Prova SEFAZ PE FCC 2015 - Português

Oi Pessoal,
 
Essa semana, trago a vocês a prova da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, aplicada pela FCC, para o cargo de Julgador Administrativo Tributário do Tesouro do Estado. A parte objetiva 1 foi realizada em 07/03/2015 (sábado). 
 
A prova tem 10 questões de português. Apesar do longo texto, o item "interpretação de texto" foi pouco cobrado, caindo apenas uma questão exclusivamente sobre esse assunto. Dos outros tópicos do edital, os mais exigidos foram os itens: 
 
2 Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais.
3 Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas e adequação de linguagem). 
7 Emprego de tempos e modos verbais. 
10 Concordância nominal e Concordância verbal. (particularmente a concordância verbal)
 
Contudo, isso não significa que os outros itens não tenham sido explorados nas alternativas (crase, por exemplo, só apareceu de forma direta na alternativa b da questão 10). 
 
Junto com o texto integral das questões, estão os meus comentários, alternativa por alternativa. Espero que ajude.
 
Abraços
 
Rafael Domingues
 
1. O texto legitima a seguinte assertiva:
 
(A) A Segunda Guerra Mundial gerou evolução social, política, econômica e principalmente geográfica que culminou com a libertação dos povos dura e historicamente submetidos à colonização europeia e americana. 
 
O texto não atribui à Segunda Guerra Mundial todas essas evoluções. Ele diz que desde o fim do conflito as relações internacionais foram modificadas pela entrada de um grande número de novos países. Ou seja, o fim do conflito é usado como um marco temporal para o início das mudanças diplomáticas. 
 
No 2º§, o autor vinculou à descolonização as intensas mudanças sociais, políticas e geográficas
A descolonização modificou, ao mesmo tempo, o estado das relações entre os continentes, a vida das antigas colônias que chegam à independência e até, por via de consequência, a existência das antigas potências colonizadoras. Todos os aspectos até agora enfocados são transformados pelas repercussões da descolonização.

 
(B) A neutralidade que países recém-libertados da colonização assumiram frente às potências que se defrontavam na Segunda Guerra Mundial é, de modo subliminar, rebaixada pelo autor.
 
Que elementos do texto justificam tal afirmação? Nenhum. Não encontra-se uma frase que indique tal pensamento negativo em relação à neutralidade desses países. 
 
Encontramos elementos que valorizam a descolonização:
Um dos fenômenos mais importantes da história contemporânea é, precisamente, a entrada, no palco das relações internacionais, na condição dos países que se tornam atores da diplomacia, dos que, por tanto tempo, nele só figuraram como objeto
E elementos que desvalorizam a colonização:
a entrada, no palco das relações internacionais, na condição dos países que se tornam atores da diplomacia, dos que, por tanto tempo, nele só figuraram como objeto

 
(C) O número reduzido de potências que eram os principais agentes da Segunda Guerra Mundial foi abalado quando os Estados Unidos e o Japão passaram a integrar o universo político internacional.
 
Essa afirmação é incoerente com as afirmações do texto. O que se encontra é a enumeração desses países no mesmo rol de potências. O que abalou a existência desse grupo foi a descolonização, não a participação dos EUA ou do Japão.
concerto das grandes potências, a saber, quatro ou cinco grandes Estados europeus, mais os Estados Unidos e o Japão. [linhas 11, 12 e 13]
 
A descolonização modificou, ao mesmo tempo, o estado das relações entre os continentes, a vida das antigas colônias que chegam à independência e até, por via de consequência, a existência das antigas potências colonizadoras. [2º§]
 

 
** (D) A progressiva transformação nas condições em que se davam as relações internacionais até o fim da Segunda Guerra Mundial muito se deu pela inserção ativa de países, antes passivos, na diplomacia.
 
Essa afirmativa é correta. Podemos corroborar isso com a leitura do 1º§ do texto:
A evolução das relações internacionais desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi largamente comandada pela emancipação dos povos colonizados (...). Um dos fenômenos mais importantes da história contemporânea é, precisamente, a entrada, no palco das relações internacionais, na condição dos países que se tornam atores da diplomacia, dos que, por tanto tempo, nele só figuraram como objeto. O universo político deixa de reduzir-se ao concerto das grandes potências, a saber, quatro ou cinco grandes Estados europeus, mais os Estados Unidos e o Japão. O número dos Estados multiplicou-se: é um aspecto e uma decorrência da descolonização. 
 

 
 
(E) O sistema político, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, reduzia-se a países desenvolvidos, que, ainda que poucos, adquiriam força pelo consenso que os caracterizava acerca de crises internacionais. 
 
A frase é incoerente com as informações do texto. 
 
De fato eram poucos os países dominantes, contudo a força deles não era fruto de consenso acerca de crises internacionais. Isso simplesmente não está escrito no texto.
 
Podemos deduzir que a força dessas potências era fruto da dominação que exerciam sobre outros povos, pois com a descolonização suas existências foram modificadas.
A descolonização modificou, ao mesmo tempo, o estado das relações entre os continentes, a vida das antigas colônias que chegam à independência e até, por via de consequência, a existência das antigas potências colonizadoras. [2º§]
 


 
 
2. Análise da coesão textual evidencia que a alternativa em que estão corretamente indicados, em I, o segmento que reporta a outro do texto e, em II, o segmento reportado, é:
 
(A) I. (linha 4) que;
     II. (linhas 3 e 4) a constituição de um terceiro mundo. 
 
Essa alternativa parece bastante correta, o problema é a extensão do termo indicado em II. Observe a frase:
(...) e pela constituição de um terceiro mundo, que decidiu permanecer neutro no enfrentamento dos dois blocos.
O "que" é um pronome relativo, que introduz uma Oração Subordinada Adjetiva. Nessa condição sabemos que ele está substituindo um termo da oração principal, evitando a repetição. Repare que o termo que ele substitui é "um terceiro mundo".
(...) pela constituição de um terceiro mundo.
um terceiro mundo decidiu permanecer neutro no enfrentamento (...)
 
Portanto é errado dizer que o segmento reportado é "a constituição de um terceiro mundo". Se fosse assim, "a constituição" assumiria o papel de referente textual e a frase subordinada adjetiva teria que concordar com esse termo, ficando dessa forma:
e pela constituição (...), que decidiu permanecer neutra no enfrentamento (...).
Esta interpretação estaria errada, pois não foi a constituição que decidiu permanecer ficar neutra, mas sim o terceiro mundo. 
 

 
** (B) I. (linha 5) o enfrentamento dos dois blocos;
     II. (linha 2) a Segunda Guerra Mundial.
 
Essa afirmativa está correta. Vamos observar o período completo, com algumas edições:
 
A evolução das relações internacionais desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi largamente comandada pela emancipação dos povos colonizados e pela constituição de um terceiro mundo, que decidiu permanecer neutro no enfrentamento dos dois blocos.
1) A evolução das relações das relações internacionais (tempo: desde quando? desde o fim da 2ªGM)
 
2) foi comandada (por quem?) = pela emancipação dos povos colonizados
                                                                         e
                                                 pela constituição de um terceiro mundo 
 
3) Este terceiro mundo decidiu permanecer neutro no enfrentamento ( que enfrentamento?  = a 2ªGM)
 
O que está escrito é : A emancipação dos povos (descolonização) e a constituição de um terceiro mundo comandaram a evolução das relações internacionais.  Essa evolução começou desde o fim da 2ªGM. Os países do terceiro mundo são aqueles que decidiram permanecer neutros no conflito. O conflito em questão é justamente a 2ªGM.
 
O autor usa como sinônimo de 2ªGM o termo "o enfrentamento dos dois blocos". Ele provavelmente faz referência aos dois grandes grupos de contendores desse conflito: os aliados (EUA, Reino Unido, França, URSS) e o eixo (Alemanha, Itália, Japão). 
 

 
(C) I. (linhas 11 a 13) quatro ou cinco grandes Estados europeus, mais os Estados Unidos e o Japão;
     II. (linha 11) o concerto das grandes potências.
 
O segmento I funciona como um aposto do segmento II. Às vezes, o aposto pode vir precedido de expressões explicativas do tipo: a saber, isto é, por exemplo. Aposto é um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal para explicá-lo ou especificá-lo melhor. Neste sentindo, o segmento I não está se reportando ao II. O segmento I, por ser aposto, está ligado sintaticamente ao II, trazendo informações novas (os nomes das grandes potências).
 

 
(D) I. (linhas 8 e 9) a condição dos países que se tornam atores da diplomacia;
     II. (linha 7) a entrada.
 
Um dos fenômenos mais importantes da história contemporânea é, precisamente, a entrada, no palco das relações internacionais, na condição dos países que se tornam atores da diplomacia, dos que, por tanto tempo, nele só figuraram como objeto.
Em amarelo está destacada a oração principal. O segmento I não está se reportando ao segmento II. Ele está dizendo com qual status (na condição de) "os povos" entraram no palco das relações internacionais (como atores da diplomacia). 
 

 
(E) I. (linha 30) que;
     II. (linhas 29 e 30) esses três grandes fatos.
 
Foi a sucessão desses três grandes fatos que modelou a fisionomia do mundo contemporâneo
 
"Foi" é um verbo de ligação. 
 
"A sucessão desses três grandes fatos" é um predicativo do sujeito
 
"Que modelou a fisionomia do mundo contemporâneo" é o Sujeito da oração. Este sujeito contém um verbo, portanto é classificado como uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva.
 
Logo, o "que" é uma conjunção integrante e nesse papel funciona como um termo conectivo. Por este motivo o segmento I não se reporta ao segmento II.
 
Podemos concluir que o "que" não está funcionando como pronome relativo, pois o verbo "modelou" está na terceira pessoa do singular. Se o "que" fosse um pronome relativo ( e nesse caso ele poderia ser substituído por "os quais") o verbo teria que concordar com o seu referente textual, que seria a palavra "fatos" e a frase poderia ser reescrita dessa forma:
Foi a sucessão desses três grandes fatos que/os quais modelaram a fisionomia do mundo contemporâneo.
Neste caso o verbo "foi" seria intransitivo e o sujeito seria todo o termo sublinhado na frase acima. 
 


 
3. Afirma-se com correção:
 
(A) (linhas 14 a 16) Em A ONU conta hoje 135 Estados, ao passo que a SDN nunca reuniu mais de cinquenta, a substituição da locução ao passo que por "na medida em que" não prejudica o sentido original.
 
A alteração prejudica o sentido, pois "ao passo que" é uma conjunção que transmite a ideia de proporção, sendo equivalente à locução conjuntiva "à medida que".
 
A conjunção "na medida em que" transmite a ideia de causa e é equivalente a "pelo fato de que", "uma vez que" e "porquanto". Exemplo:
Os pais, na medida em que se responsabilizam apenas por pagar a escola, estariam se abstendo de cumprir seus papéis de educadores.

 
(B) (linhas 10 a 13) Em O universo político deixa de reduzir-se ao concerto das grandes potências, a saber, quatro ou cinco grandes Estados europeus, mais os Estados Unidos e o Japão, o segmento destacado introduz correção do conteúdo do enunciado anterior.
 
O segmento destacado é uma expressão explicativa que antecede um aposto também explicativo (informa quais países compõem o grupo das potências). Não há ideia de correção do conteúdo anterior.
 

 
** (C) (linhas 13 e 14) Em O número dos Estados multiplicou-se: é um aspecto e uma decorrência da descolonização, ocorrem prosseguimento do texto por justaposição; presença dos dois-pontos marcando ausência do sequenciador; elipse de sujeito.
 
Correto. A justaposição é a colocação de orações, uma ao lado da outra, sem qualquer conectivo que as enlace. Os dois-pontos estão marcando o lugar onde uma conjunção (elemento conectivo) poderia ser posicionada. Finalmente, o sujeito do verbo "é" não está presente, mas pode ser facilmente subentendido (por isso é elíptico) pelo contexto e pela desinência verbal.
 

 
(D) (linhas 17 a 21) Em A descolonização modificou, ao mesmo tempo, o estado das relações entre os continentes, a vida das antigas colônias que chegam à independência e até, por via de consequência, a existência das antigas potências colonizadoras, o posicionamento da expressão ao mesmo tempo na frase denota que a simultaneidade é extensiva a todas as modificações citadas.
 
A simultaneidade não é extensiva para todas as ações. A existência das antigas potências é uma modificação que surge pela via de consequência, conforme nos informa o autor. Se é uma consequência, não é simultânea à causa (a independência das antigas colônias).
 

 
(E) (linhas 17 a 21) Em A descolonização modificou [...] o estado das relações entre os continentes, a vida das antigas colônias que chegam à independência e até, por via de consequência, a existência das antigas potências colonizadoras, a palavra destacada, equivalente a "também", acrescenta unidade de igual valor no conjunto argumentativo. 
 
O valor argumentativo não é igual. A conjunção aditiva "e" já está fazendo o papel de incluir "a existência das antigas potências" no rol de modificações. A palavra "até", equivalente a "inclusive" e "também" está acrescentando ênfase a ideia de inclusão, ressaltando está última inclusão, como algo de destaque entre as modificações induzidas pela descolonização.
 


 
4. A evolução das relações internacionais desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi largamente comandada pela emancipação dos povos colonizados e pela constituição de um terceiro mundo, que decidiu permanecer neutro no enfrentamento dos dois blocos. Um dos fenômenos mais importantes da história contemporânea é, precisamente, a entrada, no palco das relações internacionais, na condição dos países que se tornam atores da diplomacia, dos que, por tanto tempo, nele só figuraram como objeto. Sobre o que se tem acima, é correto afirmar:
 
(A) Transpondo a frase inicial para a voz ativa, obtém-se a forma verbal "comandou".
 
A transposição leva à forma "comandaram". Observe que o agente da passiva vira um sujeito composto na voz ativa:
A evolução (...) foi largamente comandada pela emancipação dos povos(...) e pela constituição de um terceiro mundo.
Sujeito Simples                                                                                      agente da passiva
 
A emancipação dos povos (...) e a constituição de um terceiro mundo comandaram largamente a evolução (...).
           Sujeito Composto                                                                                                        Objeto Direto
 

 
** (B) Em decidiu permanecer, o verbo que indica permanência de estado sinaliza a presença, na frase, de uma ideia não explícita.
 
Se o "terceiro mundo" decidiu permanecer neutro, é porque em algum ponto ele teve de tomar uma decisão: tomar um partido ou permanecer neutro. A ideia implícita é essa escolha. 
 

 
(C) Considerado o respeito às fronteiras sintático-semânticas, a colocação de uma vírgula depois da palavra Mundial mantém a correção da frase.
 
A vírgula iria separa o sujeito do verbo e tal modificação constitui um erro grave. 
 
A evolução (...) desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi (...) comandada pela emancipação dos povos (...).
    Sujeito                                                                                                           Agente da Passiva                    
 

 
(D) A substituição de por tanto tempo por "há muito" não altera qualquer traço de sentido presente na formulação original.
 
A expressão "por tanto tempo" indica uma quantidade de tempo. 
 
A expressão "há muito" possui o verbo haver indicando tempo transcorrido (equivalente a "faz muito"). Logo, a alteração levaria a uma mudança em relação ao sentido original. 
 

 
(E) A palavra só, equivalendo a "mesmo" ou "próprio", constitui reforço demonstrativo da referência feita pelo pronome, tal como se nota em "Mário, o chef dos chefs, ele só fará o bolo de casamento".
 
A alternativa é incoerente com o significado de "só" no texto. Observando o contexto "só" é equivalente a "apenas", "somente". 
 


 
5. Se quiséssemos reduzir a história política do mundo nos dois últimos séculos a alguns elementos constitutivos, teríamos de assinalar a Revolução de 1789, a revolução russa de 1917 e a emancipação dos continentes sujeitos, há vários séculos, ao domínio da Europa e do homem branco.
 
Em cada alternativa, certa forma encontrada na frase transcrita acima está associada a uma alteração. Levando em conta o contexto e a norma-padrão escrita, está adequado o seguinte comentário sobre a alteração proposta:
 
(A) Se quiséssemos / Caso queiramos: a transformação mantém a correção e o sentido originais.
 
A transformação apenas manteria a correção se o verbo "teríamos" também fosse modificado para o presente do indicativo ou para o futuro do presente do indicativo.
Se quiséssemos reduzir a história política (...), teríamos de assinalar (...)
 Pretérito Imperfeito                                      Futuro do Pretérito
    do Subjuntivo                                              do Indicativo
 
Caso queiramos reduzir a história política (...), temos de assinalar (...)  /  teremos de assinalar (...)
       Presente do                                            Presente                       Futuro do Presente
        Subjuntivo                                            do Indicativo                     do Indicativo
 

 
(B) a alguns elementos constitutivos / às poucas partes constitutivas: a transformação mantém a correção original e não acrescenta qualquer traço de sentido ao original.
 
Ao dizer que a história vai ser reduzida "a alguns elementos constitutivos" fica implícito que a história tem um conjunto de elementos constitutivos, mas dentre esses, alguns serão escolhidos.
 
Ao dizer que a história vai ser reduzida "às poucas partes constitutivas" fica implícito que a história tem um conjunto de partes constitutivas e estas são poucas. 
 
Portanto a transformação altera o sentido.
 

 
(C) teríamos de assinalar / assinalaríamos: a transformação não implica perda de qualquer traço de sentido original.
 
"Ter de" significa ter a necessidade ou obrigação de fazer alguma coisa. Por isso, na opinião do autor, nós teríamos a necessidade/obrigação de assinalar aqueles três eventos. 
 
A transformação para "assinalaríamos" matem o mesmo tempo e modo verbal (futuro do pretérito do indicativo). A ausência do "ter de" retira aquele elemento de necessidade, ficando implícito que qualquer um assinalaria aqueles três eventos, se tentasse reduzir a história a alguns elementos constitutivos. 
 

 
(D) há vários séculos / daqui há vários séculos: observada a formulação exclusivamente do ponto de vista gramatical, sem vínculo de sentido, portanto, com o contexto original, a alteração está correta.
 
Particularmente do ponto de vista gramatical, a alteração proposta é incorreta. 
 
No segmento original "há vários séculos" o verbo haver está indicando tempo transcorrido (passado), podendo ser substituído por "faz".
 
No segundo segmento a contração "daqui" indica a ideia de tempo futuro. Logo, o verbo haver é incompatível com essa construção, devendo ser substituído pela preposição "a" (daqui a vários séculos  - ou seja, em algum ponto no futuro).
 

 
**(E) há vários séculos / em muitos séculos precedentes: a transformação mantém a correção ortográfica e o sentido originais.
 
Correta.
 
No segmento original o verbo haver está indicando tempo transcorrido (passado). Está escrito também que a escala de tempo é em séculos e que vários desses séculos já passaram.
 
Na proposta de modificação temos a preposição "em" expressando relação de tempo (Nasci em 1950; Cheguei lá em duas horas). "Muitos" é sinônimo de "vários" e a escala de tempo se mantém (séculos). A palavra "precedentes" cria a dimensão de passado, que no período original é automaticamente produzida pelo "há". Lembre-se que é um pleonasmo dizer "há muito tempo atrás", pois o "há" por si só já indica que se está falando de tempo decorrido. 
 


 
6. Para apreciar o alcance da descolonização, cumpre situá- la na perspectiva histórica a longo prazo do esforço colonizador europeu. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, o mundo era quase totalmente dominado, animado e organizado pela Europa. Pouquíssimos países haviam escapado a esse domínio: o Japão era um deles.
 
Análise correta do acima transcrito justifica a seguinte observação:
 
(A) A oração reduzida inicial corresponde à oração desenvolvida "Apreciando o alcance da descolonização".
 
A alternativa é incorreta. A frase proposta continua sendo uma oração reduzida, pois permanece ausente a conjunção e o verbo está em uma forma nominal (apreciando = gerúndio). A oração desenvolvida deveria ser: Para que apreciemos o alcance da descolonização.
 
Para uma oração ser considerada reduzida o verbo precisa estar no gerúndio (reduzida de gerúndio), no particípio (reduzida de particípio) ou no infinitivo (reduzida de infinitivo). Ou seja o verbo precisa estar em uma das suas formas nominais. Além disso, as orações reduzidas não são introduzidas por conjunção. 
 

 
(B) O emprego do pronome em situá-la constitui deslize, pois o tema do período é o alcance da descolonização.
 
Para apreciar o alcance da descolonização, cumpre situá- la (=situar ela)na perspectiva histórica (...)
 O. Subordinada Adverbial Final                     VI       VTD      O. Subordinada Substantiva Subjetiva
    Reduzida de Infinitivo                                                                Reduzida de Infinitivo
O tema do período é a descolonização. O que convém (=cumpre) é situar a descolonização na perspectiva histórica, com a finalidade de se apreciar o alcance dela. Por isso, o emprego do pronome está adequado. 
 
PRONOMES PESSOAIS OBLÍQUOS 
o, a, os, as
Substituem termos
com função de
Correspondentes
Exemplos
Verbos terminados em
r
s
z
lo, la, los, las
burlar as leis → burlá-las
fizemos compras → fizemo-las
refez o trabalho → refê-lo
Objeto
Direto
Verbos terminados em
m
ão, õe
no, na, nos, nas
guardaram as roupas → guardaram-nas
 

 
(C) A sequência presente em o mundo era quase totalmente dominado, animado e organizado pela Europa compõe escala ascendente.
 
Não se percebe uma relação de intensidade maior ou menor entre os termos empregado. Há mais uma relação de complementariedade entre as palavras. 
 

 
** (D) Em o mundo era quase totalmente dominado, animado e organizado pela Europa, o primeiro advérbio constitui modulação da ideia expressa pelo segundo.
 
Correto. O advérbio "quase" limita o significado do advérbio "totalmente". Se retirarmos o "quase", o mundo passa a ser totalmente dominado (dominação integral). Como o "quase" o mundo é dominado em sua maior parte, mas alguns lugares escapam dessa dominação (dominação parcial).
 
Portanto, o primeiro advérbio constitui modulação (ou seja inflexão, entonação) da ideia expressa pelo segundo advérbio, pois modifica o grau de intensidade do que se fala ( não era totalmente - era quase totalmente).
 

 
(E) A locução verbal haviam escapado equivale semanticamente à forma verbal "escaparam".
 
Haviam escapado" está no pretérito mais que perfeito composto do indicativo. 
 
Um detalhe interessante a ser notado aqui é que o verbo "escapar" é conjugado da mesma forma tanto no pretérito perfeito, quanto no pretérito mais que perfeito na terceira pessoa do plural (observe a tabela abaixo). 
 
O pretérito perfeito indica uma ação pontual ocorrida no passado.
 
O pretérito mais que perfeito é usado para falar de ação pretérita concluída antes de outra ação do passado ter se iniciado.
 
Portanto, o autor com o intuito de evitar essa confusão provavelmente deve ter usado o pretérito mais que perfeito composto, para não criar dúvidas quanto ao tempo verbal usado (e consequentemente evitar mais de um significado possível).
 
Por esses motivos, a locução "haviam escapado" não é necessariamente equivalente à forma verbal "escaparam".
 
Pretérito mais que perfeito composto pretérito mais que perfeito (simples) pretérito perfeito
havia escapado eu escapara eu escapei
havias escapado tu escaparas tu escapaste
havia escapado ele escapara ele escapou
havíamos  escapado nos escapáramos nós escapamos
havíeis escapado vós escapáreis vós escapastes
haviam escapado eles escaparam eles escaparam
 
 


 
7. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, o mundo era quase totalmente dominado, animado e organizado pela Europa. Pouquíssimos países haviam escapado a esse domínio: o Japão era um deles. Os outros que se encontravam na mesma situação deviam-no ao seu afastamento ou isolamento e, com mais frequência, haviam pago sua independência com a estagnação: assim a Etiópia na África.
 
Compreende-se corretamente do que se tem acima, considerado em seu contexto:
 
(A) A expressão na mesma situação remete à mesma conjuntura dos países que eram dominados pela Europa.
 
A expressão remete à conjuntura dos países que haviam escapado ao domínio da Europa, como por exemplo o Japão. 
 

 
** (B) Explicação plausível para o emprego do pronome em deviam-no é considerá-lo como remetendo a "o fato", expressão não explícita na frase, mas facilmente recuperada na situação discursiva.
 
Correto. "Deviam" é verbo transitivo direto e indireto. Os outros deviam-"no" (OD = o fato de se encontrarem na mesma situação) ao seu afastamento ou isolamento (Objeto Indireto). O pronome oblíquo "no" é equivalente a "o fato", termo implícito que podemos entender como "o fato de se encontrarem na mesma situação". 
 

 
(C) A conjunção ou enlaça unidades coordenadas exprimindo a total equivalência delas, do ponto de vista semântico, motivo pelo qual constituem reiteração que busca produzir realce.
 
A conjunção "ou" não exprime total equivalência, mas sim alternância. Os países independentes devem esse fato ou ao seu afastamento ou ao seu isolamento. 
 
Observe que "ou" pode indicar equivalência quando localizado entre termos considerados sinônimos (Ex: Lutécia ou Paris antiga = a mesma cidade, mas indicada por nomes diferentes, um da época do Império Romano, outro, atual). 
 
Afastado não é necessariamente sinônimo de isolado. Um país pode estar isolado, mesmo quando está próximo de outros (exemplo: Cuba após o embargo dos EUA). Isolado quer dizer estar só ou separado dos outros. Esse isolamento pode ser por causas naturais (distância ou características geográficas) ou fruto do comportamento humano (política, cultura, religião, sociedade, etc...). 
 

 
(D) A retirada da primeira vírgula em e, com mais frequência, mantém a correção da frase.
 
A vírgula após o "e" está isolando  (juntamente com a vírgula após "frequência")  um adjunto adverbial: "com mais frequência".
 
Se for feita a retirada de uma dessas vírgulas, a conjunção aditiva "e" será isolada do resto da oração coordenada que ela introduz.
 
As orações coordenadas aditivas introduzidas pela conjunção "e" não são isoladas por vírgulas, desde que tenham o mesmo sujeito.
 
Contudo, mesmo nos casos em que estas orações têm sujeitos diferentes, a vírgula deve aparecer antes da conjunção "e" (exemplo: Ela nunca fazia nada , e José nunca pensava em se esforçar).  
 

 
(E) Redação alternativa ao trecho destacado, igualmente correta, poderia ser "teriam pago sua independência com a estagnação, a exemplo do que se deu com a Etiópia, na África".
 
A alteração não é igualmente correta. 
 
"Haviam pago" está no pretérito imperfeito do indicativo (ação contínua em um intervalo de tempo no passado).
 
"Teriam pago" está no futuro do pretérito do indicativo (ação que era esperada no passado, mas não aconteceu).
 


 
8. Considere os períodos A e B e as assertivas que seguem a eles.
 
A. Eles se esforçaram bastante, mas (adversativa) não conseguiram atingir a meta proposta para o setor.
 
B. Eles se esforçaram bastante, ainda que (concessão) não tenham conseguido atingir a meta proposta para o setor.
 
 
I. Tanto em A, quanto em B, os enunciados que compõem o período relacionam-se por contraposição, motivo pelo qual os conectores mas e Ainda que pertencem à mesma categoria, a das conjunções adversativas.  Incorreta
 
Os conectivos pertencem à categorias diferentes. "Mas" é uma conjunção adversativa, porém o "ainda que" é uma conjunção consecutiva. 
 
II. Em A, o primeiro segmento do período cria a expectativa de que o esforço foi recompensado; o segundo, introduzido pela conjunção mas, constitui eliminação da expectativa criada no primeiro.  Correta
 
É justamente esse tipo de relação que é criada pela conjunção adversativa: oposição entre ideias. 
 
 
III. Em B, o segmento introduzido pela locução conjuntiva constitui argumento contrário, mas não suficientemente forte para desmentir o argumento anterior.  Correto
 
É justamente essa a ideia de concessão. O evento introduzido pela conjunção concessiva é contrário ao evento da oração principal, no entanto isso não impede a realização do evento da oração principal. Concessão significa o ato/efeito de ceder alguma coisa; conceder.
 
 
IV. No período em que aparece a conjunção mas, prevalece a orientação argumentativa do segmento que ela introduz; no período em que aparece a locução ainda que, prevalece a orientação argumentativa do segmento que ela não introduz.    Correta
 
Na oração adversativa, o evento introduzido pela conjunção se opõe ao evento da outra oração coordenada. Veja que o ato de se esforçar não impediu que a meta não fosse atingida. Apesar do esforço, a meta foi descumprida. 
 
Na oração subordinada adverbial concessiva, o evento introduzido pela conjunção também se opõe ao evento da oração principal. Contudo, apesar dessa contrariedade, o evento da oração principal é realizado. Veja que, embora a meta não tenha sido atingida, eles se esforçaram. Por isso a orientação argumentativa prevalece na oração principal. 
 
Está correto o que se afirma APENAS em
**(A) II, III e IV.
(B) I, II e III.
(C) I e IV.
(D) II e III.
(E) II e IV.
 


 
9. A alternativa que apresenta frase clara e linguagem adequada, segundo os preceitos da gramática normativa, é:
 
(A) A jovem escritora, cujo primeiro romance não se sabe  porque (por que) foi tão exaltado pela crítica, concedeu entrevista no mesmo hotel onde conheceu e se apaixonou pelo grande incentivador de seu trabalho , poeta de renome internacional.
 
"Porque" (equivalente a Pois) é uma conjunção coordenada explicativa, logo o seu uso está incorreto na frase acima, devendo ser substituído pela forma "por que" (preposição + pronome interrogativo). 
 
Utilize a forma "por que" quando for possível acrescentar a palavra "motivo" depois dela ou ainda quando for possível substituí-la por: pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais (preposição + pronome relativo). 

 
(B) Na comemoração de 2014, a presença maciça dos formandos de dez anos atrás e a alegria contagiante que marcou os reencontros fez (fizeram) lembrar que amigos de tempos de escola suscitam memórias que tornam a todos felizes.
 
O sujeito da locução verbal "fez lembrar" é composto (os núcleos são "a presença" e "a alegria"). Se o sujeito é composto, para manter a concordância verbal o verbo auxiliar da locução verbal deve ir para o plural, portanto "fizeram". 
 

 
(C) A especialista em comportamento animal advertiu: é necessário evitar a coleira em filhotes dessa específica e pouco conhecida raça, em especial nas fêmeas, pois elas (ela = a coleira) as (=as fêmeas) machucam (machuca) muito quando as caminhadas tornam-se excessivas.
 
Se o pronome pessoal reto "elas" está se referindo ao termo "a coleira", ele deve concordar com o termo ao qual se refere. Por isso a reescrita correta da frase é: pois ela as machuca muito quando as caminhadas tornam-se excessivas.
 
A vírgula antes da conjunção "quando" é facultativa, pois esta conjunção introduz uma oração subordinada adverbial temporal. Para as orações subordinadas adverbias a vírgula só é obrigatória quando estão fora da ordem direta (intercaladas). Se estiveram na ordem direta, ao final da frase, a vírgula é opcional. 
 

 
(D) No dia em que foi dispensado, vagou horas a fio em profundo pesar, até que viu passar um buldogue numa moto com o dono todo paramentado; perante a isso, não pode (pôde) deixar de sorrir e (de) lembrar que a vida é sempre surpreendente.
 
Se os acontecimentos estão ocorrendo no passado (pretérito perfeito), o verbo auxiliar da locução verbal deve estar conjugado em um tempo compatível com o que se diz no resto do período. A falta do acento circunflexo constitui erro (pode =presente do indicativo / pôde = pretérito perfeito do indicativo). 
 
Se a regência do verbo "deixar" requer a preposição "de", tal preposição deve aparecer para os dois objetos indiretos
 

 
** (E) Nas adjacências do fórum, estudantes de direito digladiavam-se para conseguir uma senha, sem a qual não poderiam assistir aos trabalhos do tribunal do júri; se pessoas mais sensatas não tivessem intervindo, o tumulto teria se exacerbado.
 
Está conforme os preceitos da gramatica normativa.
 


 
10. Está clara e adequada, segundo a norma-padrão escrita, a seguinte redação:
 
** (A) As dificuldades por que (=pelas quais) passou na carreira e a lisura de sua vida profissional não só o recomendam para que medeie os dois últimos debates, como também favorecem que o representante das mídias estrangeiras lhe reconheça as indiscutíveis competência e discrição.
 
Está adequada. 

 
(B) Sobre o fato de antigos funcionários, depois de tanto tempo, acusá-lo (acusarem-no) publicamente de malversação do dinheiro público, ele se negou a falar, alegando cansaço e clamando pelo direito de só se manifestar sob a (à) proteção da lei.
 
Se quem acusa são os antigos funcionários o verbo deve ir para o plural, concordando com o sujeito.
 
A preposição "sob", significando estar protegido, vem acompanhada da preposição "a". O "a" preposição, mais o "a" artigo oriundo da palavra "proteção", formam a crase.
 

 
(C) trinta anos não aconteceu (acontece = presente do indicativo) nada no bairro que demonstre (presente do subjuntivo) o interesse do poder público pelas legítimas queixas dos cidadãos e sua ação no sentido de dirimir ou minimizar os desconfortos a que estão submetidos cotidianamente.
 
A correlação verbal não está adequada. A conjugação correta do verbo "acontecer" pode ser "acontece" no presente do indicativo, pois esta é a correlação correta com o presente do subjuntivo apresentada pelo verbo "demonstre". O presente do subjuntivo também pode ser corretamente correlacionado com o futuro do presente do indicativo, contudo o verbo"há", indicado tempo transcorrido, impede a presença de um tempo verbal no futuro. 
 
Outras possibilidades:
manter o verbo "aconteceu" (pretérito perfeito do indicativo), mas conjugar o verbo demonstrar no pretérito imperfeito do subjuntivo (demonstrasse) = aconteceu - demonstrasse.
 
♦usar o verbo "acontece"(no presente do indicativo), mas correlacionar com o "tenha demonstrado" (pretérito perfeito composto do subjuntivo) = acontece - tenha demonstrado.
 

 
(D) Se elas reouvessem logo os documentos extraviados, muitas dúvidas do advogado se desvaneceriam, e, principalmente, as providências legais para garantir a solução do litígio a favor delas poderia (poderiam) tornar-se possível (possíveis).
 
A concordância verbal está incorreta. O sujeito de "poderia tornar-se" é "as providências". Se o sujeito está no plural o verbo deve concordar com ele. 
 

 
(E) Estava (pretérito imperfeito) convicto de que os percalços da sua vida de artista é (foram = pretérito mais que perfeito) que, em última instância, lhe indisporam (não existe ; correto = indispuseram) com alguns colegas e diretores, mas acreditava (pret. imperfeito) que dessas dificuldades advieram (pret. mais que perfeito) também o crescimento profissional e a perda da arrogância.
 
O verbo ser não está concordando com o seu sujeito e também está em um tempo incompatível com a correlação adequada para o período.
 
"Indisporam" sequer existe. 
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