Noções de Administração Geral e Pública - TRT/15 - AJ

por Herbert Almeida em 19/12/2013

Olá pessoal,

Estou passando para apresentar os comentários da prova de Analista Judiciário (conhecimentos básicos) de Noções de Administração Geral e Pública. Vislumbro a possibilidade de recurso na questão 20.

Seguem os comentários/recurso:

18. Segundo os idealizadores do Balanced Scorecard − BSC, Norton e Kaplan, as empresas têm utilizado essa metodologia para “alinhar os objetivos individuais e da unidade com a estratégia adotada pela empresa; vincular os objetivos estratégicos com as metas de longo prazo e com os orçamentos anuais; e revisar periodicamente a estratégia, focando o aprendizado e a melhoria desta”. O BSC prioriza o equilíbrio organizacional a partir de quatro perspectivas, entre as quais NÃO se insere a perspectiva

(A) dos clientes: analisa como a organização é vista pelo cliente e como ela pode atendê-lo da melhor maneira possível.

(B) dos processos internos: refere-se aos processos de negócios em que a organização precisa ter excelência.

(C) do aprendizado e crescimento: analisa a capacidade da organização para melhorar continuamente e se preparar para obter sucesso no futuro.

(D) financeira: as medidas financeiras demonstram as consequências econômicas das ações consumadas.

(E) da mudança: corresponde ao mapa estratégico do BSC, decorrente do feedback institucional recebido.

ComentárioNÃO CABE RECURSO. Estudamos o BSC na aula demonstrativa de nosso curso. Vamos revisar as perspectivas clássicas dessa ferramenta:

•   perspectiva financeira: essa perspectiva revela, em termos financeiros, se a estratégia, sua implementação e execução estão sendo lucrativas para a organização. Relaciona-se com indicadores de lucratividade, como receita líquida, margem líquida, retorno sobre o investimento, etc;

•   perspectiva dos clientes: demonstra como os clientes estão vendo a organização. Por essa perspectiva, são identificados fatores como a satisfação e retenção de clientes;

•   perspectiva dos processos internos: identificação dos processos considerados críticos para realizar os objetivos dos investidores e clientes. Refere-se aos processos de negócio em que a organização precisa ter excelência;

•   perspectiva de aprendizagem e crescimento: de acordo com Ogassawara, a perspectiva de aprendizagem e crescimento incide sob três pontos fundamentais da organização – pessoas, sistemas e procedimentos organizacionais, oferecendo a base para a consecução dos objetivos das outras três perspectivas. Ademais, contempla três categorias: capacidade dos funcionários; capacidade dos sistemas de informação e motivação, empowerment  e alinhamento. Os indicadores de medida utilizados podem ser: treinamentos, competências, motivação, desenvolvimento de novos métodos etc.

Das perspectivas apresentadas na questão, a única que NÃO se insere na proposta clássica do BSC apresentada por Kaplan e Norton é a da mudança. Assim, a opção E é o nosso gabarito.

Gabarito: alternativa E.

19. Considere as afirmações abaixo a respeito do planejamento estratégico:

I. Compreende a definição de missão (razão de ser), da visão (ideal desejado) e dos valores da organização.

II. Trabalha com três tipos de cenários (projeções de ambientes futuros): otimista, intermediário e pessimista.

III. Compreende, além da análise interna, a análise externa que identifica as características positivas e as deficiências da organização a partir de um benchmarking.

Está correto APENAS o que se afirma em

(A) I e II.

(B) II e III.

(C) I e III.

(D) I.

(E) III.

ComentárioNÃO CABE RECURSO. O único item errado é o III, pois a análise interna e a análise externa são realizadas a partir da matriz SWOT, conforme estudamos na Aula 3, p. 5.

Gabarito: alternativa A.

20. Denominam-se estruturas funcionais ou organizações funcionais as estruturas de organização departamentalizadas pelo critério funcional no primeiro nível. As funções principais, no primeiro nível, são:

(A) recursos humanos; finanças; produção e vendas.

(B) planejamento; direção; comunicação e implementação.

(C) gerenciamento de pessoal; administração de projetos; produção e comercialização.

(D) produção; comercialização; finanças; e administração.

(E) planejamento; execução; controle e avaliação.

ComentárioCABE RECURSO. Essa questão tomou por base as funções principais, no primeiro nível, estabelecidas por Fayol, que são: produção, comercialização, finanças e administração.

Entretanto, atualmente não há consenso sobre as principais funções das empresas. Vejamos o que dizem os principais autores recentes.

Chiavenato (2011, p. 196) ensina que:

“A departamentalização por funções é o critério mais utilizado para organizar atividades empresariais. Todavia, as funções básicas de uma empresa podem diferir conforme a empresa ou o negócio:

a.    Não há uma terminologia única para as funções empresariais. Uma indústria pode empregar termos como “produção”, “vendas” e “finanças”, uma atacadista abordará suas atividades em termos de “compras”, “vendas” e “finanças”, uma financiadora em termos de “operações”, “marketing” e “tesouraria”, enquanto uma estrada de ferro considerará “tráfego”, “vendas” e “finanças”.

b.    Além da terminologia variável, as atividades básicas diferem em importância conforme a empresa. Um hospital não tem um departamento de vendas e uma igreja não tem um departamento de produção de serviços. Isso não significa que essas atividades fundamentais não sejam desenvolvidas na empresa, mas simplesmente não são especializadas.

c. Outra razão para a ausência dos departamentos de vendas, produção ou finanças em muitas empresas é terem sido escolhidos outros critérios de departamentalização que veremos adiante. Departamentalizar por função é um dos modos de organizar uma empresa.”

Somente por esses ensinamentos de Chiavenato já poderíamos solicitar a anulação da questão, porém vamos adiante.

Segundo Sobral e Peci (2013, p. 261):

“O tipo de departamentalização mais comum nas organizações consiste na agregação de tarefas de acordo com a área funcional, constituindo-se os departamentos de marketing, finanças, recursos humanos, operações, pesquisa e desenvolvimento, entre outros. [...]

A departamentalização funcional pode ser usada em qualquer organização. No entanto, as funções podem mudar de forma e refletir objetivos finais da organização.”

Vejam que esses autores, além de apresentarem exemplos de departamentos diferentes dos apresentados na questão, indicam que há diferentes formas de agrupamentos funcionais.

Prosseguindo, Maximiano (2011, p. 152), ao estabelecer os critérios de departamentalização, apresenta os seguintes dizeres:

A departamentalização funcional consiste m atribuir a cada uma das unidades de trabalho a responsabilidade por uma função organizacional – operações, marketing, finanças, recursos humanos e assim por diante.”

Esse autor apresenta um desenho, utilizado apenas como exemplo, em que são apresentados os seguintes tipos de departamentos: industrial, marketing, finanças, logística e recursos humanos.

Por fim, Djalma Rebouças de Oliveira (2011, p. 105-106), falando da departamentalização funcional, ensina que:

Nesse caso, as atividades são agrupadas de acordo com as funções da empresa, podendo ser considerado o critério de departamentalização mais usado nas empresas.”

O autor também apresenta uma figura contendo, todavia, os seguintes tipos de departamentos: gerência de produção, gerência financeira, gerência de marketing e gerência de recursos humanos. Logo em seguida, o autor complementa: “a departamentalização funcional apresentada considerou as quatro áreas funcionais clássicas das empresas”.

Ainda segundo Oliveira,

“[...] esse tipo de departamentalização pode ser feito considerando as funções da administração; e, nesse caso, a empresa pode ficar com as seguintes unidades organizacionais:

  • gerência de planejamento;
  • gerência de organização;
  • gerência de controle.”

 

O autor apresenta ainda outros exemplos de departamentalização funcional, como por área de conhecimento.

Em síntese, podemos perceber que não há consenso sobre os tipos clássicos de departamentos funcionais. Dessa forma, como a FCC não apresentou o autor da classificação proposta, a questão deve ser anulada.

Com toda essa literatura, creio que vocês tem subsídios suficientes para formular um bom recurso.

Fontes:

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

CURY, Antonio. Organização e métodos: uma visão holística. 8ª Ed. São Paulo: Atlas, 2012.

MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Fundamentos de Administração. São Paulo: Atlas, 2011.

OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Sistemas, organizações e métodos: uma abordagem gerencial. São Paulo: Atlas, 2011.

SOBRAL, Filipe; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. 2ª Ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013.

Gabarito preliminar: alternativa D.

Sugestão do professor: anulação.

Boa sorte nos recursos! Precisando é só chamar.

Abraços,

Prof. Herbert Almeida

 
Deixe seu comentário:
Ocorreu um erro na requisição, tente executar a operação novamente.