Petróleo barato pode causar terremoto geopolítico

por Leandro Signori em 15/01/2015

Neste mês de janeiro, a cotação do preço do barril de petróleo caiu para o seu menor valor em quase seis anos. Em oito meses, a queda é de 60%. Em junho de 2014, o barril custava US$ 107 e no dia 13 de janeiro estava em US$ 46,00. O motivo da queda é a oferta maior que a demanda, devido à estagnação da economia na Europa, à redução do crescimento da China e, sobretudo, ao aumento da produção nos EUA (óleo e gás de xisto) e Canadá (óleo de areias betuminosas).

Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de petróleo e até bem pouco tempo, também era o maior importador mundial do óleo. A viabilidade da exploração do xisto fez dos EUA o maior produtor mundial de petróleo e, em breve, poderá torná-lo exportador. Uma verdadeira revolução energética.

Petróleo mais barato impulsiona o crescimento mundial, ganham os grandes importadores, que liberam recursos para outros fins, tais como a China, o Japão, França e Alemanha. Por outro lado, perdem países muito dependentes das exportações de hidrocarbonetos, como Rússia, Venezuela e Nigéria. O meio ambiente também é um dos perdedores, pois, com óleo barato há menos incentivo para investir em fontes alternativas de energia, não poluentes e sustentáveis, o que é ruim para a política de contenção do aquecimento global.

Quando o preço do petróleo cai muito, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) – cartel que controla o preço do óleo – decide reduzir a produção para elevar o preço do produto. Ocorre que desta vez, a OPEP não tomou esta decisão. A estratégia do país que dá as cartas no cartel, a Arábia Saudita, foi manter o mesmo nível de produção mesmo com os preços em baixa.

A medida foi interpretada como uma tentativa de alijar novos produtores do mercado mundial. Um dos alvos seria a produção de óleo e gás de xisto dos EUA. Seria uma tentativa de criar dificuldades a expansão da produção norte-americana e evitar que o país se torne um grande exportador do óleo, disputando mercado com os atuais exportadores.

A Arábia Saudita produz cerca de 10 milhões de barris por dia, um terço do total da Opep, e pode tolerar baixos preços da commodity. O petróleo saudita apresenta o mais baixo custo de exploração no mundo: de US$ 5 a US$ 6 o barril. Com US$ 900 bilhões em reservas optou por não sacrificar a própria quota de mercado para restaurar o preço. A redução da produção, além de poder ocasionar perda de mercado, beneficiaria países com quem os árabes não possuem uma boa relação, Irã e Rússia.

Os árabes não estão nada satisfeitos com o crescimento da influência do Irã no Oriente Médio e é contra o acordo feito com potências ocidentais sobre o seu programa nuclear e o levantamento do bloqueio comercial ao país. O Irã depende do petróleo para financiar 50% do seu orçamento.

O PIB da Rússia quase não cresceu em 2014 e o país deve entrar em recessão econômica em 2015. As sanções econômicas impostas pela União Europeia e Estados Unidos estão afetando fortemente a economia russa. Metade do orçamento russo também é financiado pelas exportações de petróleo e gás. Os russos não contavam com essa queda vertiginosa dos preços.

A Venezuela é dona das maiores reservas de energia do mundo e o petróleo é responsável por 95% das suas exportações. Como o país depende exclusivamente do “ouro negro” para garantir as exportações, a queda nas cotações do petróleo já ameaça a frágil economia venezuelana. A Nigéria, maior economia africana, é outro perdedor, o país já teve que desvalorizar a sua moeda.

No caso do Brasil, a queda no preço do óleo pode ser nociva à Petrobras em longo prazo. A exploração do pré-sal pode ser prejudicada e tornar-se inviável se a queda for duradoura. Especialistas estimam que o custo médio de exploração é de US$ 45 o barril no pré-sal.

A Arábia Saudita mira nos Estados Unidos, mas, por caminhos transversais, o seu movimento enfraquece economicamente países politicamente opostos aos norte-americanos: Rússia, Irã e Venezuela.

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Bons estudos!
 
Prof. Leandro Signori
 
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