Um feliz natal!

Por: Vítor Menezes

Mais um Natal se aproxima, mais uma noite de reunião familiar, ceia, fotos, presentes, amizade. O Natal é mesmo uma data muito significativa, e todos sabemos disso; o problema é que já não mais sabemos ao certo, exatamente, o que ele significa.

E o que significa o Natal?

Por que raios todos os anos, numa sociedade já plenamente paganizada, que bate no peito com orgulho e grita, embevecida, que sua tecnologia produziu o super-homem; que acredita (ou diz acreditar) que tal data é mera tradição pagã fruto de homenagens prestadas ao deus sol, ou de comemoração pelo solstício de inverno; por que raios uma sociedade assim ainda insiste em parar para festejar justo nessa data? O que há de tão especial no Natal?

Por que tantos filmes, desenhos e músicas que, nesta época do ano, tentam de algum modo transmitir alguma mensagem positiva, de paz, amor esperança? Por que tantas cidades se enfeitam de luzes e cores? O que há de tão especial no Natal?

Por que tantas compras? Por que presentear justo nessa época?

Por que tentar sempre uma aproximação com aquele parente mais insuportável?

Por que Papai Noel? Por que São Nicolau? Por que o Natal?

Sim, há uma verdade profunda no Natal. Uma verdade que deixamos escapar, e da qual restam apenas fragmentos, e mesmo tais fragmentos são suficientes para resultar em tudo que descrevi acima.

E que verdade é essa?

A verdade é que, por baixo das mais profundas misérias pelas quais podemos passar – falta de dinheiro, falta de saúde, brigas na família ou no trabalho, ou mesmo a falta de uma família ou de um trabalho – por baixo de tudo isso há uma miséria ainda maior: a de não fazermos o que deveríamos fazer, a de não sermos quem deveríamos ser, a de negarmos a lei universal que está inscrita no coração de todo e qualquer ser humano, lei esta cuja existência é inegável. Faça o bem, evite o mal. Faça o bem, evite o mal. Faça o bem e evite o mal. É o que diz essa lei. E a gente consegue a proeza de tudo inverter – entupimo-nos de maldade, pretendendo saciar os mais vãos caprichos, sempre insaciáveis, e que sempre deixam um buraco e um vazio cada vez maior. Outrora a humanidade chamava isso de pecado. Hoje a palavra caiu em desuso. Falar dela é quase um… pecado.

Quando o ser humano está no fundo do poço, letárgico, vazio demais, exausto demais até para morrer, quando até a morte é mais desejável que uma vida que nada vivifica, quando o ser humano vê que não há mais saída, seja na vida miserável de uma favela, seja na vida vazia de um bairro nobre, quando ele já nem sabe mais pelo que desejar, só uma coisa pode salvá-lo. Coisa não… uma pessoa. Alguém que não só aceite tomar sobre si todas as minhas misérias, mas que também possa perdoar a todas as minhas faltas. Alguém que não somente possa reparar todo o mal que eu fiz, mas possa me erguer, me levantar e me dar a graça para ser uma pessoa melhor. Alguém que, infinitamente puro, possa me purificar. Possa me olhar com os olhos mais sublimes que jamais foram vistos e dizer: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar”.

Muitos querem moldar um Jesus ao seu bel prazer, sob encomenda. Um que nos cubra de bens materiais, justo Ele que mandou o jovem rico vender tudo e dar aos pobres. Um Jesus que nos dê uma saúde perpétua, justo Ele que, na parábola, enaltece o pobre e doente Lázaro. Um Jesus que, enfim, atenda aos nossos caprichos. Não foi para nada disso que Ele veio. O Evangelho de São Mateus é bem claro:

“Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” “

Ele veio nos salvar de nossos pecados. Num mundo extremamente materialista, isso pode parecer bobagem. Certamente Deus não pensa o mesmo, ou não se teria dado ao trabalho de se encarnar e morrer numa cruz “só” por causa disso. Rejeitar a importância do pecado é fazer o papel de um paciente que recusa o diagnóstico médico. Não de qualquer médico, mas de um que se dispõe a morrer por seu paciente.

Eis aí o primeiro passo para começar a ter uma remota ideia do que é o Natal: reconhecer a nossa mais profunda miséria. O nosso nada. Pois só quem admite tal verdade verá que precisa de um Salvador. E só quem sabe que precisa ser salvo se deixará salvar. Pois, nos dizeres de Santo Agostinho, Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti.

Miseráveis todos somos. Reconheçamos nossa miséria, dobremos nossos joelhos e agradeçamos a Deus, porque “hoje nos nasceu um Salvador, que é o Cristo Senhor.

Um feliz Natal!

Obs: fugiria muito do escopo de uma simples postagem de blog, ainda mais vinda de um reles professor de matemática, mas, em todo caso, para quem quiser entender um pouco melhor algo acerca do Natal, deixei este vídeo no meu canal pessoal do youtube: https://youtu.be/Dmjx4Wj65Cc

Vítor Menezes

Sócio-fundador do Tec Concursos. Professor de matemática, matemática financeira, estatística e lógica. Engenheiro eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Dá aulas em cursos preparatórios para concursos públicos desde 2005. Classificado e aprovado nos concursos de Analista do MPU/2004, Agente e Escrivão da PF/2004, Auditor Fiscal do ICMS/MG/2004, Auditor Fiscal do ICMS/SP 2013 (Agente Fiscal de Rendas), Auditor Federal de Controle Externo do TCU 2006. Exerceu os cargos de Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (período de 2006 a 2019) e Auditor Fiscal da Sefaz/MG (2005 a 2006). Contato: vitor@tecconcursos.com.br