Prova de Português Comentada da Assefaz- MA (Cargo: Auditor)

por Denise Carneiro em 16/09/2016
Olá, meus queridos!
 
Comentaremos rapidamente a prova de auditor da SEFAZ-MA, apenas para elucidação de possíveis dúvidas. Os comentários detalhados, como vocês gostam e conhecem, estarão em breve na plataforma do TEC, ok?
 
Sem delongas, vamos lá!
 
1) As anedotas caracterizam-se, segundo o autor do texto, pelas seguintes qualificações:
 
(A) autoria polêmica, linguagem indisciplinada e finalidade maliciosa.
(B) conteúdo repressivo, origem hipotética e estilo formal.
(C) criador desconhecido, estrutura marcante e transmissão oral.
(D) estilo literário, narrativa simplória e elementos de pungência.
(E) procedência nebulosa, forma tradicional e recursos gráficos.
 
Letra C, meu povo! 
Criador desconhecido -> "São de autores desconhecidos mas nem por isso menos competentes."
Estrutura marcante -> "Uma anedota geralmente tem o rigor formal de um teorema. Exposição, desenvolvimento, desenlace."
Transmissão oral -> "A anedota é uma continuação da tradição homérica, de narrativa oral, que transmitia histórias antes do livro."
 
Questão tranquila, sem possibilidade de recurso.
 
2) A frase Se anedota fosse crime, sua repressão seria dificílima encontra sua imediata razão de ser no seguinte segmento:
 
(A) criação da anedota se compara ao enigma da criação da matéria.
(B) Anedota impressa deixa de ser anedota.
(C) as anedotas que correm o país não são deles.
(D) Uma anedota geralmente tem o rigor formal de um teorema.
(E) supremo vexame de, um dia, esquecerem o fim da anedota.
 
Galera, a questão quer saber, em resumo: por que seria difícil punir o "criminoso", se contar anedota fosse crime? Simplesmente porque é impossível identificar quem criou a tal anedota. Tanto que o texto é iniciado assim: "Um dos mistérios da vida é: de onde vêm as anedotas? O enigma da criação da anedota se compara ao enigma da criação da matéria."
 
Questão tranquila e fácil, sem possibilidade de recurso.
 
3) Atente para as seguintes afirmações:
 
I. A frase Uma anedota geralmente tem o rigor formal de um teorema (2o parágrafo) justifica o prestígio que alcançam as anedotas bem redigidas.
ERRADA: Meu povo, o texto afirma que ter "rigor formal de teorema" é característica comum da anedota, e não algo que as diferencie. 
"Uma anedota geralmente tem o rigor formal de um teorema. Exposição, desenvolvimento, desenlace."
 
II. A partir do momento em que as anedotas, distanciando-se de sua origem literária, tornaram-se narrativas orais, passaram a exigir melhores contadores.
INCORRETA, pois as anedotas têm origem na oralidade, assim, como podemos dizer que elas se distanciaram de sua origem quando se tornaram narrativas orais? 
"A anedota é uma continuação da tradição homérica, de narrativa oral, que transmitia histórias antes do livro."
 
III. O autor do texto credita à arte dos narradores boa parte do sucesso que as anedotas podem fazer entre os que as ouvem.
CORRETA. O texto afirma isto claramente: "Grande parte do sucesso de uma anedota depende do estilo de quem conta."
 
Em relação ao texto, está correto o que se afirma APENAS em
(A) I e II.
(B) I e III.
(C) II e III.
(D) II.
(E) III.
 
Tudo tranquilo, gente! Sem possibilidade de recurso.
 
4) Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
 
(A) enigma da criação da matéria (1o parágrafo) = teoria sobre o mister da vida.
ERRADA, pois "enigma" significa "mistério", "algo difícil de ser esclarecido". Já a palavra "teoria" significa "conjunto de ideias", "doutrina", "linha de pensamento".
 
(B) aparentemente autogeradas (1o parágrafo) = autoproduzidas, ao que parece.
CORRETA. Autogerada = autoproduzida = que tem origem em si mesma. 

(C) nem por isso menos competentes (2o parágrafo) = nem assim tão obsoletos.
INCORRETA, pois competente tem sentido de "capaz", "idôneo", "suficiente". Já a palavra "obsoleto" significa "ultrapassado".
 
(D) continuação da tradição homérica (2o parágrafo) = extensão anacrônica.
INCORRETA. A palavra "homérica", empregada neste contexto, faz referência à literatura de Homero. A palavra "anacrônica" significa "retrógrado", "que não se enquadra no modelo atual". 

(E) Existem contadores eméritos (2o parágrafo) = Ocorrem narradores iminentes.
INCORRETA. Olhem a pegadinha! Emérito significa pessoa qualificada, de excelência, que é o mesmo que EMINENTE, e não iminente. 
EMINENTE = de notório saber, excelente, emérito
IMINENTE = algo que está prestes a acontecer
 
5) Está plenamente clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:
 
(A) Embora hajam humoristas profissionais, não são os mesmos quem produzem as anedotas.
INCORRETA. Haver com sentido de existir é impessoal, povo! Não flexiona!
 
(B) Ainda que sejam profissionais, alguns humoristas, não vêm deles a criação das anedotas.
INCORRETA. A vírgula antes do "não" está separando sujeito (alguns humoristas) do verbo "vêm".
 
(C) Atribue-se a autores desconhecidos a criação de anedotas que circulam ao longo do país.
INCORRETA. Erro de ortografia, povo! A escrita correta é "atribui-se". 
 
(D) É pungente onde se vê alguém perder o dom gracioso de contarem piadas com a mesma habilidade.
INCORRETA. Devemos empregar o pronome relativo "onde" apenas para referenciação de locais (físicos ou fictícios).  O verbo "contar" deve ser mantido no singular para concordar com "alguém".
 
(E) Constata-se que há, em parte considerável das anedotas, uma estrutura formal que é própria dos teoremas.
CORRETA. 
 
6) Quanto à concordância e à correlação entre tempos e modos, as formas verbais estão adequadamente empregadas na frase:
 
(A) As anedotas não surtiriam grande efeito caso não venham a contá-las quem tem esse dom especial.
ERRADA. A conjugação correlação correta: surtiriam - viesse
 
(B) Sempre se ouvirão risos na plateia quando quem conte as anedotas dispuser do talento que isso demanda.
CORRETA
 
(C) As anedotas passam a perder parte substancial de sua graça sutil caso não a ressaltasse os bons narradores.
ERRADA. A correlação correta: passariam a perder/ ressaltassem
 
(D) Sente-se logo os efeitos de uma boa anedota quando aquele que a contar enfatize toda a graça que ela tivesse.
ERRADA. A correlação correta: sente-se/enfatize/tenha
 
(E) Se se atribuíssem a graça das piadas apenas a elas mesmas, ignorar-se-á o papel fundamental que tem os contadores.
ERRADA. A correlação correta: atribuíssem/ignorar-se-ia 
 
7) Está plenamente correta a transposição de uma construção verbal da voz ativa para a voz passiva em:
 
(A) de onde vêm as anedotas? // de onde terão vindo as anedotas?
(B) o enigma da criação da anedota se compara ao da criação da matéria // o enigma da criação da anedota é comparável ao
da matéria
(C) humoristas profissionais não criariam as anedotas // as anedotas não seriam criadas por humoristas profissionais
(D) o sucesso de uma anedota está em quem a conta // quem conta uma anedota é que faz seu sucesso
(E) um computador pode escrever romances, mas não anedotas // não anedotas, mas romances poderiam ser escritos por
um computador
 
Gente, muito simples! É só aplicar o passo-a-passo que ensinamos em nosso material teórico: 
 
1) O objeto direto da voz ativa passa a ser o sujeito da voz passiva.
2) Sujeito passa a ser agente da passiva.
3) O verbo na forma ativa passa a ser uma locução (verbo ser/estar + particípio do verbo da voz ativa)
4) A locução verbal (voz passiva) deve manter o tempo e o modo verbal original  (da voz ativa)
 
Atenção! Se o verbo "criariam" (da voz ativa) está conjugado no futuro do pretérito do Indicativo, o verbo "ser" (da voz passiva) mantém este mesmo tempo e modo: criariam -> seriam criadas. A Letra C é a correta.
 
8) Os dois traços perigosos, que o cronista Contardo Calligaris vê como características frequentes da velhice, podem ser assim resumidos:
 
(A) preservação de virtudes efetivas e formulação de novos ideais.
(B) contestação de antigos valores e apagamento das más lembranças.
(C) recolhimento melancólico e justificáveis nostalgias.
(D) consciência da mortalidade e abandono das utopias.
(E) obsessão conservadora e exaltação de um passado imaginário.
 
Vejamos os trechos do texto que justificam a letra "E" como correta:
 
Obsessão conservadora: "que consiste em tentar preservar e conservar qualquer coisa, como metáfora da preservação (impossível) da nossa vida que se vai".
Exaltação de um passado imaginário: "Uma idealização fantasiosa de passados que nunca existiram."
 
Questão tranquila, gente!
 
9) Ao afirmar que a crônica citada de Contardo Calligaris é polêmica, o autor do texto considera a possibilidade de uma posição contrária à do cronista. Essa posição contrária manifesta-se quando, ao final do texto, levanta-se a hipótese de que, para os velhos,
 
(A) o exercício da imaginação é motivado e tem peso de realidade em si mesmo.
(B) a perda dos ideais leva-os a falsear o passado com toda a consciência disso.
(C) a tarefa de lembrar é influenciada pelas precárias condições de saúde.
(D) a mesquinharia costuma crescer numa idade em que se perdem as ilusões.
(E) a invenção inconsequente de lembranças é um ônus trazido pela idade.
 
Vejamos o trecho do texto que respalda a letra "A" como correta:  "Resta saber se a imaginação do vivido, para esses velhos, não é em si mesma uma sensação real e necessária, no final da vida."
 
10) Disseminam-se no texto expressões de sentido antônimo, tais como:
 
(A) lembranças inventadas / imaginação do vivido 
INCORRETA, pois estas expressões possuem sentidos próximos, e não antônimos.
 
(B) sensação real / algo que efetivamente não conheceram
CORRETA. Ter sensação real é o oposto de "algo que efetivamente não conheceram". 
 
(C) traços de nostalgia / avareza e idealização
INCORRETA, pois as palavras não se relacionam semanticamente de forma oposta.
Nostalgia = saudade
Avareza = mesquinhez
Idealização = criar mentalmente 
 
(D) crônica recente / crônica polêmica
INCORRETA, pois as palavras "recente" e "polêmica" não têm sentidos opostos semanticamente, apenas diferentes.
 
(E) metáfora da preservação / avareza mesquinha
INCORRETA, pois as palavras não se relacionam semanticamente de forma oposta. 
 
11) E completou sua crônica acusando o fato de que os idosos costumam se apoiar em lembranças inventadas, em algo que efetivamente não conheceram.
 
A frase acima permanecerá correta caso os segmentos sublinhados sejam substituídos, respectivamente, por:
 
Galera, atenção! Percebam que nos dois trechos sublinhados temos a mesma preposição "em", regidas pelo verbo "apoiar-se". Do mesmo modo deverá ocorrer na reescritura desta frase: o verbo utilizado regerá as preposições dos dois trechos sublinhados, ok? 
 
(A) recorrer de − em algo cujo de fato não conheceram 
INCORRETA.  Recorrer rege a preposição "a". O pronome relativo "cujo" deve ser empregado com sentido de posse e entre dois substantivos.
 
(B) recorrer com − por algo que apenas julgam ter conhecido
INCORRETA.  Recorrer rege a preposição "a". 
 
(C) valer-se de − de algo que de fato não lograram conhecer
CORRETA. O verbo "valer-se" rege adequadamente a preposição "de". 
 
(D) se valer por meio de − com algo de que desconheceram, de fato
INCORRETA. A construção "se valer por meio de" está inadequada, sendo ideal: valer-se de. Percebam ainda que temos preposições diferentes atribuídas para cada trecho sublinhado e, como avisamos no início da questão, o verbo empregado regerá as preposições de ambos os trechos.
 
(E) atribuir-se com − algo de que não conheceram factualmente
INCORRETA.  Atribuir rege a preposição "a". 
 
12) Atente para as seguintes construções:
I. O cronista critica os velhos, em quem reconhece dois traços perigosos.
ALTERA O SENTIDO. Temos oração adjetiva explicativa demarcada pela vírgula. A retirada deste sinal de pontuação torna a oração adjetiva em restritiva, alterando seu sentido original.
 
II. São condenáveis os velhos, cuja avareza mesquinha se funda numa ilusão.
ALTERA O SENTIDO. Temos oração adjetiva explicativa demarcada pela vírgula. A retirada deste sinal de pontuação também torna a oração adjetiva em restritiva, alterando seu sentido original.
 
III. Ao falar dos velhos, o cronista rejeita suas memórias fantasiosas.
NÃO ALTERA O SENTIDO. Temos uma oração adverbial temporal reduzida de infinitivo isolada por vírgula adequadamente. A retirada deste sinal de pontuação causa erro gramatical, mas não alteração semântica.
 
A exclusão da vírgula alterará o sentido do que está APENAS em
 
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.
 
13) Atente para as seguintes afirmações:
 
I. A internet vem ajudando a comprovar o fato de que somos menos intolerantes, no confronto das nossas diferenças, do
que imaginávamos ser.
INCORRETA
Vejamos: A internet vem ajudando a derrubar o mito de que nós, brasileiros, somos tolerantes às diferenças.
Ou seja, vem comprovando que somos intolerantes. 
 
II. Expressões preconceituosas são reveladoras de uma ampla intolerância, exposta a partir de prevenções de caráter racial, religioso, político etc.
CORRETA. Galera, "prevenções" significa "opinião preconcebida sem motivação" e é isto que o texto fala, vejamos: Expressões preconceituosas predominam em postagens que revelam todo tipo de intransigência em relação ao outro, rejeitado por sua aparência, classe social, deficiência, opção política, idade, raça, religião etc.
 
III. Os preconceitos generalizados, pelos quais se evidencia a intolerância que só faz crescer entre nós, derivam sobretudo do uso indiscriminado da internet.
INCORRETA. O texto conclui que a intolerância não é gerada pela internet, que apenas amplia discursos já existentes no dia a dia.
Num primeiro momento, parece que a internet criou uma onda de intolerância. O fato, porém, é que as redes sociais apenas amplificaram discursos existentes no nosso dia a dia.
 
Em relação ao texto está correto o que se afirma em
 
(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) II, apenas.
 
14) A seguinte frase tem redação correta e interpreta adequadamente o sentido do segundo parágrafo do texto:
 
(A) A onda de intolerâncias criada pela internet acabaram por implementar os preconceitos que já haviam.
INCORRETA, pois o verbo "acabaram" deve estar no singular para concordar com "A onda de intolerâncias".
 
(B) Não se responsabilizem as redes sociais pela onda da intolerância que as pessoas demonstram também em suas relações pessoais.
 
(C) Ainda que as redes sociais se amplifiquem, não há porque considerá-las responsáveis pelas intolerâncias que estão nas ruas.
INCORRETA. Neste caso, usamos por que (separado). 
 
(D) O por que das intolerâncias não se encontra apenas na internet, conquanto estejam também em outros espaços públicos.
INCORRETA, neste caso, usamos porquê (junto e acentuado - é substantivo)
 
(E) Quanto às intolerâncias, não lhes devemos considerar como efeitos da internet, até por que elas se registram também nas ruas.
INCORRETA. A locução "devemos considerar" pede complemento direto (devemos considerar o quê?), assim, não cabe o uso do pronome oblíquo "lhes" que funciona como objeto indireto. No caso, o pronome adequado é "as".
 
15) A oração sublinhada exerce a função de sujeito no seguinte período:
 
(A) Parece que o mito da tolerância já não se sustenta entre nós.
CORRETA. Oração subordinada substantiva subjetiva. 
Parece  + OSSS. (Estrutura clássica de composição de orações sub. subst. subjetivas.)
 
(B) A internet derrubou a crença de que somos tolerantes.
INCORRETA. Temos uma oração subordinada substantiva completiva nominal.
 
(C) As redes sociais deram vazão à intolerância que já se notava nas ruas.
INCORRETA. Temos uma oração subordinada adjetiva restritiva.
 
(D) Uma vez disseminados, os preconceitos vão revelando nossa intolerância.
INCORRETA, pois temos um adjunto adverbial.
 
(E) Quando se acessa uma rede social depara-se com uma onda de intolerância.
INCORRETA, pois temos uma oração subordinada adverbial.
 
Gente, é isto! Comentamos as questões rapidamente para que possíveis dúvidas sejam sanadas, especialmente em relação à possibilidade de recurso. Como vimos, prova tranquila, sem polêmicas, ok? 
Como avisei "lá em cima", estas questões serão comentadas detalhadamente na plataforma do TEC em breve. 
 
Um beijo para todos!!
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