Como passei no ICMS SP após 7 anos sem estudar

por Vítor Menezes em 23/08/2016
Nesse artigo vou falar um pouco sobre minha aprovação no concurso do ICMS/SP de 2013, oportunidade em que já estava há 7 anos sem estudar para concursos públicos. Nosso foco será mostrar a importância de uma boa tática para o dia da prova, pois foi exatamente esse fator que me fez ser aprovado.
 
Minha época de concurseiro propriamente dita ocorreu de janeiro de 2004 a janeiro de 2006, quando prestei vários concursos, fui reprovado em 3 (ISS São Bernardo do Campo, técnico do MPU e perito da PF), e aprovado em 5 (analista do MPU, agente e escrivão da PF, fiscal do ICMS/MG - cargo que exerci por 1 ano e meio - e auditor do TCU - cargo que ocupo há mais de dez anos). Depois que passei no TCU, parei de estudar para concursos públicos.
 
Em 2013, eu estava a fim de sair da capital paulista e mudar para o interior, e decidi então prestar o concurso do ICMS/SP. Na época eu já dava aulas e já era servidor público, de modo que minha rotina diária já era muito puxada. Eu começo a trabalhar bem cedo, por volta das 5h30 ou 6h00 da manhã, e vou até as 19h00 mais ou menos. (Hoje em dia eu tenho tentado, com sucesso, me organizar melhor para começar um pouco mais cedo e terminar um pouco mais cedo. Motivo: meu filho nasceu e adora brincar!)
 
Então, à época, não foi possível encaixar na minha rotina uma preparação para esse concurso, tiver que ir lá com a minha bagagem de 7 anos antes. Evidentemente, nesses 7 anos eu não fiquei sem contato com as matérias, pois algumas delas fazem parte do meu dia a dia.
 
Exemplo: eu dou aula de exatas, então em matemática financeira, estatística e RL eu estava extremamente bem preparado. Segundo exemplo: eu leio e escrevo todos os dias - isso ajuda a encarar a prova de português. Vejo vídeos ou ouço músicas em inglês. Isso ajuda com a prova de inglês. No TCU, trabalho com temas de direito administrativo, o que ajuda muito na prova. Ou seja, 7 anos sem estudar para concurso não implica 7 anos com contato nulo com as matérias.
 
Com tudo isso eu quero dizer que:
  • é óbvio que eu tinha alguma bagagem anterior para poder passar naquele concurso
  • eu apenas não parei para me preparar para aquela prova, fui com minha bagagem do dia a dia mesmo, o que é claramente uma condição inferior à dos demais candidatos, que puderam de fato parar para se preparar para a prova
 
E mesmo com essa posição "inferior", eu fui lá e consegui minha aprovação. E, na minha opinião, um fator decisivo foi uma boa estratégia de provas para fazer a P1.
 
Nesse concurso do ICMS, houve três provas: P1, P2 e P3. As duas últimas contavam com 80 questões para 4 horas, sendo que cobravam predominantemente "direito". Já a P1 tinha 100 questões para as mesmas 4 horas, mas cobrando matérias muito mais trabalhosas, tais como:
  • português, inglês e raciocínio crítico: questões com textos grandes para serem interpretados
  • matemática financeira, estatística e economia: questões com cálculos, que podem tomar tempo
 
O gargalo era claramente a P1. E, de fato, se eu passei nesse concurso foi por conta da P1, pois muito candidato bem preparado foi eliminado nesta prova, já que não teve tempo de fazer o mínimo. Eu terminei a P1 com 1 hora de antecedência.
 
E como foi que, numa prova em que as pessoas mal têm tempo de terminar, eu conclui com tanta folga de tempo?
 
Basicamente foi por conta de três fatores, abaixo listados. É importante ressaltar que não tenho embasamento científico para afirmar nada do que vem a seguir, é tudo com base em minha experiência pessoal mesmo. Como prestei muitos concursos, pude testar um monte de coisas. Você analisa, veja se acha que faz sentido para você. Se sim, excelente, tente aplicar isso em casa antes de chegar no dia do concurso. Se não, tranquilo também, basta ignorar a informação.
 
Vamos aos três fatores:
 
1º: Iniciar pelas matérias em que você tem maior domínio.
 
Eu sempre inicio as provas pelas matérias em que tenho mais facilidade. No caso específico daquela P1, comecei por matemática financeira e estatística, matérias em que, de tanto eu resolver questão como professor, eu praticamente já nem preciso mais "pensar" - sai tudo no piloto automático. Isso dá uma acalmada no nervosismo eventualmente existente no começo da prova.
 
 
2) Deixar português e inglês para o final (obs: naquele concurso não havia mínimo por matéria)
 
Naquele concurso, não havia mínimo por matéria, mas sim por prova. Sem falar que todas as questões da P1 tinham o mesmo peso. Deste modo, eu deixei por último as questões das matérias mais demoradas, que no meu caso seriam inglês e português, por conta do tempo gasto na leitura dos textos.
 
O raciocínio é o seguinte. Suponha que o tempo que eu leve para resolver 1 questão de português seja o mesmo tempo que eu gaste para matar 5 de atualidades, justamente por conta da necessidade da leitura do texto. É muito melhor eu primeiro fazer essas 5 de atualidades, e já garantir logo esses 5 pontos, para só depois ir para aquela de português, concorda? Pois o tempo é meu recurso mais precioso ali na hora da prova, eu quero primeiro "comprar" as questões "mais baratas" (aquelas em que, com o mesmo tempo investido, dá para conseguir mais pontos).
 
Vamos jogar números para facilitar. Suponha que você consiga matar 1 questão de atualidades por minuto, mas gaste 5 minutos em cada questão de português. Faltam 5 minutos para terminar a prova, você ainda tem 5 questões de atualidades para fazer, mais 5 de português. O que você faria?
 
É óbvio que você atacaria as de atualidades, pois vai conseguir mais pontos. Atacando as 5 de atualidades, você joga fora apenas 5 pontos de português. Atacando 1 de português, você joga fora 9 pontos (5 de atualidades + 4 de português).
 
Deixando português e inglês para o final, eu sequer corro o risco de deixar muita questão sem terminar. Isso nunca vai ocorrer, pois as questões "baratas" eu já terei comprado todas.
 
 
Há ainda um segundo motivo para esta tática.
 
Muitas vezes não temos qualquer familiaridade com o tema do texto trazido pela prova de inglês ou de português. Ler e interpretar um negócio que a gente nunca viu na vida, justo no início da prova, momento no qual nosso cérebro ainda não "pegou no tranco", no qual ainda estamos ligeiramente nervosos, e sem a concentração ideal, isso não é muito proveitoso. O início da prova é o momento em que tenho mais dificuldade em me concentrar para interpretar com velocidade um texto inteiramente novo e grande. Não posso garantir que com você isso também ocorra, mas comigo é assim. A minha tendência é ler, não entender direito, precisar ler de novo, e com isso gastar ainda mais tempo com o texto.
 
Já deixando os textos para o "final", eu chego a eles no ritmo adequado de prova, com o cérebro a mil por hora, já familiarizado com a situação de estar lá prestando o concurso, mais concentrado. A leitura rende mais: não vou precisar ler a mesma coisa duas vezes, perdendo muito tempo. Pelo menos comigo é desta forma.
 
Quando eu digo que deixo para o "final", dá a impressão de que é para os minutos finais da prova. Não é! É para o final da fila, após eu já ter terminado todas as questões das demais matérias. Como as demais matérias são mais "baratas", a gente termina bem rápido, vai dar para chegar em português e inglês ainda faltando bastante tempo para o fim da prova.
 
(Observação: é bem provável que muitos alunos tenham extrema dificuldade em matemática. Aí, na hora de adaptar isso ao seu perfil, talvez seja o caso de por matemática no fim da fila, e não português/inglês. Enfim, isso é algo muito pessoal, entenda a ideia geral e adapte para o seu caso particular, da forma que você achar melhor).
 
(Observação 2: evidentemente um concurso com mínimo por matéria e/ou com pesos diferentes para questões constantes de uma mesma prova exigiria uma estratégia diferente. Tudo se resume a esmiuçar a regra do jogo e usar o regulamento ao seu favor.)
 
 
3) Antes de ler os textos, eu leio as alternativas
 
Isso aqui requer um pouco de treino, e você pode fazer isso em casa com as questões do TEC. Antes de ler os textos de inglês e português, primeiro leia a alternativa. Assim, você pode apenas "escanear" o texto atrás da parte que responde àquela alternativa. No vídeo abaixo eu mostro um exemplo real de como fazer isso, retirado justamente da primeira questão de português deste concurso do ICMS/SP.
 
Fazendo desta forma, ainda que você decida de fato ler o texto inteiro, ao menos você já lê sabendo onde o examinador vai "bater", você já lê procurando pelas respostas.
 
E em muitos casos você nem precisará de fato ler o texto inteiro. Muitas vezes só lendo alguns trechos você já mata a questão. Dois exemplos bem marcantes:
 
3.1) Quando a questão isola uma frase ou trecho do texto, e faz afirmações sobre ela. Nesse caso, basta ler essa frase para conseguir analisar com segurança todas as alternativas.
 
3.2) Quando a questão é de interpretação de textos e você já sabe algo sobre o tema.
 
Isso aqui eu não sabia à época daquele concurso, só fui descobrir depois que li o livro "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", do Olavo de Carvalho, e é algo muito útil. A nossa mídia é praticamente inteira de esquerda. As provas de concursos, por sua vez, cobram textos extraídos de jornais. Logo, é extremamente frequente que questões de interpretação de textos, seja de inglês ou português, tragam textos "esquerdistas". Isso é muito comum tanto em provas de vestibular, quanto ENEM, quanto em concursos. Se você já souber de antemão qual a opinião de esquerda sobre determinado assunto, você nem precisa ler o texto para saber a resposta "certa" (ou seja, o gabarito da banca).
 
Exemplos:
  • "Minorias": as minorias são sempre vitimizadas, e os grupos ativistas que as "defendem" sempre têm razão em tudo (monopólio da virtude).
  • Globalismo: pode esperar daqui para frente questões cujo gabarito seja no sentido de que a Inglaterra é o país mais malvado do mundo (logo após EUA e Israel), por ter tido a ousadia de ter saído da UE, que por sua vez é o paraíso na Terra. Temas falando que os ingleses só olham para o próprio umbigo, ou que a votação não valeu, ou que só os jovens deveriam ter votado são bem prováveis
  • Relativização de pedofilia (o pedófilo não é criminoso, só precisa de tratamento)
  • Desconstituição do casamento e da família (a "nova família", direitos civis para "casamentos" de 3 pessoas, etc etc)
  • Vitimização dos assalariados: mais regulação, mais direitos trabalhistas
  • Ideologia de gênero (lembram do famoso "a mulher não nasce mulher, ela torna-se mulher"?)
 
E por aí vai, a listagem acima é só exemplificativa.
 
É "batata" esse tipo de coisa ser cobrada em sua prova. Se você acompanhar um mínimo de política, pronto, muitos textos sequer precisarão ser lidos. Isso vale também para provas de atualidades, geografia e história. Isso facilita até mesmo a compreensão de vários temas de "direito", já que várias das leis e decisões judiciais são emitidas por conta de alinhamento com a esquerda.
 
No vídeo abaixo eu trago alguns casos práticos para vermos como isso funciona.
 
Um abraço e bons estudos!
 
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