Tópicos Importantes para Prova do MPU 2013 – Parte II

Por: Henrique C. Branco

Olá, pessoal.
 
            O Tópico desta terça-feira versará sobre a ocorrência da crase. Tema este, também, relevante em provas do Cespe/Unb. 
            Um grande abraço, 
            Prof. Henrique Castelo Branco.
 

 
 Tema 2:    CRASE
 
 

(CESPE/Unb 2009 – Tribunal Regional Eleitoral GO – Analista)

            Os filósofos gregos começaram a buscar a verdade em relação ou oposição à falsidade, ilusão, aparência. De acordo com essa concepção, a verdade estaria inscrita na essência, sendo idêntica à realidade e acessível apenas ao pensamento, e vedada aos sentidos. O conceito era sempre aplicado, isto é, remetia a uma história vivida que pudesse ou não ser comprovada. Essa concepção de verdade subordinava-a, portanto, à possibilidade de uma verificação.

01 – Assinale a opção correta a respeito do emprego da crase nas estruturas linguísticas do texto.
 
A) No período do texto (R.1), mantêm-se as relações semânticas, bem como a correção gramatical, ao se inserir à antes de “ilusão” e antes de “aparência”.
 
             Item correto. Quando a preposição servir a dois termos coordenados, poderá vir repetida ou calada junto ao segundo (e ou mais termos), conforme haja ou não desejo de enfatizar o valor semântico da preposição.
                           
                            “…em relação ou oposição à falsidade, ilusão, aparência.”                        ou

                            “…em relação ou oposição à falsidade, à ilusão, à aparência.”
 
 
B) Tanto o uso da crase em “à realidade” (R.2) como da contração em “ao pensamento” (R.3) justificam-se pelas relações de regência de “idêntica” (R.2).
 
              Item incorreto, pois a justificativa do sinal indicativo da crase na expressão “à realidade” deve-se à regência nominal de “idêntica”; já na expressão “ao pensamento”, a combinação da preposição mais artigo deve-se à regência nominal de “acessível”.
 
 
C) Na linha 3, preservam-se as relações de regência de “remetia”, bem como a correção gramatical do texto, ao se inserir um sinal indicativo de crase em “a uma história”.
 
             Item incorreto, visto que não poderíamos empregar o sinal indicativo de crase em expressões que antecedem uma palavra com ideia indefinida (artigo ou pronome) por constituir caso de crase proibida.
 
 
D) A retirada do sinal indicativo de crase em “à possibilidade” (R.4) provocaria erro gramatical e incoerência nas idéias do texto, por transformar objeto indireto em objeto direto na oração.
 
              Item incorreto, visto que o substantivo “possibilidade” poderia aparecer na frase de modo genérico (sem artigo). Com isso, o sinal indicativo de crase poderia ser retirado sem prejuízo gramatical. Vale ressaltar que a função sintática do vocábulo permanece inalterada na frase.
 
“Essa concepção de verdade        subordinava-a          à possibilidade de uma verificação.”
              (SUJEITO)                             (VTDI)  (O.D.)                          (O.I.)
 
 
 
(CESPE/Unb – 2008 – ABIN – Oficial de Inteligência)

                   Uma vez pesquisado, determinado assunto agrega novos elementos ao pensamento de seu observador e, portanto, modifica-o. Mudado seu modo de pensar, o pesquisador já não concebe aquele tema da mesma forma e, assim, já não é capaz de estabelecer uma relação exatamente igual à do experimento original.
02 – Em “à do experimento” (R.3), o sinal indicativo de crase está empregado de forma semelhante ao emprego desse sinal em expressões como à moda, às vezes, em que o uso do sinal é fixo.

              Item incorreto, porque a justificativa da ocorrência de crase na expressão “à do experimento” deve-se à regência nominal do vocábulo “igual”, não constituindo caso de crase obrigatória como ocorre nas expressões “à moda” e “às vezes” em que a crase é obrigatória em virtude de serem locuções adverbiais femininas.

 
 
(CESPE/Unb – 2012 – POLÍCIA FEDERAL – Agente Federal)
                 (…) Reprimimos em nós desejos e fantasias que nos parecem ameaçar o convívio social. Logo, frustrados, zelamos pela prisão daqueles que não se impõem as mesmas renúncias.
03 – Na linha 8, considerando-se a dupla regência do verbo impor e a presença do pronome “mesmas”, seria facultado o emprego do acento indicativo de crase na palavra “as” da expressão “as mesmas renúncias”.
 

                Item incorreto. O sinal indicativo de crase não poderia ocorrer na expressão “as mesmas renúncias”, visto que ela é classificada na frase como objeto direto do verbo “impor” que é transitivo direto e indireto. Logo, não há dupla regência para o verbo nem facultatividade no emprego da crase.

 
“…daqueles         que                   não     se   impõem      as mesmas renúncias.”
                        (SUJEITO)                      (O.I.)   (VTDI)                (O. DIRETO)

Henrique C. Branco

Professor de língua portuguesa para concursos há 10 anos no Rio de Janeiro e em Cuiabá. Graduação em letras/literatura – UFRJ Especialização em linguística aplicada – Unesp Profissão: funcionário público federal – Ministério da Defesa.