Como fui aprovado em 6 concursos

por Vítor Menezes em 29/10/2018
[Artigo atualizado em 29/10/2018, com links para novos vídeos]
 
Olá pessoal!
 
Antes de mais nada, deixa eu falar bem rápido sobre minha trajetória no mundo dos concursos públicos. Fui aprovado nos concursos de Analista do MPU, Agente da Polícia Federal, Escrivão da Polícia Federal, Fiscal do ICMS/MG, Auditor do TCU e Fiscal do ICMS SP.
 
Uma característica marcante nessas aprovações foi o (relativamente) pouco tempo de estudo antes de cada prova. Quando passei no MPU eu estava com 6 meses de estudo, e meu foco nem era MPU, eu estudava na verdade para a área fiscal. A prova foi no começo de julho de 2004, e eu começara a estudar em janeiro daquele mesmo ano. 
 
Pouco tempo depois fiz três concursos da PF: agente, escrivão e perito - tendo conseguido aprovação nos dois primeiros (acredite, meu foco ainda era área fiscal!). 
 
Em outubro daquele ano passei no ICMS/MG (na verdade a prova foi em outubro, mas a posse só ocorreu em fevereiro de 2005). Depois parei de estudar, e só retomei a labuta por volta de junho de 2005, visando a Receita Federal. Em dezembro saiu o edital do TCU, resolvi abandonar o projeto fiscal e, no curto tempo entre edital e prova, saí devorando as matérias específicas da área de controle, com as quais nunca tivera contato: controle externo, contabilidade pública, regimento interno, administração financeira e orçamentária etc. Deu certo, fui aprovado, lá no finalzão da lista, mas entrei. 
 
Parei de estudar, já decidido a não mais prestar concursos, pois estava (e estou!) satisfeito no TCU. 
 
No entanto, em 2013 saiu o edital do ICMS SP, e eu estava querendo sair da capital paulista. Nesta época não tinha mais tempo de estudar para concursos, pois, além do trabalho no TCU, já tinha um monte de aulas para dar. Sem falar que estávamos no começo do TEC, e, com o site ainda bem enxuto, era eu mesmo quem recebia os reportes de questões "desatualizadas". Eu recebia a mensagem, estudava brevemente aquele ponto da matéria, e concluía sobre a atualização ou não da questão. Por incrível que pareça, esse acabou sendo meu estudo para o ICMS SP, e foi com isso que consegui mais uma aprovação.
 
Todas estas aprovações têm uma característica em comum: sucesso em relativamente pouco tempo. E todas elas contaram com a mesma estratégia: uso inteligente de questões de provas anteriores.
 
Eu vejo muita gente deixando de lado questões de provas anteriores, achando que só depois de estar muito bem na parte teórica é que se deve partir para questões. Isso é um grande equívoco
 
E pior: tais pessoas, quando finalmente partem para a resolução de questões de provas anteriores, se preocupam apenas com "quantos por cento eu acertei". Acredite: isso até pode ser importante, mas há muita coisa mais relevante que isso.
 
Eu vejo as coisas de forma totalmente diferente. 
 
Antes de mais nada, as questões de provas anteriores vão servir para que eu complete lacunas do meu conhecimento. Quando estudo um material teórico, eu tento me ater apenas ao cerne, à sua lógica básica. Deixo para me preocupar com detalhes diretamente nas questões. Isso torna o estudo mais dinâmico, mais rápido e mais interessante. Para mim isso é a coisa mais importante no estudo, e, se eu tivesse que apontar um item chave para as minhas sucessivas aprovações, seria isso. 
 
Consegue perceber o quanto isso torna o estudo mais proveitoso?
 
Vejo hoje muita gente focada em métodos e mais métodos de memorização, como se decoreba e memorização fossem a chave da aprovação. Memorizar é relevante, claro que é, mas não pode ser seu carro chefe. A preocupação inicial tem que ser com o entendimento da lógica de cada pedaço da matéria. Grande parte da memorização virá naturalmente com a própria resolução de questões de provas anteriores. 
 
E aqui já entramos no segundo aspecto: questões de provas anteriores direcionam meu estudo - são elas quem vão me mostrar o que é importante (porque cai mais), o que não é tão importante (porque quase nunca cai), e, nesse processo, de quebra, ainda vão me ajudar a memorizar o que é relevante.
 
Só depois disso é que eu me preocupo em usar questões para simular provas, controlando finalmente o percentual de acertos. 
 
No vídeo abaixo eu dou alguns exemplos práticos de como aplicar isso no dia a dia. O vídeo é dividido em partes. Na primeira parte eu tento deixar bem claro algo que muita gente demora a perceber: questões de concurso público se repetem aos montes. É exatamente por isso que não há nada mais efetivo do que usar questões de provas anteriores para estudar.
 
Na segunda parte, eu de fato dou um exemplo de como eu estudaria um determinado assunto.
 
Espero que o vídeo seja útil.
 

 
 
 
Observações: tenho recebido algumas mensagens por e-mail, para tirar dúvidas sobre o conteúdo do vídeo acima. À medida que forem chegando, vou adicionando as respostas aqui abaixo. 
 
0) Cuidado para não interpretar incorretamente este artigo
 
Em momento algum eu prego que se abandonem os materiais teóricos. Aliás, em situações muito específicas, de estudo pós edital, até falo para fazer isso, mas aí é exceção (vide artigo específico aqui). Também falo um pouco mais sobre isso no item 5 logo abaixo.
 
Tirando casos excepcionais, você vai estudar normalmente o material teórico. O que eu estou sugerindo neste artigo é o seguinte:
 
1) a primeira coisa que você fará é estudar o material teórico. Com um detalhe. No primeiro contato com a matéria, procure se concentrar na lógica básica, no cerne, no essencial de cada tópico
 
2) em seguida, já parta logo para as questões, para ver como aquilo é cobrado. Deixe que as questões te digam quais outros detalhes de teoria devem ser estudados mais a fundo. Sempre que perceber lacunas de conhecimento, volte na teoria para suprí-las
 
3) com o passar do tempo, você naturalmente ficará só resolvendo questões, pois precisará voltar cada vez menos ao material teórico. Aqui a meta é virar uma máquina de moer questão.
 
Resumindo: no primeiro contato, preocupe-se com a essência de cada tópico e só isso. Não já comece encarando uma aula se preocupando em decorar todos os detalhes, todas as regras, todas as exceções, isso só vai tornar o estudo chato, cansativo e demorado. Deixe as questões te mostrarem exatamente quais daqueles detalhes/regras/exceções são de fato cobrados, para aí sim, com base numa necessidade prática de resolução de questões, você concentrar seus esforços.
 
Exemplo: aula de licitações.
 
Saia da aula sabendo o que é uma licitação, para que serve, o funcionamento básico (exemplo: define-se a necessidade de contratação, faz o projeto, lança o edital, analisa se as empresas foram habilitadas, julga, homologa, contrata). Saiba que há casos em que a licitação é dispensada (e entenda o conceito de dispensa). Saiba que há casos em que é inexigível (e entenda o conceito de inexigibilidade).
 
Mas não tente já de cara sair decorando todos os casos de dispensa/inexigibilidade. Não tente sair decorando todos os prazos. Não tente sair decorando todas as regras de habilitação. Isso tudo é acessório, não é essencial. Você só vai se preocupar com essas coisas se as questões de prova te mostrarem que é de fato cobrado, entendeu?
 
Fiz questão de colocar essa passagem porque tenho recebido muitas mensagens de gente perguntando se dá para usar esta metodologia logo no início dos estudos. O fato de a pessoa estar perguntando isso mostra que ela está pensando em abandonar teoria e só resolver questões, o que não tem nada a ver com o que foi abordado neste artigo.
 
 
1) Devo parar de usar mapas mentais, resumos e outros métodos de memorização?
 
R: Não, de modo algum. O que eu disse acima é que memorização não pode ser o seu carro chefe. Mas memorizar é sim importante!
 
Se você usa, por exemplo, mapas mentais, e gosta, e tem resultados, continue usando!
 
Só o que eu disse foi que, em primeiro lugar, antes de sair simplesmente memorizando/decorando, você primeiro tem que tentar entender aquilo que é possível ser entendido. O entendimento, a compreensão, isso tem que ser seu carro chefe. 
 
Nas minhas matérias isso é marcante. Se um aluno tentar ir para a prova simplesmente tendo decorado todas as fórmulas de estatística, esse aluno "está morto", qualquer pegadinha mínima que seja vai derrubá-lo. Ele até pode ter decorado as fórmulas (aliás, deve!), mas antes disso ele teria que ter entendido a lógica de cada fórmula, saber para que ela serve, qual seu intuito, ter uma breve noção de onde ela vem. Quando a gente entende as fórmulas, precisamos de muito menos decoreba, porque grande parte delas é sim intuitiva. Não é à toa que nas minhas aulas aqui no TEC eu "gasto saliva" sempre tentando dar uma noção intuitiva de cada fórmula. Aquilo não está ali como "floreado", só para "fazer bonito", pelo contrário, eu acho que é uma das partes mais importantes da aula.
 
Nos direitos é a mesma coisa. Claro que existem regras aparentemente malucas, e arbitrárias. Mas muita coisa tem uma lógica, ainda que seja uma lógica ruim (lembrem-se de que leis são fruto de jogos de poder entre Executivo, sua base aliada, oposição, opinião pública, etc).
 
Vou dar um exemplo. Quando eu fui estudar pela primeira vez o tal do "pregão", achei interessante o fato de ele não ser aplicável a obras e serviços de engenharia (Decreto 3.555/2000). Naquela época o decreto ainda era relativamente recente, a jurisprudência atual ainda não existia. Na minha cabeça, a única lógica para haver essa exceção não devia ser lá muito nobre. Todo mundo sabe que, em qualquer governo, de qualquer partido, um dos maiores ralos de dinheiro sempre foi obra pública. Empreiteiras devem ter um baita lobby junto ao Executivo. "Essa exceção só pode ser fruto de lobby", pensei. Nunca pesquisei para saber se a razão foi essa mesmo, ou se houve algum outro motivo para a exceção, mas esta foi a lógica que eu consegui achar na época, e, sim, ela me ajudou a resolver as questões, então foi útil, cumpriu seu papel. 
 
O que dizer então de gramática? Há quem decore, por exemplo, todos os casos de crase. Mas precisava mesmo disso? Entender a lógica é muito melhor, já resolve a imensa maioria dos casos. Na situação mais frequente, temos que estar diante da exigência do artigo feminino "a" e da preposição "a", e pronto, acabou, sem "macete", sem fichas, sem mapas. 
 
Segundo: eu ainda acho que a melhor forma de memorizar é resolvendo questões. Mas nada impede que você complemente com outros métodos.
 
Você gosta de fazer resumos? Ótimo, faça resumos! Se dá resultado para você, continue fazendo.
 
O problema surge quando você deixa o principal de lado e foca só no acessório. Entre um candidato que resolveu milhares de questões e não fez nenhum mapa mental, e outro que faz centenas de mapas mentais, mas não resolveu uma questão sequer, eu apostaria no primeiro.  
 
2) Em provas de peso como AFRFB também há repeteco de questões?
 
Sim! Veja que no vídeo eu já usei exemplos de concursos de peso, com provas de mesmo nível do AFRFB. 
 
Salvo engano fui eu quem comentou 100% das questões de exatas do AFRFB que estão no site do TEC. Temos todas as provas desde 1996 resolvidas. Tem um monte de questão repeteco lá no meio. Consigo pegar um tipo de questão de lógica de argumentação e listar, digamos, umas 10 questões da Esaf repetidas, envolvendo inúmeros concursos, incluindo Receita Federal. Idem para questões de medidas de posição. E por aí vai. E olha que Esaf nem é uma banca que faz tanto concurso assim (com menos questões, fica mais difícil achar sequências muito grandes de repeteco). 
 
Como exemplo, vejam essa sequência de 19 questões Esaf (sendo 2 retiradas do AFRFB) e me digam se não são todas muito parecidas:
 
 
Um dos caras mais incríveis que já passou pelo AFRFB foi o Deme, ele foi o 1º colocado geral em 2005. Naquele ano, ele tirou a maior nota da história da Receita (não sei se de lá para cá alguém o superou). Há uma entrevista dele, histórica, dada ao Vicente Paulo. Observem esse trecho:
 
Isso é o que considero mais importante na hora da prova: ter muita velocidade, agilidade para resolver os testes e ter feito infinitas vezes exercícios parecidos com as questões que forem cobradas. Só para mostrar como esse tipo de estudo foi importante: quando fiz a prova de direito administrativo de AFRF, lembro que eu tive a sensação de que já sabia a resposta de várias questões sem nem precisar ler as perguntas até o final. Depois, quando cheguei em casa, comparei essa prova de AFRF com as provas antigas da ESAF que eu tinha feito e vi que, daquelas 20 questões, 16 delas tinham sido copiadas de provas antigas, de forma literal. E eu acertei todas, pois como já tinha feito essas provas várias vezes eu sabia exatamente quais eram as respostas. 
 
3) Como fazer as anotações dos pontos importantes tratados em cada questão?
 
Embora minha aprovação mais recente tenha sido em 2013, ela foi bem atípica.
 
Então vou falar da minha época de concurseiro de fato, lá em 2004 e 2005, quando ainda não havia sites ou sistemas de questões. O que eu fazia era o seguinte. Eu baixava provas em PDF do site Pci Concursos. Só enunciado e gabarito, não tínhamos esse "luxo" de comentário do professor. E resolvia, ou na própria tela do computador (sobretudo provas de Direito), ou imprimia para resolver no papel (caso de provas de contabilidade - à época as questões exigiam mais contas do que ocorre nas provas atuais, em que já há uma presença maior de questões explorando apenas a parte teórica dos CPCs). 
 
Sempre que eu errava algo, eu procurava entender exatamente o motivo do meu erro. Sempre que ficava em dúvida, procurava entender o motivo da dúvida. 
 
A matéria em que tive mais dificuldade foi Contabilidade. Para esta matéria, eu reservei um "cadernão", em que ia resolvendo todas as questões. Toda vez que eu cometia um erro, procurava entender onde tinha errado, por que tinha errado, e deixava isso registrado. Eu fazia uma explicação curta, junto da resolução, para que, quando fosse revisar as questões, eu batesse o olho e lembrasse que tinha errado por causa disso, disso e daquilo. 
 
Outra coisa marcante: eu nunca apagava uma solução errada. 
 
Se eu resolvesse a primeira vez e errasse, eu passava um traço e resolvia novamente. Se errasse a segunda vez, passava um traço e resolvia de novo embaixo. Até conseguir acertar ou achar a resolução em algum lugar da internet. Aí eu voltava em todas as resoluções incorretas e apontava exatamente qual tinha sido o erro.
 
Eu nunca achei ruim errar questões, nunca me preocupei com isso. Minha preocupação maior era nunca repetir um erro. 
 
Se fosse estudar hoje, eu faria esse registro no campo de "anotações da questão", que há no próprio sistema do TEC. Questões que eu errasse seriam favoritadas, e receberiam suas anotações. Depois, na hora de revisar, bastaria gerar um caderno de favoritas, separado por assunto, ou por matéria. (Obs: é possível também usar os filtros de "remover as que eu acertei", "remover as que errei", etc)
 
Para matérias que exigem contas, eu acho que, além do registro no sistema, continuaria usando o "cadernão", pois acho legal ter todo o histórico da resolução anterior, todo o passo a passo, para poder apontar exatamente em que etapa do cálculo o erro ocorreu. 
 
4) Possuo uma planilha em que faço o controle das minhas revisões teóricas e de exercícios, o que está me deixando louca, pois as revisões estão me tomando um tempo ABSURDO. Pergunto: É aconselhável as revisões apenas através de execícios?
 
Aqui temos duas coisas: revisões com questões e revisões teóricas.
 
Esse "lance" de revisões teóricas em tempos regulares, aparentemente, surgiu de um estudo de Hermann Ebbinghaus (1885), de onde saiu a curva do esquecimento. Por esta curva, se você ficar mais de 24 horas sem revisar uma determinada matéria, você vai esquecer uma grande parcela do que tinha estudado. Se ficar 7 dias, vai esquecer quase tudo. Por isso você precisa revisar tudo com 24 horas, depois com 7 dias, 30 dias, e por aí vai. 
 
Bem, eu particularmente nunca usei nada disso para ser aprovado em lugar algum. O que por si só não prova nada, afinal, mesmo que tal método eventualmente garanta uma melhor preparação, eu posso ter dado sorte de meus concorrentes também não o terem utilizado... aí ele não terá feito diferença, concorda? laugh
 
Mas eu admito que tenho um certo "pé atrás" em relação a esta curva do esquecimento.
 
Dando uma rápida consultada na internet, achei este site aqui, que parece conter o estudo original do Sr. Ebbinghaus:
 
 
Se for isso mesmo, o estudo dele tomou como partida apenas "memorização" (e não a compreensão), utilizando-se de sequências de sílabas sem sentido, que deveriam ser gravadas.
 
Oras, decorar uma coleção de sílabas sem sentido é muito diferente de você estudar uma matéria que pode ser compreendida. 
 
Eu lembro da primeira vez em que meu professor de matemática me apresentou a ideia intuitiva da fórmula da soma dos infinitos termos de uma PG (aquela com primeiro termo positivo e razão entre 0 e 1). Até hoje eu lembro dele fazendo no quadro o desenho de um quadrado de lado 1. O quadrado era dividido em dois retângulos de área 0,5. Um dos retângulos era dividido em dois ainda menores. E assim por diante. E depois, somando todas as infinitas áreas, era óbvio que chegaríamos à área total igual a 1.
 
Eu não precisei rever essa aula depois de 24 horas, ou depois de 7 dias, bastou uma vez e eu não esqueci nunca mais, porque é algo que faz sentido, tem lógica. 
 
(Diga-se de passagem, resolvi "1 tonelada" de questões de PG na época do ensino médio. Isso sim deu uma baita convicção para encarar os vestibulares)
 
Aposto que você também dispõe de seus próprios exemplos, de coisas que você nunca mais esqueceu. 
 
Óbvio que há coisas que têm sentido, têm lógica, e a gente vai esquecer mesmo assim. Mas não acredito que seja de forma tão rápida quanto é pregada por esta curva do esquecimento, porque ela foi montada para uma finalidade diferente (memorização de conjuntos de silabas sem sentido). E não acho que reler o mesmo texto várias vezes seja a forma adequada de fazer revisão. Pense só, tentar levar 15 - 20 matérias de um edital de um grande concurso, e ainda tendo que revisar cada item várias vezes.....
 
É claro que revisar é importante, é claro que nós esquecemos de informações. Mas ainda penso que o melhor remédio para isso é ir direto para a prática - resolver uma dose cavalar de exercícios de provas anteriores. Se as questões me mostrarem que estou com alguma lacuna teórica, só aí eu volto na teoria e consulto, de forma pontual, o tema relacionado à dúvida. 
 
Eu só revisaria direto o material teórico se não houvesse questões disponíveis (exemplo: nova lei que acabou de ser publicada, e ainda não foi cobrada em prova). 
 
Outro aspecto é que eu não "boto fé" em nada que dependa de controle rigoroso de horários, algo do tipo: estuda X horas, descansa X minutos, passam 24 horas, revisa 10 minutos, passam exatamente 7 dias, revisa X minutos, etc. Nunca consegui levar adiante nada que dependesse de um planejamento quase "robótico", então eu nem tento. Acho mais palpável trabalhar de forma mais maleável (já ouviu falar do "Scrum"? - acho que a filosofia dos caras tem muita coisa bacana - embora seja voltada para trabalho em equipe e o estudo para concursos seja algo "solitário")
 
Sei que essa minha crítica ao "método das revisões", que prega revisões teóricas fixas com 24h, 7 dias, 30 dias, etc, vai encontrar muitos "opositores", pois hoje ela é extremamente disseminada. E quem sou eu para me proclamar "dono da verdade"?
 
Então interprete esse texto como mais uma sugestão de forma de estudo. Você testa se quiser, e escolhe aquilo que fizer sentido para você. Quem vai sentar para estudar é você, quem vai prestar o concurso é você, então é importante você se envolver de forma ativa e crítica na definição do método de estudo. 
 
5) Primeiro estudo a teoria ou já poderia ir tentando fazer as questões por assunto do Edital e aprendendo com erros das questões?
 
Em geral, eu particularmente prefiro primeiro ver a teoria, e depois ir para as questões. 
 
Mas também temos que ser realistas. 
 
Se houver tempo, se você estiver estudando muito antes de abrir o edital, blz, é viável primeiro estudar a teoria. 
 
Mas se você começou meio em cima da hora, e não tiver tempo de estudar tudo, aí você precisa de uma estratégia de priorização. Nessa hora vale jogar com o "regulamento de baixo do braço" e, se for o caso, em algumas matérias, partir direto para questões mesmo. 
 
Eu adotei essa tática quando ajudei minha esposa a passar no ICMS SP 2013. No dia que saiu o edital ela não tinha sequer começado a estudar inúmeras matérias, entre elas a principal: legislação tributária. Sentei com ela, priorizamos matérias, definimos o que ela iria estudar só por questões, o que simplesmente não iria estudar, e o que ia estudar teoria + questões. Deu certo, ela passou lá no finalzão, mas foi aprovada dentro do número de vagas. 
 
Então tudo depende do contexto. Se precisar jogar com o regulamento, jogue! 
 
Outro cenário em que dá para partir direto para questões ocorre quando já temos uma certa familiaridade com a matéria. Eu nunca estudei português para concursos, porque já era uma matéria que eu havia encarado na época dos vestibulares. Achei que era mais que suficiente partir direto para questões, e foi isso que fiz. Faria o mesmo com inglês. 
 
Resumindo: se você achar que dá para ir direto para questões, e estiver tendo resultados com isso, vá em frente! O importante é sempre ser honesto consigo mesmo, e avaliar criticamente o seu progresso. 
 
6) Acabei de começar a estudar. Já devo resolver questões? E se o material já vier com questões no fim de cada capítulo, somente estas são suficientes?
 
Sim, é importante resolver questões desde o começo dos estudos. Nesta fase as questões vão te permitir de fato entender os detalhes da matéria. A ideia aqui é fazer menos questões, mas com qualidade, procurando entender todos os aspectos de cada uma delas.
 
Deste modo, se o seu material já vier com uma quantidade boa de questões comentadas, pode sim ser possível se ater apenas a elas.
 
Se não vier, aí já é interessante sim buscar uma ferramenta de questões.
 
Note que isso varia inclusive de matéria para matéria. Pode ser que você estude português por um livro que já tenha muitas questões comentadas. Assim, para esta matéria, o início dos estudos pode ficar totalmente restrito a esse livro/curso. Já numa segunda matéria, digamos, direito tributário, pode ocorrer de seu material não contemplar questões comentadas. Aí seria bom sim você vir ao TEC (ou, se preferir comprar livros de questões comentadas, blz, mas é importante sim já ter contato com questões resolvidas de provas anteriores, desde o começo).
 
Se vier ao TEC, a dica é ir filtrando por assunto, para resolver as questões do assunto correspondente ao livro/curso que você esteja usando. Se estiver estudando pelo próprio material teórico do TEC, o link teoria/questões é feito dentro do próprio site.
 
Não tenho quantidade "mágica" ou "ideal" de questões por tema. Aqui o papel das questões é te ajudar a compreender a matéria. Atingido este objetivo, ótimo, independente se você precisou de 10 questões por tema, 20, 30 ou qualquer outra quantidade.
 
Vou dar um exemplo de matemática financeira. Com exatamente 6 questões por mim elaboradas eu consigo mostrar todas as possíveis cobranças de questões de prova acerca do tema "juros compostos". Se um aluno resolver essas 6 questões detalhadamente, com calma, buscando entender todos os detalhes, pronto, ele entendeu 100% do que haveria para ser entendido na matéria. Veja que o foco aqui não é quantidade, é qualidade.
 
Com o passar do tempo, você vai naturalmente largando os livros / cursos teóricos de lado, e vai ficando cada vez mais tempo só resolvendo questão. Aí é inevitável partir para uma ferramenta de questões, para atacar todas as matérias. É a hora de vir ao TEC e não resolver só 6 questões de juros compostos, sim resolver tudo quanto é questão que aparecer na sua frente. Pois você precisa virar um robô, uma máquina de moer questão, ou seja, resolver e resolver rápido. E isso só se consegue praticando muito.
 
Então veja que são duas fases distintas:
  • de início, preocupe-se em resolver com muita calma, entendendo todos os detalhes (resolver com muita qualidade. isso naturalmente vai fazer com que se resolvam poucas questões). É como numa academia de ginástica, você não chega já levantando um milhão de kg, você chega fazendo um condicionamento físico básico, em seções mais leves mesmo.
  • com o passar do tempo, naturalmente você vai deixando livros e cursos de lado, e focando só em questões. Aqui é a hora de resolver questões em volume, para ganhar ritmo de prova, ganhar velocidade.
 
 
7) Novos vídeos:
 
Série com 18 vídeos sobre preparação para concursos públicos:
 
https://www.youtube.com/watch?v=x5Q-Qj-Vi-g&list=PLV-jhATSZyAbkrKcsdgXKxeIXqDLUbaQ2
 
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