Prova Comentada do STM: Língua Portuguesa (Técnico)

por Denise Carneiro em 09/03/2018
E aí, gente linda? Comentei a prova de Analista do STM e agora vamos à de Técnico, beleza??
Sem muita conversa inicial, vamos direto àquilo que vocês querem: os comentários, hehe.
 
TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA
 
1) O texto pode ser considerado informal pela presença dos vocábulos “videoclipes”, “videogames” e da expressão “jogos de tabuleiro” no primeiro parágrafo.
INCORRETA. Gente, a presença dessas palavras não torna o texto informal, o autor apenas enumera "locais" em que a narrativa está presente, mas o texto segue respeitando o padrão culto escrito e em tom formal com a intenção de informar o leitor sobre o assunto tratado. A linguagem informal é marcada pelo uso de gírias, despreocupação com as regras gramaticais, uso de palavras simples comumente encontradas na linguagem falada.
 
2) A autora utiliza o termo “tudo” (l.5) para se referir a uma ampla quantidade de experiências, objetos e produtos que constituem e(ou) comportam uma sequência articulada de eventos
CORRETA. A assertiva está perfeita! Vejamos o trecho: "A narrativa é uma totalidade de acontecimentos encadeados, uma espécie de soma final, e está presente em tudo: na sequência de entrada, prato principal e sobremesa de um jantar; em mitos, romances, contos, novelas, peças, poemas; no Curriculum vitae; na história dos nossos corpos; nas notícias; em relatórios médicos; em conversas, desenhos, sonhos, filmes, fábulas, fotografias. Está nas óperas, nos videoclipes, videogames e jogos de tabuleiro."
 
A expressão "sequência articulada" tem relação direta com a ideia de "narrativa" e durante o trecho são citados objetos, produtos e experiências em que está presente a narrativa (uma sequência articulada de eventos).
 
3) O vocábulo “antes” (l.19) indica, no contexto em que se insere, circunstância temporal.
INCORRETA. Muito cuidado, meu povo!! A palavra "antes", se olhada fora do contexto, de fato indica noção temporal, mas precisamos checar que sentido de fato ela transmite no texto, ok? Vejamos:" A expressão disputa de narrativas, que teve um boom dos anos 80 do século XX para cá, não costuma dizer respeito à acepção mais literária do termo, como narrativa de um romance. Fala antes sobre trazer a público diferentes formas de narrar o mundo..."
 
Percebam que a palavra "antes" tem sentido de "na verdade", "na realidade", ou seja, sentido de contradição, de oposição de ideias, e não de temporalidade.
 
A ideia do trecho é esta: A expressão "disputa de narrativas" não costuma dizer respeito à acepção mais literária do termo. Fala, na verdade, sobre trazer a públicos diferentes formas de narrar o mundo...
 
4) Há cerca de três décadas, em contextos históricos, culturais e literários, o termo narrativa passou a ser considerado um sinônimo de narração.
INCORRETA. Gente, o texto não fala isso em momento nenhum! Cuidado com a extrapolação!! 
Vejamos dois trechos do texto que afastam o que é dito nesta assertiva:
 
PARÁGRAFO 1: "Narração é diferente de narrativa, uma vez que mantém algo da ideia de acompanhar os fatos à medida que eles acontecem. "
 
PARÁGRAFO 3: "É um uso do termo que talvez aproxime narrativa de narração, porque sugere que toda narrativa histórica e cultural carrega em si um processo e um movimento..."  
 
Percebam que a autora fala explicitamente "talvez aproxime a narrativa da narração" e isso é MUITO diferente de dizer que os termos são sinônimos.
 
5) Sem prejuízo à correção gramatical e aos sentidos originais do texto, o termo “encadeados” (l.4) poderia ser substituído pela oração que se encadeiam.
CORRETA. A assertiva sugere a troca da oração subordinada adjetiva restritiva reduzida de paticípio "encadeados" pela oração desenvolvida, vejamos: 
 
TRECHO ORIGINAL: A narrativa é uma totalidade de acontecimentos encadeados... 
TRECHO REESCRITO:  A narrativa é uma totalidade de acontecimentos que se encadeiam...  
 
6) Dadas a temática apresentada e a presença de referências temporais, como as expressões “nas últimas décadas” (R.14) e “dos anos 80 do século XX para cá” (l.17), o texto classifica-se como narrativo.
INCORRETA. O texto é dissertativo, meus amores! Não há encadeamento de eventos, não há narrador, não há enredo, não há predominância de verbos no pretérito perfeito, não há personagens. O texto tem por objetivo informar o leitor sobre a diferença entre narração e narrativa, e não contar/narrar um fato.
 
7) Ao narrar a história do macaco Alemão e ao comentar a vida dos tigres-de-bengala nascidos em cativeiro, a autora remete à perspectiva de visitar zoológicos que ela classifica como “sem inocência” (l.19).
CORRETA. Assertiva perfeita, pois, nos dois exemplos, a autora deixa clara a sua posição de crítica à prisão dos animais em zoológicos, ou seja, aborda a situação do macaco e do tigre-de -bengala sob o prisma do que ela nomeou de "visita sem inocência" (realizada com reflexão).
SOBRE O MACACO: "Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu, em vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o restaurante lotado de visitantes."
SOBRE OS TIGRES: "Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos. Mas, nascidos em cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que nunca se tornará realidade."
 
8) A forma verbal “passara” (R.5) denota um fato ocorrido antes de duas outras ações também já concluídas, as quais são descritas nos dois períodos imediatamente anteriores ao período em que ela se insere. 
INCORRETA. Muito cuidado! Antes de tudo, responda: como um período acaba? Com ponto final, de interrogação, de exclamação. Maravilha, pois, sabendo disso, identificaremos quais os dois períodos imediatamente anteriores ao período citado nesta assertiva, ok? Vamos lá!
 
O largo horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do bosque estavam ao alcance de seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado.
 
O que temos no texto é isto aí de cima! Em azul temos o período imediatamente anterior e em verde o outro período imediatamente anterior: a questão refere-se aos dois períodos imediatamente anteriores. 
Destaquei os verbos de cada um dos períodos em negrito para que você me diga: em que tempo e modo verbal eles estão? Pretérito Imperfeito do Indicativo! Considerando isso, a alternativa pode estar correta? Não, pois ela fala que a forma verbal "passara" indica um fato ocorrido antes de duas outras ações também concluídas e que são descritas nesses dois períodos anteriores.
 
Gente, esses verbos no pretérito imperfeito do Indicativo têm sentido de ação que ocorria com regularidade, com frequência, e não de ação concluída. Qual o tempo verbal que denota classicamente sentido de ação concluída? O pretérito perfeito do indicativo.
 
9) Sem prejudicar a correção gramatical tampouco alterar o sentido do trecho, a expressão “serve para” (l.10) poderia ser substituída por convém à.
INCORRETA. Vejamos a sugestão de reescritura!
Trecho original: Um zoológico serve para muitas coisas...
Trecho reescrito: Um zoológico convém à muitas coisas...
 
Gente, podemos construir uma frase assim: à + palavra no plural? Não!! Inclusive, muitos professores (inclusive eu) divulgam um macete que não nos faz refletir muito sobre o porquê de não poder usar o acento grave, mas que ajuda a responder rapidamente uma questão como esta:
A+ palavra no plural = crase nem a pau! Rsrsrsrsrs...
 
Mas por que crase nem a pau? Crase é, em regra, união de duas vogais "a": preposição "a" + artigo definido feminino "a".
Na construção "convém a muitas coisas" temos apenas a preposição "a", não temos o artigo definido feminino, por isso crase nem a pau! E como eu sei que nessa frase só tem a preposição "a"? Muito simples: você diz "a cadeiras são bonitas" ou "as cadeiras são bonitas"? 
O meu artigo precisa concordar com o termo que ele define, né isso? Assim, se na construção "convém a muitas coisas" tivesse artigo definido feminino, a frase estaria assim: convém a + as muitas coisas = convém às muitas coisas.
 
10) A correção gramatical e o sentido original do texto seriam preservados caso o período “Ele pode então (...) sua vida” (R. 14 e 15) fosse assim reescrito: Para o apartamento financiado em quinze anos, pode ele voltar então, contente com sua vida.
CORRETA. Vejamos o trecho original:
TRECHO ORIGINAL: Ele pode então voltar para o apartamento financiado em quinze anos satisfeito com sua vida.
REESCRITURA: Para o apartamento financiado em quinze anos, pode ele voltar então, contente com sua vida.
 
Gente, essa vírgula empregada após "então" é aceitável para  isolar o predicativo do sujeito (contente com sua vida), mesmo ele estando no final da oração, considerando que o predicado em análise é verbo-nominal. Se fosse um predicado apenas nominal (com verbo de ligação) isso não seria permitido. Poderíamos também isolar o advérbio "então" com uma vírgula antes e uma depois (construção mais comum e conhecida), como poderíamos retirar a vírgula e deixar o advérbio intercalado sem nenhum tipo de isolamento. 
Admito que é uma construção bem incomum e que facilmente derruba o aluno, pois estamos tendenciosos a olhar para o advérbio e querer isolá-lo com duas vírgulas ou retirar ambas. 
 
11) Ao mencionar o “que poderia ter sido” (l.31), a autora refere-se a uma vida de liberdade, na natureza, na qual, entre outras ações, os tigres-de-bengala poderiam caçar sua própria comida.
CORRETA. O último páragrafo deixa bem claro o conteúdo da assertiva: "Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos. Mas, nascidos em cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que nunca se tornará realidade. Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem sequer reconhecem as estrelas. Quando o Sol escorrega sobre a região metropolitana, são trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a caçadores que comem carne de cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a quem dorme enrodilhado, exilado não do que foi, mas do que poderia ter sido."
 
A autora cita diversas habilidades/qualidades dos tigres que não podem ser utilizadas devido ao confinamento no zoológico. Afirma inclusive que não adiantam as presas se eles comem carne de cavalo abatido em frigorífico e, por fim, que são exilados do que poderiam ter sido, ou seja, da liberdade que poderiam ter tido. Assim, é possível inferir tranquilamente que a autora refere-se a uma vida de liberdade na natureza em que eles poderiam utilizar as citadas presas para caçar a própria comida em vez de comerem carne de frigorífico.
 
12) Ao empregar o termo “nem sequer” (l.26), a autora reforça a contraposição entre adivinhar “as selvas úmidas da Ásia” (R. 25 e 26) e não reconhecer as estrelas.
CORRETA. Vejamos o trecho: Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem sequer reconhecem as estrelas. 
O contraste entre as ações (adivinhar as selvas úmidas e reconhecer as estrelas) é estabelecido pela conjunção "mas" (tipicamente adversativa) e reforçado pela expressão "nem sequer".
 
13) Considerando-se o emprego dos pronomes de tratamento na referida correspondência oficial, estaria correta a substituição do trecho Convido-o por Convido Vossa Excelência.
CORRETA. O pronome de tratamento "Vossa Excelência" é perfeitamente adequado ao cargo de Juiz.
 
14) O documento apresentado é um memorando, já que visa à comunicação interna ao Poder Judiciário, de modo que o assunto deveria suceder o vocativo.
INCORRETA. Muita atenção! Memorando não possui vocativo.
 
15) Caso o documento hipotético em questão tenha sido enviado pela Assessoria de Cerimonial da Presidência do Superior Tribunal Militar, no documento de confirmação enviado à autoridade emissora, deverá ser empregado o pronome de tratamento Vossa Senhoria. 
CORRETA. No caso, o documento de confirmação terá como destinatário a Assessoria de Cerimonial, ou seja, é correto o uso do pronome  de tratamento Vossa Senhoria, visto que "Vossa Excelência" é destinado apenas a cargos de alto escalão dos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo. 
 
16) A linguagem empregada no texto é inadequada à correspondência oficial, por sua informalidade e simplicidade
INCORRETA. Gente, o Manual de Redação da Presidência da República não exige linguagem rebuscada, na verdade ele até a condena, assim não podemos dizer que a linguagem do texto é inadequada por sua simplicidade.
 
"Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de expressão, desde que não seja confundida com pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios da língua literária."
 
Pronto, meus amados, mais uma prova corrigida!!
Um beijo grande, fiquem com Deus e até a próxima!
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