Recursos - Economia - CAGE/SEFAZ/RS 2018

por Paulo Roberto Ferreira em 14/03/2018
Boa tarde, pessoal!
 
Seguem abaixo sugestões de recursos para as quatro questões cujos gabaritos considerei absolutamente equivocados.
 
Há ainda algumas que até permitem mais de uma interpretação, mas os recursos abaixo colocados são aqueles que penso terem ótimas chances:
 
Recurso – Questão 163
A questão 163 aponta como gabarito a alternativa “B”, que dá como certa a seguinte afirmativa:
“I  Sob concorrência perfeita, o custo marginal é igual à receita marginal, sendo a última independente do preço de mercado.”
No que diz respeito à afirmação “I”, há um claro equívoco do gabarito preliminar. O trecho “sendo a última independente do preço de mercado” diz respeito à receita marginal da firma perfeitamente competitiva.
Ora! Em concorrência perfeita, a receita marginal é o próprio preço. Ou seja, a relação de dependência é absoluta. Como a oferta individual da firma é insignificante em relação á oferta de mercado do bem homogêneo, não importa o quanto oferte, a firma é mera tomadora de preço.
Disso decorre o fato de a receita marginal da firma ser o próprio preço de mercado. Ou seja, jamais poder-se-ia afirmar que a receita marginal independe do preço de mercado.
Nesta mesma questão, a banca examinadora considera incorreta a seguinte afirmativa:
“II   Preços relativos de produtos não influenciam na determinação da demanda do consumidor.”
                O que ocorre é que os preços relativos são um fator fundamental na determinação da demanda do consumidor. Apenas via efeito substituição, a demanda pelo bem A será tão maior quanto menor for seu preço em relação aos demais preços de mercado.
                Supondo dois bens, A e B, uma renda Y e dadas preferências racionais para dois bens normais, quanto maior for o preço de A em relação a B, maior será a demanda por este em relação à demanda daquele.
                Por fim, importante ressaltar que nesta mesma prova, na questão 162, a demanda marshalliana de determinado consumidor, dada uma determinada função de utilidade para um consumidor racional apresenta como resultado exatamente o que se coloca acima. Ali fica claro pelo gabarito que a demanda pelo bem 2 será tanto maior quanto menor for seu preço e quanto maior for o preço do bem alternativo.
                Dados os problemas apresentados acima, pede-se, respeitosamente, a anulação da questão.
 
Recurso – Questão 164
                Ao apontar o gabarito preliminar como a alternativa B para esta questão, a banca examinadora considera certa a seguinte afirmativa:
                “III  Se a elasticidade-preço da demanda for negativa, os bens são complementares.”
                Ocorre que não se pode determinar se dois bens são complementares ou substitutos entre si tomando-se como base suas elasticidades-preço da demanda. A informação fundamental aqui seria a elasticidade-preço cruzada da demanda.
                A afirmativa apenas poderia ser considerada correta se fosse redigida da seguinte forma: “se a elasticidade-preço cruzada da demanda for negativa, os bens são complementares”.
                É importante ressaltar que, excetuados os raríssimos casos de bens de Giffen, a demanda por qualquer bem varia inversamente com o preço. Ou seja, a elasticidade-preço, via de regra, é mesmo negativa e quaisquer bens, complementares ou substitutos entre si, terão elasticidades-preço da demanda negativa.
                Neste sentido, parece claro que houve um erro de digitação e a intensão do examinador era mesmo de utilizar o termo “cruzada” faltante na afirmativa. Por este motivo, pede-se, respeitosamente, a anulação da referida questão.

 
Recurso – Questão 166
                Não há qualquer contestação à alternativa dada como gabarito preliminar pela banca examinadora. O que se pretende argumentar é que há outra alternativa correta na mesma questão.
                A alternativa “uma rodovia livre de pedágio é considerada um bem público” está correta à luz da teoria microeconômica. Diz-se que um bem é público quando este é não rival e não excludente no consumo.
                Ora: é fácil ver que se não há pedágio na rodovia, esta é não excludente no consumo, visto que qualquer motorista poderá utilizá-la sem pagar qualquer valor pelo uso. Da mesma forma, esta rodovia, a menos que esteja congestionada, também é não rival no consumo, já que o fato de um motorista “A” a utilizar não faz com que o uso por parte de um motorista “B” seja mais custoso.
                Uma rodovia só pode ser considerada rival no consumo quando excede sua capacidade de utilização. Perceba-se aqui que estamos tratando de uma exceção, que claramente teria de ser mencionada na alternativa para torna-la incorreta.
                Este inclusive é um exemplo utilizado por Pindyck e Rubinfeld em sua obra “Microeconomia”, uma das principais referências globais na disciplina:
“Como foi visto no Capítulo 16, os bens públicos possuem duas características: são não exclusivos e não disputáveis. Um bem é denominado não disputável (não rival) quando, para qualquer nível específico de produção, o custo marginal de sua produção é zero para um consumidor adicional. No caso da maioria dos produtos oferecidos por empresas privadas, o custo marginal do aumento de produção do bem é positivo. No entanto, para alguns bens, os consumidores adicionais não ocasionam custos. Consideremos a utilização de uma estrada durante um período de pouco trânsito. Como a estrada já existe e não há congestionamentos, o custo adicional de sua utilização é igual a zero. ”
                Considerando os argumentos apresentados acima, portanto, pede-se, respeitosamente, a anulação da questão pelo fato de esta apresentar duas alternativas corretas.
 
Questão 170
                Ao dar como gabarito preliminar da questão 170 a alternativa “as operações de swap cambial adotadas pelo banco central não afetam as reservas internacionais”, a banca examinadora considera errada a seguinte afirmação: “segundo a teoria quantitativa da moeda, a moeda não possui efeitos temporários sobre a economia, estabelecendo, dessa forma, a sua neutralidade tanto no curto prazo quanto no longo prazo”.
                O que ocorre é que à luz da teoria macroeconômica, tal afirmativa está correta. De fato, a teoria quantitativa da moeda não atribui sequer efeitos temporários sobre o lado real da economia. Isso significa que, para a mesma, há neutralidade da moeda tanto no curto quanto no longo prazo.
                Tem-se, no princípio, a seguinte identidade:
                M.V = P.Y, em que:
                M = oferta de moeda;
                V = velocidade de circulação da moeda;
                P = nível de preços; e
                Y = produto.
                A teoria quantitativa da moeda supõe que “V” e “Y” estão dados exatamente no curto prazo. Disso depreende-se que, inclusive no curto prazo, variações em “M” implicarão em variação diretamente proporcional em “Y”.
                Ou seja, inclusive no curto prazo, a moeda é neutra. Senão, vejamos trecho do artigo “Friedman e o Monetarismo” de Kremer e Corazza, mestrando e professor titular do departamento de economia da UFRGS, respectivamente:
“Contudo, como os economistas clássicos não fazem distinção entre curto e longo prazo, isto é, preços e salários são flexíveis tanto no curto quanto no longo prazo e a lei de Say sempre se verifica, então o produto per capita está sempre em seu nível de pleno emprego. Como os economistas clássicos supõem ser a velocidade de circulação da moeda constante a curto prazo, daí surge que alterações no nível geral de preços, “P”, ocorrem devido às mudanças na oferta monetária, “M”. Em suma, a Teoria Quantitativa da Moeda diz que, como “V” e “y’” são constantes, um aumento na oferta monetária faz com que o nível geral de preços aumente exatamente na mesma proporção do aumento verificado na mesma. Este é o embasamento teórico da dicotomia clássica: variáveis reais não são afetadas por variáveis monetárias. Logo, um aumento na oferta monetária, não afeta o produto real per capita nem mesmo no curto prazo, pois preços e salários são flexíveis a curto prazo (isto é, aumentos de demanda agregada oriundos do aumento na oferta monetária somente aumentam o nível geral de preços, pois a economia sempre opera a pleno emprego). ”
                Ressalta-se, por fim, que a teoria quantitativa da moeda mencionada da maneira como a banca examinadora o fez na questão deve ser interpretada em sua essência, ou seja, com base na sua origem e não com base em adaptações da macroeconomia moderna. Com base nisso, pede-se respeitosamente a anulação da questão pelo fato de esta apresentar duas alternativas corretas.
 
 
 
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