca de 18 páginas, tudo para ver o nome de vocês na tão sonhada lista de aprovação. Nunca desistam dos seus sonhos, ok? Lutem, persistam: o resultado virá! Na véspera do concurso, podem revisar, mas não se esgotem, façam algo para esfriar a cabeça e cheguem cedo no local de prova. 
 
Estaremos torcendo muito por cada um de vocês! Positividade, otimismo e alegria!
Sorriam, vocês serão aprovados!
 
Professora Denise Carneiro
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