Iêmen: Estoura mais um conflito no Oriente Médio

por Leandro Signori em 29/03/2015
Olá Caros Alunos,
 
Estou voltando a fazer umas das coisas que mais gosto na atividade de professor de cursos para concursos. Escrever artigos sobre Geografia e fatos da atualidade. Passei uns meses sem publicar artigos, mas estou de volta. Viva!
 
Um dos meus temas preferidos é o mundo árabe e o Oriente Médio. Aliás, esses tópicos são fontes permanentes e inesgotáveis de assuntos para questões de Atualidades e Geografia. Com o surgimento e após as revoltas do mundo árabe em 2011, a região vive uma sucessão de conflitos armados, uns mais, outros menos regulares.
 
Dois grandes países disputam influência regional no Oriente Médio. De um lado, a Arábia Saudita, onde o governo e grande parte da população é sunita. Do outro lado, o Irã, onde o governo e grande parte da população são xiitas. Essa disputa se desdobra no apoio de ambos a sunitas ou xiitas em cada país. Exemplo é a Síria, onde o Irã apoia o ditador Assad, alauita (vertente do xiismo) e a Arábia Saudita, grupos rebeldes de orientação sunita.
 
Nos últimos dias ganhou dimensão o conflito no Iêmen, a nação mais pobre do mundo árabe. Foi um dos países onde ocorreram revoltas populares em 2011. Naquela ocasião as manifestações populares levaram a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, que estava há mais de 30 anos no poder. Para o seu lugar, os iemenitas elegeram, em 2012, Abdul Rahman Mansur al-Hadi.
 
Quase cem por cento da população do Iêmen é muçulmana (islamismo), a maioria são xiitas. O país mergulhou rapidamente num caldeirão violento, com uma mistura perigosa de interesses de rebeldes houthi xiitas, tribos sunitas, Arábia Saudita, Irã, Al-Qaeda e, agora, o grupo Estado Islâmico.
 
No sul do Iêmen, está baseada a Al Qaeda na Península Arábica (AQPA), atualmente o mais importante braço da rede terrorista fundada por Osama Bin Laden. A AQPA é combatida pelos Estados Unidos, que portanto tem grande interesse nos rumos políticos do país.
 
Os houthis são membros de um grupo rebelde, seguidores de uma versão do xiismo conhecida como zaidismo. Os zaidis governaram o norte do país por quase mil anos, até 1962. Esse grupo tomou o poder e Sanaa, a capital.
 
O presidente Hadi, fugiu e passou a governar o Iêmen da cidade portuária de Áden, onde se instalou com o parlamento. Ocorre que os houthis avançaram rapidamente para o sul do país, em direção a Áden, ameaçando tomar a cidade.
 
É aí que a Arábia Saudita entrou no conflito, liderando uma coalizão de dez países da região, e realizou ataques aéreos nos últimos dias a bases e instalações militares dos houthis. Os sauditas nem pensam na possibilidade de ter um governo aliado do Irã na fronteira sul do seu reino. Claro que o Irã condenou esses ataques.
 
Para complicar a situação, parece que o Estado Islâmico (EI) também chegou no Iêmen. O grupo extremista sunita reivindicou a autoria do recente atentado terrorista em duas mesquitas xiitas em Sanaa, que matou mais de 130 pessoas.
 
Ah, os houthis e o presidente deposto, Hadi, são inimigos da Al-Qaeda.
 
Por fim, no Iêmen está localizado o importante estreito de Bab al-Mandab, ligação marítima entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, por onde passa a maioria dos petroleiros do mundo. Há temores de que uma tomada de poder pelos houthis poderia ameaçar a viabilidade econômica do estreito.
 
Que caldeirão em pessoal! Fique atento na evolução dos acontecimentos, pois o conflito pode ser questão de Atualidades nos próximos concursos.
 
Bye,
 
Prof. Leandro Signori
 
 
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