Nigéria - Boko Haram, sequestro de meninas e economia

por Leandro Signori em 27/05/2014
A Nigéria ultrapassou a África do Sul como a maior economia africana. Trata-se de uma notícia importante, pouco explorada pela imprensa e que ainda não caiu nos concursos públicos. A notícia não é trivial, pois foi na condição de maior economia africana que a África do Sul passou a representar o continente africano no G-20 e tornou-se membro do grupo BRICS.
 
O país faz parte do MINT (México, Índia, Nigéria e Turquia), nova sigla criada por Jim O’Neill, que também criou a sigla BRIC.  O’Neill acredita que os países do MINT serão as próximas economias emergentes.
Desde 2006, a Nigéria cresce a taxas superiores a 6% ao ano — em 2013, a economia cresceu 12%. O primeiro africano a entrar no top 25 da lista de bilionários da revista “Forbes” é o nigeriano Aliko Dangote, com fortuna de US$ 24 bilhões.  
 
Porém, a Nigéria é um país de contrastes. A taxa de desemprego está acima dos 20% e cerca de 60% da população vivem com menos de US$ 1 por dia. Seu povo ainda é pobre e falta a muitos o acesso a serviços básicos como educação, saúde e saneamento. A infraestrutura do país é caótica e a corrupção está impregnada no setor público.
 
Quanto à religião, o país divide-se em cristãos, na metade sul e muçulmanos, na metade norte. É nesse cenário de contrastes e pobreza que nasceu, em 2002, o grupo fundamentalista islâmico Boko Haram. O grupo provocou uma indignação mundial no dia 14 de abril, quando sequestrou 276 estudantes do ensino médio no nordeste do país. A organização islamita ameaça casar à força essas adolescentes ou vendê-las como escravas.
 
Em haussa, idioma mais falado no norte da Nigéria, Boko Haram significa “educação ocidental é pecado”. O grupo se opõe à democracia, à educação ocidental, à educação das mulheres e à convivência pacífica entre muçulmanos e cristãos. Também prega a supremacia da cultura do Islã; tem como objetivo destituir o governo e impor a sharia (lei islâmica) na Nigéria.
 
O Boko Haram costuma matar qualquer um que critique os seus ideais, incluindo policiais, políticos, clérigos cristãos e de outras tradições muçulmanas. Atentados suicidas e ataques à bomba são frequentemente coordenados pelo grupo, assim como ataque a escolas, universidades, igrejas e aldeias suspeitas de colaborarem com o Exército. Reunião de cúpula realizada em Paris, no mês de maio, que reuniu França, Estados Unidos, Grã-Bretanha, União Europeia, Nigéria, Benin, Chade, Camarões e Níger, aprovou um plano de ação para lutar contra o grupo, acusado de 2.000 mortes apenas neste ano.
 
 
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