A China e as manifestações por democracia em Hong Kong

por Leandro Signori em 03/10/2014
A civilização chinesa tem mais de quatro mil anos. Após um longo período imperial e uma breve república, uma revolução liderada pelo Partido Comunista Chinês (PCCh), de Mao Tsé-tung, deu origem à República Popular da China, em 1949. O país foi reorganizado nos moldes comunistas.
 
Com a morte de Mao, em 1976, a China implementou um modelo, ainda vigente, chamado por seus dirigentes de socialismo de mercado. Trata-se de uma combinação de características do socialismo (no qual as empresas e a terra são propriedade do Estado) com aspectos do capitalismo (a presença de empresas privadas, sobretudo multinacionais, em algumas áreas do país).
 
No final da década de 1970, o país começou a abrir parte de sua produção para as multinacionais, com a criação de Zonas Econômicas Especiais. Os investimentos estrangeiros e a abundância de mão de obra mal remunerada alavancaram as exportações, pois os produtos são baratos. Em três décadas, a China deixou de ser um país pobre e agrário e tornou-se uma potência econômica. O país atualmente responde por mais de 10% do PIB mundial e, em 2011, passou a ser a segunda maior economia do planeta, atrás apenas da dos Estados Unidos.
 
A China é uma ditadura que reprime a liberdade de expressão e viola os direitos humanos. No entanto, há uma resistência interna, e diversos dissidentes desafiam o regime. O ativista Liu Xiaobo ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2010 por sua luta em favor dos direitos humanos. O advogado Chen Guangcheng e o artista Ai Weiwei também são perseguidos por suas críticas ao governo.
 
Em 1979, há vinte e cinco anos atrás, o governo chinês reprimiu violentamente dezenas de milhares de manifestantes que protestavam por democracia e liberdades políticas em Pequim. O episódio ficou conhecido como o massacre da Praça da Paz Celestial.
 
Hong Kong é um território chinês, com status de região administrativa especial. Antiga colônia britânica, foi devolvida pelo Reino Unido à China em 1997. O acordo de devolução criou o princípio “um país, dois sistemas”, pelo qual, o regime comunista da China preservaria o sistema capitalista e o modo de vida da ex-colônia até, pelo menos, 2047.
 
A China também se comprometeu a realizar eleições no território em 2017. Na última semana de setembro, o parlamento chinês aprovou uma medida limitando o número de candidatos na eleição de 2017 em Hong Kong. O pleito terá apenas dois ou três candidatos, que para concorrerem, precisarão ser aprovados por um Comitê Consultivo, instituído pelo governo chinês.
 
A decisão foi o estopim para uma onda de protestos que já ficou conhecida como “Revolta do Guarda-Chuva”. Os manifestantes querem o sufrágio universal sem condições e o fim do controle de Pequim sobre os candidatos para comandar o governo local.
 
A situação é complexa, seria muito desgastante para o governo chinês reprimir os manifestantes com a mesma violência que fez em 1979, no massacre da Praça da Paz Celestial. Por outro lado, se atender as reivindicações dos manifestantes, o governo chinês teme que uma onda de protestos se espalhe pelo país reivindicando ampla democracia.
 
Ótimos estudos!
 
Prof. Leandro Signori
 
 
 
 
Deixe seu comentário:
Ocorreu um erro na requisição, tente executar a operação novamente.