Prova STM 2018: Língua Portuguesa (Analista)

por Denise Carneiro em 08/03/2018
Olá, meus queridos! 
 
Estou passando para comentar rapidamente a prova de Analista Judiciário (área judiciária) do Superior Tribunal Militar, certinho? As questões, no detalhe, vocês acompanharão em breve na plataforma do TEC. Sem mais delongas, vamos lá! 
 
ANALISTA JUDICIÁRIO
 
1) O texto classifica-se como poema em prosa, dada a predominância de um olhar lírico sobre o tema tratado e da linguagem figurada.
INCORRETA. Gente, uma coisa é o texto ter linguagem figurada e olhar lírico (subjetividade), aspectos que realmente tem, outra é ele ser considerado poema em prosa. Para isso, o texto precisa de alguns requisitos específicos como ter tamanho reduzido, ter ritmo, ter harmonia.
 
2) Pode-se inferir da ausência de aspas e do estilo característico do texto que a passagem “Não esqueça os dois pacotes de leite (...) a partir do qual a vida vem da vida” (l. 9 a 13) é uma extrapolação imaginativa da autora a partir da carta escrita por Francis Crick a seu filho.
CORRETA. A extrapolação imaginativa da autora é aquilo que foi imaginado, cogitado pela pessoa que escreve o texto.
Vejamos:
Estrutura, foi o que ele falou. Antes de despedir-se ainda disse: Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo”. Não esqueça os dois pacotes de leite, passe para comprar pão, guarde o resto do dinheiro para seus caramelos e, quando chegar, eu mostro a você o mecanismo copiador básico a partir do qual a vida vem da vida. 
 
Galera, atenção! A autora cita literalmente algo dito pelo Francis (em negrito) e, por isso, coloca a fala entre aspas "Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo". Percebam que, depois disso, a autora para de usar as aspas e acrescenta mais algo à fala do Francis: Não esqueça os dois pacotes de leite, passe para comprar pão...(em azul)
Ou seja, a autora imagina o que mais o Francis poderia ter escrito ao filho e compartilha conosco: extrapolação imaginativa, como diz a assertiva!
 
3) A forma verbal “termine” (l.5), que denota uma ação incerta ou irreal, foi empregada para indicar que a carta que Crick escreveu a seu filho, na realidade, não se encerra com as palavras ‘Muito amor, papai’ (l. 5 e 6). (grifo da professora)
INCORRETA. Gente, no contexto inserido, o verbo "termine" no presente do Subjuntivo foi utilizado para deixar o desfecho da carta "Muito amor, papai" no campo da hipótese, e não para indicar que, na realidade, a carta escrita por Crick não termina com essas palavras. Muito cuidado!! Vejamos o texto: "Não sou de choro fácil a não ser quando descubro qualquer coisa muito interessante sobre ácido desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre a descoberta de um novo modelo para a estrutura do ácido desoxirribonucleico, uma carta que termine com “Muito amor, papai”
 
Pela leitura, fica claro que a intenção de uso desse verbo no Subjuntivo é deixar a descoberta da carta e o modo como ela termina (Muito amor, papai) no campo das possibilidades, e não afirmar categoricamente que a carta não é encerrada com essas palavras. 
Vamos usar outra frase para solidificar nossa compreensão:
"Não sou de choro fácil, a não ser quando encontro uma pessoa que me ame."
 
Gente, na frase acima, usei o verbo "ame" no mesmo tempo e modo verbal de "termine", não foi? Pois é! Por acaso, na frase acima, há a intenção de dizer que eu não acharei ou não posso achar pessoa que me ame? Não! Há apenas intenção de deixar esse fato no campo das probabilidades, o que é muito diferente! Então o verbo "termine" NÃO foi usado PARA indicar que a carta que Crick escreveu a seu filho, na realidade, não se encerra com as palavras ‘Muito amor, papai’, mas para deixar esse fato no campo das probabilidades. 
 
4) A substituição da expressão “e olha que eu moro bem no meio das montanhas” (l. 18 e 19) por embora eu more entre montanhas manteria a coerência do trecho no qual se insere, mas alteraria seu nível de formalidade.
CORRETA. Gente, a expressão " e olha que" tem sentido adversativo, mas é tipicamente empregada com tom de oralidade, de linguagem falada, ou seja, menos formal. Assim, poderíamos de fato fazer a substituição das estruturas, mas sairíamos de um tom mais informal para um com maior grau de formalidade.
 
5) O vocábulo “os” (l.27) remete a “sinônimos” (l.26).
CORRETA. Vejamos o texto: Todos esses conceitos têm os seus sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os do resto das palavras você acha. (grifos da professora)
 
Gente, percebam que a autora constrói o período falando que os conceitos têm sinônimos e depois dá como exemplo ácido desoxirribonucleico e DNA afirmando que eles são "a mesma coisa", ou seja, sinônimos. Depois fala: e os do restos das palavras você acha. Considerando como o trecho foi construído, não nos resta dúvida: os faz menção justamente a "sinônimos". 
 
REESCRITURA PARA VISUALIZAR MELHOR: Todos esses conceitos têm os seus sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os sinônimos do resto das palavras você acha.
 
6) A substituição da expressão “Olhei com mais atenção” (l.30) por Atentei-me para manteria o sentido geral e a correção gramatical do trecho original.
INCORRETA. Gente, o verbo "atentar", em uma de suas acepções, significa justamente "olhar com atenção", até aí, tudo bem! O problema está no uso desse verbo com o pronome "me", pois ele não aceita formalmente a utilização como reflexivo ou pronominal "atentar-se para algo". Assim, a alternativa está incorreta.
 
7) O autor emprega a expressão “De resto” (l.17) para se referir a outros homens além dos “maridos que matavam as esposas adúlteras” (l. 15 e 16) e dos “noivos que matam as ex-noivas” (l.16).
INCORRETA. vejamos o trecho: "Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas. De resto, semelhantes cidadãos são idiotas."
 
Gente, a leitura do texto indica que a expressão "de resto" tem apenas sentido coesivo de conclusão, não havendo intenção de referir-se a outros homens além dos citados nas duas categorias. Poderíamos, inclusive, substituir essa expressão por "assim", por exemplo.
 
8) Mantendo-se a correção gramatical e os sentidos originais do texto, a forma verbal “deseje” (l.18) poderia ser substituída por aspire a.
CORRETA.
Vejamos o trecho: "É de se supor que quem quer casar deseje que a sua futura mulher venha para o  tálamo conjugal com a máxima liberdade..."
Gente, o verbo "aspirar" empregado com a preposição "a" (transitivo indireto) tem justamente sentido de "desejar", ter como objetivo. Assim, a troca é plenamente possível.
Assim, defendo a troca do gabarito desta alternativa.
 
9) A ideia principal do último parágrafo do texto é a de que as mulheres não devem ser penalizadas em razão das decisões que tomam a respeito de seus sentimentos.
INCORRETA. Muito cuidado!!! Admito que esta assertiva não está fácil, pois ela fala genericamente que as mulheres não devem ser penalizadas por decisões que tomem a respeito dos sentimentos delas (quaisquer decisões, quaisquer sentimentos) e isso poderia ser adequado ao conteúdo do último parágrafo. Vale destacar, entretanto, que ele fala sobre um aspecto mais específico (e não sobre qualquer decisão a respeito de qualquer sentimento): "o homem exigir que a  mulher fique com ele a todo custo", "a eternidade do amor exigida por alguns a cano de revólver". Assim, a banca considerou como errada esta assertiva por colocar como "ideia principal do parágrafo" um tema bem mais genérico do que o tratado de fato no texto.
 
10) O vocábulo “valentona” (R.27) foi empregado em referência a “mulher” (R.28).
INCORRETA. Gente, no texto temos "domínio à valentona" indicando o modo de domínio do homem sobre a mulher: domínio por meio da valentia, da brutalidade. Assim, não foi empregado em referência à mulher, mas ao modo como o homem domina a mulher.
 
11) O vocábulo se recebe a mesma classificação em “se julgam” (l.6) e “se castigam” (l.21).
INCORRETA.  Vejamos cada ocorrência do "se":
OCORRÊNCIA 1 - Eles se julgam com o direito de impor o seu amor...
Temos o "se" como pronome reflexivo: julgam eles mesmos com direito de impor.
OCORRÊNCIA 2 - como é então que se castigam as moças...
Temos agora o "se" como partícula apassivadora: verbo castigar (VTD) + SE e noção de passividade (as moças são castigadas).
 
Assim, o vocábulo "se" tem classificações diferentes nas ocorrências observadas.
 
12) Caso se isolasse por vírgulas o trecho “que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida” (l. 1 e l2), seria pertinente inferir que o autor se referisse a um rapaz já anteriormente mencionado, ou conhecido do interlocutor. (grifo da professora)
CORRETA. Gente, esta questão apresenta uma nova maneira de trabalhar orações adjetivas restritivas e explicativas, vejamos: 
 
TRECHO ORIGINAL: Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida é um sintoma da revivescência de um
sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens... (risquei para facilitar a visualização)
TRECHO ORIGINAL ADAPTADO:  Esse rapaz que quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens... (ORAÇÃO ADJETIVA RESTRITIVA)
 
Se eu uso uma oração para restringir, é porque preciso identificar o rapaz: não é qualquer um ou algum que já conheçamos, é aquele que quis matar a noiva...
 
Quando eu isolo a oração usando vírgulas, transformando-a em adjetiva explicativa, acontece o seguinte: 
 
TRECHO REESCRITO ADAPTADO:  Esse rapaz, que quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens... (ORAÇÃO ADJETIVA EXPLICATIVA)
 
Agora posso inferir que o tal rapaz já é conhecido do leitor, já foi citado em algum momento do texto e, por isso, não é preciso mais restringi-lo, apenas acrescentar informação (explicação) sobre ele.
 
13) Feitos os devidos ajustes de pontuação, a retirada do trecho “Eles, não” (l.13) manteria o sentido geral do texto, porém reduziria a ênfase com a qual o autor se refere à crueldade dos “noivos assassinos” (l. 9 e 10).
CORRETA. Vejamos o trecho original: "...enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que há de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão. O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo."
Gente, como a assertiva cita os ajustes de pontuação, podemos considerá-la correta, visto que a retirada de  "Eles, não" não prejudica o sentido original, mas, de fato, diminui a ênfase dada aos "noivos assassinos" em relação aos ladrões comuns. Os ladrões dão a opção "a bolsa ou a vida", os passionais (noivos assassinos) não. 
REESCRITURA"...enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que há de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão. O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Matam logo."
 
14) O ofício e o aviso são idênticos quanto à finalidade: ambos tratam de assuntos oficiais entre órgãos da administração pública.
CORRETA. Gente, questão perigosa, pois sabemos que o ofício também pode ser utilizado para tratar de assuntos com particulares, mas o CESPE cita na assertiva especificamente o tratamento de assuntos oficiais entre órgãos da Administração Pública. 
Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, no caso do ofício, também com particulares.
Acredito que seria interessante apresentar recurso contra esta questão, mas acho pouco provável que a banca altere o gabarito.
 
15) Na redação de súmulas, dado seu caráter técnico, devem-se empregar, sempre que possível, jargões.
INCORRETA. Gente, é dito expressamente no Manual de Redação Oficial que os jargões devem ser evitados. 

 "As comunicações que partem dos órgãos públicos federais devem ser compreendidas por todo e qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem restrita a determinados grupos. Não há dúvida que um texto marcado por expressões de circulação restrita, como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua compreensão dificultada." (Manual de Redação da Presidência da República)

 
 
16) Em um documento a ser enviado pelo ministro presidente do Superior Tribunal Militar ao ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, é adequado o emprego do pronome de tratamento Vossa Senhoria como vocativo, pois ambos (remetente e destinatário) ocupam cargos de mesmo nível hierárquico.
INCORRETA. Estamos tratando de Chefes de Poder, assim vejamos o que o Manual diz:
"O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo..."  (Manual de Redação da Presidência da República)
 
17) O trecho a seguir é adequado, quanto ao formato e à linguagem, para compor um memorando destinado à comunicação entre os seguintes setores do Superior Tribunal Militar: Diretoria de Pessoal e Coordenadoria do Plano de Saúde da Justiça Militar da União (JMU).
CORRETA. Gente, mesmo sem ter menção ao "local" no modelo trazido por esta assertiva (ela traz apenas data), o CESPE considerou-a correta tomando por base modelo de memorando apresentado no Manual de Redação da Presidência da República. Assim, mesmo havendo a regra geral no próprio manual determinando que "local e data" são partes do padrão ofício (que inclui aviso, ofício e memorando), a banca considerou esta assertiva correta tomando por base um modelo fornecido pelo citado manual que aparece apenas com data.
 
18) O trecho a seguir está em conformidade com o padrão culto da língua portuguesa, sendo, por isso, adequado para compor uma redação oficial.
 
No momento que o infrator se apresenta ou é recapturado em 10 dias, é desclassificado para o art. 187 do CPM, a deserção especial prevista no art. 190 do mesmo diploma legal,
 
INCORRETA. Gente, vejamos a reescritura da forma correta: 
 
REESCRITURA: No momento em que o infrator se apresenta ou é recapturado em 10 dias, é desclassificada, para o art. 187 do CPM, a deserção especial prevista no art. 190 do mesmo diploma legal.
 
A expressão "no momento" pede o uso da preposição em: o infrator se apresenta ou é recapturado em que momento?
Já a palavra "desclassificada" deve flexionar no feminino para concordar com "deserção". O que é desclassificada? A deserção!
O adjunto adverbial "para o art. 187 do CPM" deve estar entre vírgulas. 
Estranhamente, o CESPE finalizou o trecho com vírgula, o que não é possível, assim precisamos usar o ponto final.
 
É isto, gente!! 
Estou torcendo pelo sucesso de vocês, contem comigo!
Fiquem com Deus e até a próxima.
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