Atualidades - Eleições na América Latina

por Leandro Signori em 08/12/2014
Olá caros alunos,
 
O ano de 2014 foi pródigo em eleições na América Latina, com a realização de pleitos presidenciais em sete países. Os resultados das eleições, confirmaram a continuidade da onda vermelha, iniciada no final da década de 1990, quando vários governantes de esquerda chegaram ao poder na América Latina.
 
Vou aproveitar e fazer uma rápida análise do quadro eleitoral e da atual situação da região.
 
A América Latina apresenta a maior desigualdade de renda na população entre todas as regiões mundiais. No entanto, desde a década passada, a região vive um período de diminuição da desigualdade de renda, com programas de combate à pobreza e de inclusão social. Um dos fatores que facilitou a redução da pobreza e da desigualdade social, foi o ciclo de crescimento econômico e de aumento das exportações e dos preços das chamadas commodities, produtos como milho e soja, ferro e alumínio, considerados essenciais no mercado mundial.
 
Entre 2002 e 2012, a proporção dos latino-americanos classificados como pobres ou extremamente pobres caiu de 43,9% para 28,2% (164 milhões de pessoas), e os que estão na extrema pobreza, com renda insuficiente sequer para adquirir uma cesta básica de alimentos, passaram de 19,3% para 11,3% da população (66 milhões), segundo a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal). As maiores quedas na última década foram na Venezuela, Argentina, Brasil e Bolívia.
 
No primeiro semestre deste ano, El Salvador elegeu Sánchez Cerém, ex-guerrilheiro da Frente Farabundo Marti para Libertação Nacional (FMLN). A Costa Rica elegeu o candidato de centro-esquerda Luis Guillermo Solís. Em maio os panamenhos escolheram o centro-direitista Juan Carlos Varela, vice-presidente do país, mas que rompeu seus laços com o presidente Ricardo Martinelli, mais à direita.
 
Depois foi a vez da Colômbia, um dos países que mais crescem no continente, mas que ainda amarga a existência de uma guerrilha que já dura décadas. E foi justamente o tema das negociações de paz com os guerrilheiros que pegou fogo na campanha, com o presidente Juan Manuel Santos, candidato à reeleição, investindo nessa proposta para tentar tirar o país do impasse. Foi difícil para Santos, de centro-direita, mas ele conseguiu se reeleger derrotando por pouco o candidato da oposição direitista Oscar Iván Zuluaga, que fez oposição dura às negociações de paz.
 
Em outubro, o socialista Evo Morales, primeiro indígena a chegar à presidência da Bolívia, foi eleito para um terceiro mandato. Ao final desse mandato, será o presidente boliviano que mais tempo ficou no poder. O êxito nas urnas foi resultado de uma gestão econômica exitosa, de maciços investimentos em programas sociais que têm mudado para melhor a sociedade boliviana, e da adoção de um discurso menos polarizador e mais inclusivo, que resultou na ampliação de seu leque de apoio. No Brasil, após uma acirrada e equilibrada disputa eleitoral, Dilma Rousseff foi reeleita. Ao final do seu segundo mandato, o Partido dos Trabalhadores terá governado o país por 16 anos ininterruptos.
 
A última eleição realizada em 2014, foi a do Uruguai, onde o candidato da Frente Ampla, Tabaré Vázquez, venceu a eleição. Com isso, a coligação de esquerda ficará doze anos no poder. Vázquez presidiu o país de 2006 a 2010. No Uruguai, não é permitida a reeleição. Seu sucessor foi José Mujica, que destoou do quadro costumeiro de líderes na América Latina: ex-guerrilheiro tupamaro, ele doa 90% do salário, mora em uma modesta propriedade rural e dirige o próprio carro, um Fusca. No seu governo, o aborto foi descriminalizado e o uso recreativo e pessoal da maconha foi liberado.
 
No cenário da América do Sul, apenas dois países, Paraguai e Colômbia, não são governados por presidentes de esquerda ou centro-esquerda.
 
Após uma década de forte crescimento, a América Latina encara uma complicada combinação de desaceleração de suas economias e aumento das expectativas sociais. Como resultado dos anos de crescimento econômico e da distribuição de renda, a classe média está mais numerosa, exige mais dos seus governantes e está descontente com a qualidade dos partidos. Os pobres, por sua vez, reivindicam o aprofundamento de programas sociais. Os novos governos terão de administrar essa situação.
 
Bons estudos!
 
Prof. Leandro Signori
 
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