Guerra na Síria completa 3 anos e leva país ao colapso total

por Leandro Signori em 15/03/2014

Olá pessoal,

Hoje trago artigo sobre um tema recorrente na disciplina de Atualidades nos concursos públicos e que continuará sendo nos próximos concursos. Trata-se da Guerra Civil da Síria, que completou três anos no dia 15 de março.

Boa leitura!

Prof. Leandro Signori

 
A Síria de hoje foi criada como mandato francês e obteve sua independência em 1946, como uma república parlamentar. O pós-independência foi instável e um grande número de golpes militares e tentativas de golpe sacudiram o país no período entre 1949 a 1970. No ano de 1970, o então Ministro da Defesa, o general Hafiz al-Assad, muçulmano alauita, dá um golpe de estado e toma o poder no país. No seu governo, ele proibiu a criação de partidos de oposição e a participação de qualquer candidato de oposição em uma eleição.
 
Para governar, Hafiz sela uma aliança com a maioria muçulmana sunita, garantindo prosperidade à elite de mercadores em troca de sustentação política. Obtém ainda o apoio da minoria cristã, ao oferecer-lhe proteção. A identidade secular do Estado, que oficialmente não adota nenhuma crença religiosa, afasta os confrontos.
 
Em 2000, com a morte do presidente Hafiz, o seu filho Bashar al-Assad assume o poder. O arranjo político de Hafiz começa a se desfazer gradualmente no governo do seu filho. As causas são a deterioração da economia, a partir de meados dos anos 1990, e a insatisfação dos sírios com a falta de liberdades e a supressão da dissidência.
 
As revoltas no mundo árabe chegam à Síria em março de 2011. A repressão violenta contra um protesto na cidade de Deraa, em 15 de março desse ano, estimula outras manifestações por democracia que se espalham pelo país. Os levantes são sufocados pelas Forças Armadas. Em agosto de 2011 é criado o Exército Livre da Síria (ELS), com base na Turquia, que dá início à luta armada contra o governo de Bashar al-Assad.
 
Um dos pontos altos da guerra se deu em 21 de agosto de 2013, quando um ataque químico - realizado nos arredores de Damasco e atribuído pela oposição e países ocidentais ao regime - deixou mais de 1.400 mortos. Apesar de toda a comoção e condenação internacional, um acordo entre Moscou e Washington cancelou qualquer tipo de ataque ocidental à Síria após Assad se comprometer a destruir suas armas químicas. Até agora, a Síria destruiu somente um terço de seu arsenal químico.
 
Nos primeiros meses da guerra civil, os rebeldes levaram vantagem no campo militar. A partir do início de 2013, com o auxílio do Irã e do Hezbollah libanês, o regime se reorganiza militarmente, equilibra as ações e parte para a ofensiva militar.
 
Mudanças no quadro de rebeldes também estão rompendo a rebelião. A oposição, dividida em grupos rivais, encontra cada vez mais dificuldades para atingir o objetivo de derrubar o governo de Bashar al-Assad. Os rebeldes - em sua maioria islamitas - e a Frente Al-Nusra - braço oficial da Al-Qaeda na Síria – enfrentam, desde janeiro de 2014, os jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e Levante, a quem acusam de brutalidade e de ter vontade de hegemonia.
 
Por enquanto, as negociações de paz, mediadas pela ONU, fracassaram. No Conselho de Segurança da ONU, Rússia e China, aliadas de Assad, vetam resoluções que impõem sanções ao regime. Sem perspectiva de solução a curto prazo, a população civil continuará sendo vítima de uma tragédia humanitária.
 
Desde o início da guerra civil, cerca de 4,5 milhões de pessoas foram deslocadas dentro da própria Síria. Outros 2,4 milhões de sírios abandonaram suas casas e se refugiaram em países vizinhos onde são frequentemente alvo de racismo e discriminação. Cerca de 1 milhão estão presos em áreas sitiadas ou onde a ajuda humanitária não consegue chegar.
 
Relatório divulgado em 10 de março de 2014 pela Unicef estima que 5,5 milhões de crianças tiveram suas vidas devastadas pela guerra. De acordo com o mesmo relatório, o número de refugiados sírios em países como Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e Egito deve alcançar, no fim de 2014, a marca de 4,1 milhões de pessoas. Outras 9,3 milhões precisarão de ajuda até o fim de 2015.
 
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, do início dos conflitos até março de 2014, mais de 140 mil pessoas já morreram. Entre os mortos estão mais de 7 mil crianças e 5 mil mulheres. Para a ONU, a guerra civil síria é o maior desastre humanitário desde o fim da Guerra Fria.
 
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