O futuro da OMC sob a liderança de Roberto Azevêdo

por André Nahon Góes em 09/05/2013
Os amantes do Comércio Internacional e, consequentemente, das Relações Internacionais acompanharam de perto o desdobrar dos últimos meses, pois esteve – e ainda está! - em jogo o destino do sistema multilateral do comércio. Não é exagero dizer que a expectativa é enorme, afinal, o novo diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) terá de “resgatar” a instituição, atualmente à deriva.

Roberto Azevêdo foi escolhido para assumir o comando da entidade. Diplomata de carreira, assumiu a chefia da missão brasileira na OMC em setembro de 2008, destacando-se, desde então, pela capacidade incomparável de negociar assuntos comerciais. Angariou aliados e respeito; pavimentou, disciplinadamente, a estrada que o levou à posição que ocupará, a partir de 01 de setembro.

A candidatura do brasileiro não foi unanimidade, nem poderia ser. O rival na última rodada do pleito, o mexicano Herminio Blanco, contou com o voto dos Estados Unidos, a campanha aberta de França e Inglaterra, além do apoio de boa parte do mundo desenvolvido. A surpresa (sic) foi o Paraguai, que foi contrário a Azevêdo: vedenta contra a suspensão do Mercosul?

Um parênteses. Se alguém tinha dúvida da efetividade da política externa do Brasil para a África, enaltecida e ampliada pelo governo Lula... a resposta não poderia ter vindo em tom mais esclarecedor. A contribuição mais incisiva veio dos parceiros de além-mar, confiantes de que o brasileiro não esquecerá os laços de amizade entre africanos e brasileiros. 

Em sua primeira coletiva de imprensa após a decisão, Roberto Azevêdo enfatizou alguns aspectos, aos quais deveremos estar atentos no futuro próximo. Reconheceu que a OMC está em “estado crítico”: mais importante do que “ter o que queremos, é salvarmos o que temos”. A Rodada Doha é prioridade absoluta, é o caminho para retirar a OMC da paralisia. Nesse esforço, a Reunião Ministerial de Bali, em dezembro de 2013, privilegiará a facilitação do comércio em agricultura e a promoção do desenvolvimento.

Uma coisa é certa, o perfil conciliador do novo diretor da Organização Mundial do Comércio será bem-vindo. A instituição encontra-se em um beco sem saída, verdadeiro estado de letargia. Azevêdo provavelmente será capaz de liderar os membros, reunindo opositores para debaterem a liberação do comércio, a despeito das incontáveis diferenças de interesses. Todavia, em qualquer negociação, são necessárias concessões; mas será que França e Itália, por exemplo, estão dispostas a escutar o argumento dos agricultores indianos?

Ao responder a pergunta de uma repórter, que desejava, na verdade, saber como Azevêdo cativaria os a audiência de Pequim, o novo Diretor-Geral da OMC deixou muito claro seu entendimento acerca da responsabilidade do cargo. Disse que a instituição tem importância para todos os cidadãos do mundo, estejam eles conscientes do fato ou não, e que isto vale também para os cidadãos chineses. Para o bom entendedor, pingo é letra: estamos todos no mesmo barco.

Veja o vídeo da coletiva de imprensa: http://www.youtube.com/watch?v=-RwM6Ihui84

Forte abraço, bons estudos!
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