PRF – Prova de Português comentada

Por: Denise Carneiro (tia Deny)

Olá, queridos sobrinhos e sobrinhas! A tia Deny chegou para comentar a prova da PRF, vamos lá?

QUESTÃO 9: A transferência da polícia do sistema de justiça para o governo da cidade marca o que pode ser considerado uma mudança de paradigma no que se refere ao papel da polícia na sociedade.

COMENTÁRIO: Correto, visto que o texto explicita, no primeiro parágrafo, que esta transferência significou a mudança de padrão, antes de caça ao criminosos, para o de prevenção dos crimes.

QUESTÃO 10: Depreende-se do segundo parágrafo do texto que a violência na era medieval era comum e socialmente aceita.

COMENTÁRIO: Correto. Podemos inferir isto a partir da leitura do seguinte trecho: “O autor estabelece um contraste entre a violência “franca e desinibida” do período medieval, que não excluía ninguém da vida social e era socialmente permitida e até certo ponto necessária…”

O texto deixa bastante claro que a violência, no período medieval, era “desinibida”, ou seja, praticada sem grandes pudores, e que agir de modo violento não excluía ninguém da vida social, visto que era uma conduta socialmente permitida e até necessária.

QUESTÃO 11: Um dos traços característicos da modernidade, segundo Nobert Elias, é a renúncia de certas emoções e de certos prazeres pelos indivíduos, que, em compensação, passaram a ser protegidos da violência devido à atuação do Estado.

COMENTÁRIO: Errado. O texto expõe que a teoria do processo civilizador, de Nobert Elias, fala sobre a violência e outras emoções e prazeres terem sido domados, refinados, e não renunciados. O item traz uma informação que extrapola o conteúdo do texto.

QUESTÃO 12: Conclui-se do texto que o monopólio da violência legítima pelo Estado deveu-se à necessidade de reação aos índices insustentáveis de violência física entre os indivíduos.

COMENTÁRIO: Errado. Não há nenhum elemento no texto que indique que o monopólio da violência legítima pelo Estado ocorreu para controlar um cenário caótico. Na verdade, o texto até tece uma comparação entre a idade medieval, a qual, de fato, vivia um cenário de violência costumeira e inclusive aceitável socialmente, e o estado moderno, em que a agressividade, as emoções e os prazeres já estavam domados, refinados e civilizados de acordo com a teoria do processo civilizador de Nobert Elias.

QUESTÃO 13: Infere-se da leitura do primeiro parágrafo do texto que o desenvolvimento de áreas científicas ligadas à justiça criminal no século XIX está associado a visões preconceituosas sobre certos grupos de indivíduos.

COMENTÁRIO: Errado. Pode haver polêmica em relação a este item, mas precisamos nos ater ao contexto que é trazido pelo texto, à leitura “autorizada” pelo autor, e não à nossa visão de mundo. Uma coisa é o que a gente acha sobre determinada informação trazida, outra é o que o autor traz e como o faz no texto (isso acontece com frequência). O que temos no texto é: “Como na Europa, a ênfase na prevenção teria representado nova atitude diante do controle social, com desenvolvimento pela polícia de uma habilidade específica, a de explicar e prevenir o comportamento criminoso. Isso acabou redundando no foco nas “classes perigosas”, ou seja, em setores específicos da sociedade vistos como produtores de comportamento criminoso. Nesse processo desenvolveram-se vários campos de saber vinculados aos sistemas de justiça criminal, polícia e prisão, (…), como a medicina legal, a psiquiatria e, especialmente, a criminologia. ”

Percebam que o autor apenas nos informa que, naquela época, vários campos de saber se desenvolveram com foco em setores da sociedade vistos como produtores de comportamento criminoso com o objetivo de mapear esses possíveis comportamentos para, assim, evitar a ocorrência de crimes. Em nenhum momento, o autor dá “abertura” para uma reflexão sobre esta forma de olhar ser ou não preconceituosa, apenas nos informa de que foi neste contexto e sob este prisma que surgiram áreas como a psiquiatria e a criminologia. Para mim, gabarito ERRADO, pois extrapola aquilo que é trazido pelo texto.

QUESTÃO 14: Seriam mantidos a correção gramatical e os sentidos do texto caso o segundo período do primeiro parágrafo fosse reescrito da seguinte maneira: Porque nos países europeus houve empenho em prevenir crimes, o que representou nova atitude de controle social, o resultado foi o desenvolvimento de uma habilidade específica pelas autoridades policiais: a de explicar e prevenir o crime.

COMENTÁRIO: Errado. A estrutura original estabelece relação de comparação no trecho “como na Europa” (do mesmo modo que ocorreu na Europa), e não de causa. Assim, o uso do conector “porque” já prejudicou a manutenção de sentido exigida pelo item.

QUESTÃO 15: O pronome “Isso”, que introduz o terceiro período do primeiro parágrafo do texto, poderia ser corretamente substituído por O que.

COMENTÁRIO: Errado. Na expressão “O que”, temos “o” como pronome demonstrativo e “que” como pronome relativo, assim não podemos iniciar uma frase com este tipo de estrutura, pois haveria erro gramatical. Havendo a substituição, precisaríamos retirar o ponto final e utilizar a vírgula: …a de explicar e prevenir o comportamento criminoso, o que acabou redundando no foco nas “classes perigosas”…

QUESTÃO 16: Infere-se do segundo parágrafo do texto que a agressividade humana passou por um processo de transformação gradativo de perda dos aspectos primitivos e animalescos.

COMENTÁRIO: Correto. O texto cita a teoria do processo civilizador ( a palavra “civilizado” tem como antônimos: feroz, selvagem, indomesticado, agressivo, bruto) e ainda afirma que a agressividade, assim como outras emoções e prazeres, foi domada, refinada e civilizada. Há ainda uma comparação entre o período medieval (agressividade comum e aceita socialmente) e a moderação da modernidade, inclusive citando o “autocontrole”. Assim, podemos inferir que a agressividade humana passou por um processo gradativo de transformação com perda de aspectos primitivos e animalescos.

QUESTÃO 17: O trecho “A conversão do controle que se exercia por terceiros no autocontrole é relacionada à organização e à estabilização de Estados modernos” poderia ser reescrito da seguinte forma, sem prejuízo para os sentidos e para a correção gramatical do texto: Converter o controle efetuado por terceiros a autocontrole concatena a organização e estabilização dos estados do mundo moderno.

COMENTÁRIO: Errado. O verbo “converter” rege a preposição EM: converter o controle efetuado por terceiros em autocontrole.

QUESTÃO 18: O emprego do vocábulo “irrupção”, no último período do texto, indica que a violência atingia os indivíduos de forma súbita.

COMENTÁRIO: Correto. A palavra “irrupção” significa aquilo que acontece de forma brusca, súbita.

QUESTÃO 19: A correção gramatical do último período do texto seria mantida, embora seu sentido original fosse prejudicado, se a locução “na medida em que” fosse substituída por à medida que e a vírgula empregada logo após “vida” fosse suprimida.

COMENTÁRIO. Correto. Cuidado, gente! A banca cita apenas manutenção da correção gramatical e, inclusive, dá uma “colher de chá” informando que o sentido original seria prejudicado. A locução “na medida em que” tem sentido causal, já a locução “à medida que” tem sentido proporcional, assim, a substituição provocaria alteração semântica, mas não prejuízo gramatical. Vale destacar que a vírgula em questão é facultativa, pois isola oração subordinada adverbial (seja causal ou proporcional) na posição padrão (final do período), assim a sua retirada não gera erro gramatical.

QUESTÃO 20: Mantém-se a correção gramatical do trecho “o autocontrole e a moderação das emoções que acabaram por se impor na modernidade”, do texto, caso a forma verbal “impor” seja flexionada no plural imporem.

COMENTÁRIO: Errado. Como temos uma locução verbal em “acabarem por se impor”, não podemos flexionar o verbo principal “impor”, mas apenas o auxiliar “acabarem”.

QUESTÃO 21: A coerência e os sentidos do texto seriam mantidos caso fosse suprimido o artigo “os”, no trecho “desenvolveram-se os vários campos de saber”, no último período do primeiro parágrafo.

COMENTÁRIO: Errado. Como a banca cita manutenção do sentido, não podemos considerar o gabarito correto com a supressão do artigo “os”, visto que ele foi empregado justamente indicar campos determinados de saber. A retirada do artigo tornaria o sentido mais genérico.

É isto, meus amores! Prova comentada, aguardemos o gabarito definitivo!

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Beijo grande da tia!

Denise Carneiro (tia Deny)

Servidora Pública Federal desde 2009 (Técnica da Receita Federal), professora de Língua Portuguesa desde 2013, autora do livro Completaço CESPE (Editora Saraiva) e comentarista de mais de 14 mil questões até o momento (e seguindo). Conhecida carinhosamente como tia Deny, tenho encurtando o caminho de milhares de sobrinhos rumo à aprovação.