China - Os 25 anos do massacre da Praça da Paz Celestial

por Leandro Signori em 03/06/2014
O episódio que ficou conhecido como o massacre da Praça da Paz Celestial refere-se ao desfecho de uma série de manifestações ocorridas entre 15 de abril a 4 de junho de 1989 em Pequim, capital chinesa. Neste período, manifestantes (em torno de cem mil), sobretudo estudantes universitários, intelectuais e trabalhadores acamparam na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) com o objetivo de reivindicar maior liberdade política.
 
Os protestos por reformas no regime chinês têm sua origem na exoneração de Hu Yaobang de seu cargo de secretário geral do Partido Comunista chinês por Deng Xiaoping, por ser considerado um liberal reformista. Ao mesmo tempo em que os regimes socialistas enfrentavam os protestos populares, principalmente na União Soviética e no leste europeu, em abril de 1989 morre Hu Yaobang, e durante o seu funeral, estudantes se reúnem na Praça da Paz Celestial reivindicando um encontro com o primeiro-ministro Li Peng. O pedido não é aceito e os estudantes decidem iniciar uma greve nas universidades da capital chinesa. Os protestos acabaram por atrair operários, camponeses e cidadãos comuns, no que se transforma em um movimento por maior liberdade de expressão dentro do país, bem como melhorias nas condições de vida e fim da corrupção.
 
Em 20 de maio, o governo declarou a lei marcial e, na noite de 3 de junho, o exército reprime violentamente os protestos. Os tanques invadiram a praça, atropelaram os manifestantes e atiraram em tudo o que se movia, promovendo um verdadeiro banho de sangue. Até hoje, não se sabe o número exato de mortos, calculado entre dois e cinco mil pessoas. Os sobreviventes foram perseguidos e presos, e até hoje, o tema é proibido na sociedade chinesa.
 
Durante a repressão aos protestos, um jovem solitário e desarmado invade a Praça da Paz Celestial e anonimamente faz parar uma fileira de tanques de guerra. O rapaz, que ficou conhecido como "o rebelde desconhecido" ou o homem dos tanques" foi eleito pela revista Time como uma das pessoas mais influentes do século XX. Sua identidade e seu paradeiro são desconhecidos até hoje.
 
 
 
“O rebelde desconhecido” para a coluna de tanques de guerra
 
 
Os protestos de Pequim fazem parte do movimento que varreu todo o mundo socialista no final da década de 1980 e que resultou no colapso da maioria dos governos do bloco socialista. Alguns poucos regimes, entre eles o chinês, sobreviveram a esta época de mudanças radicais, mas não sem alterações na sua política chamada "linha dura", de antagonismo ao mundo capitalista. De fato, a China começou a investir a partir destes protestos numa política de abertura de sua sociedade e economia, apesar de haver até hoje ainda um controle estatal à mídia e à influência cultural externa.
 
Nesses 25 anos, apesar da economia chinesa ter dado um salto fantástico, a repressão política e a censura, bem como o desrespeito aos direitos humanos são ainda negligenciadas pelo partido comunista no poder desde 1949.
 
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