Possíveis recursos – Prova PMBA – Português (ATUALIZADO)

Por: Denise Carneiro

(ATUALIZADO)

Olá, meus amores!

Estou aqui para conversar com vocês sobre a possibilidade de recursos relativos às questões 1 e 7 da prova da PM da Bahia.

QUESTÃO 1: A banca considerou a letra C como a correta.

De acordo com o texto,assinale a alternativa correta.

a) O texto discorre sobre um condomínio que ainda sofre uma série de assaltos por não haver um trabalho eficiente na segurança.
INCORRETA. É nítido, durante a leitura, que o trabalho de segurança é eficiente, gente. Os assaltos seguem acontecendo, mesmo havendo um forte esquema de segurança e este é o ponto destacado pelo autor: para que haja finalmente a da “total segurança”, as pessoas se tornaram verdadeiros prisioneiros dentro de suas casas.

b) Dois assaltantes entraram no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário e remitiram seus bens.
INCORRETA. A palavra “remitir” significa “devolver”, “restituir”.

c) Infere-se do texto que há uma relevante crítica às prestações de serviço de segurança oferecidas em condomínios.
INCORRETA. Dada como gabarito, não vejo possibilidade de ser considerada correta. O texto não tece crítica às prestações de serviços de segurança oferecidas em condomínios, mas sim à privação de liberdade que passou a ocorrer em nome da “total segurança”.  Esse ponto é nítido no último parágrafo e clímax do texto: “E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos. E ninguém pode sair. Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua. […]”
Assim, esta letra não pode ser considerada como gabarito adequado para a questão.

d) No portão mais ínfero, existiam muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV.
INCORRETA. O texto fala: “Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV.”
Ao usar a palavra “ínfero” ( que significa inferior), há mudança da informação dada pelo texto.

e) Os assaltos continuaram no condomínio porque a segurança apresentou um serviço falho e exímio.
INCORRETA. As palavras “falho” e “exímio” têm sentidos opostos, gente. Exímio significa “excelente, perfeito”.
Os assaltos continuaram a ocorrer pela insegurança natural que existe em nossa sociedade. O texto apresenta os serviços de segurança como prestados com excelência, mas, mesmo assim, incapazes de evitar os assaltos em sua totalidade até que fosse tomada a medida drástica apresentada no último parágrafo.

Considerando isso, vocês podem fundamentar o recurso com a finalidade de ANULAR a questão por ausência de gabarito adequado.

Como alguns alunos questionaram o gabarito da questão 7, venho aqui falar sobre ela.

QUESTÃO 7:  A banca considerou a letra “E” (FVV) como correta.
Acredito ser difícil a modificação de gabarito, vejamos:

Analise as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).

( ) O texto possui narrador onisciente em 1ª pessoa.
FALSO. O narrador está na 3ª pessoa.

( ) Toda a área era cercada por um muro alto. O enunciado anterior está escrito na voz passiva.
VERDADEIRO. Temos a voz passiva indicada pela locução “era cercada” e pelo agente da passiva “por um muro alto”.

( ) O título do texto sugere proteção e isto é refutado ao longo da obra.
VERDADEIRO. Aqui houve uma certa polêmica, mas acredito que o gabarito será mantido pela banca.
Podemos realmente considerar verdadeiro? Sim, pois o título do texto é “Segurança” e, ao longo dele, o autor fala sobre a persistência dos casos de assalto, mesmo havendo forte esquema de segurança no condomínio, ou seja, refuta/nega aquilo que se esperava ler a partir do título. De forma um pouco mais profunda, o texto fala sobre a face negativa de se almejar a segurança total: a perda da liberdade. Ao fazer isso,  podemos dizer também que o autor refuta a ideia trazida pelo título: segurança não, prisão.

ATENÇÃO, gente!
Sugiro que os prejudicados entrem com recurso contra a questão 4!

QUESTÃO 4: a banca deu como gabarito a letra E. (De fato, está errada, mas temos outra também com erro, o que deve gerar a anulação!)
A vírgula exerce inúmeras funções na comunicação escrita. Analise as justificativas para o seu uso, nas alternativas abaixo, e assinale a incorreta:

a)  “Havia as mais belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas,” […] É obrigatório o uso da vírgula para separar termos com funções semelhantes.
Correta. Os elementos separados pelas vírgulas exercem a mesma função de objeto direto do verbo “haver” com sentido de “existir”. Assim, a pontuação separa elementos com função semelhante.

b)  “Agora, a segurança é completa”. É facultativo o uso da vírgula para separar adjuntos adverbiais, de pouca extensão, antepostos.
Correta. O termo “Agora” é um adjunto adverbial de tempo. O adjunto adverbial é um elemento que modifica um verbo, um advérbio ou um adjetivo, indicando uma circunstância (modo, meio, lugar, causa, intensidade, negação, afirmação, etc.).
O adjunto adverbial deslocado ou intercalado precisa ser isolado por vírgula, mas a pontuação é facultativa quando o elemento for curto. Nesse caso, como se trata de um único vocábulo (advérbio “Agora”), a pontuação é opcional, facultativa.

c)  “Houve protestos, mas no fim todos concordaram”. É obrigatório o uso da vírgula para separar orações coordenadas sindéticas adversativas.
Correta. A vírgula separa uma oração coordenada sindética adversativa, introduzida pela conjunção “mas”. Essa pontuação é obrigatória!
Coordenada: porque não depende sintática e semanticamente de outra oração. Existe uma relação de sentido entre as orações coordenadas, mas não uma dependência.
Sindética: porque possui conjunção.
Adversativa: porque possui sentido de oposição em relação à outra oração (“Houve protestos”).

d)  “Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, não conseguiriam entrar nas casas”. É recomendável o uso da vírgula para separar orações subordinadas adverbiais condicionais quando vierem antes da principal.
INCORRETA. O segmento “Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros” funciona como adjunto adverbial de concessão. Como a oração foi deslocada para o início do período, antes da oração principal, recomenda-se o uso da vírgula.

Observem que a alternativa classifica a oração como subordinada adverbial condicional. Gente, apesar de estar presente o termo “se” (que traz uma ideia de condição), a associação deste com o termo “mesmo” enfatiza muito mais um sentido de CONCESSÃO. É uma “condição concessiva”. Vejam que poderíamos tranquilamente substituir a expressão “Mesmo se” por “Mesmo que” ou “Ainda que” (locuções conjuntivas concessivas).

e)  “Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas”. É obrigatório o uso da vírgula para separar verbos com tempos e modos diferentes.
INCORRETA. Não há qualquer relação entre a vírgula e os verbos com tempos e modos diferentes. Não existe essa regra de pontuação associada ao tempo verbal, pessoal. A pontuação foi inserida por causa da oração subordinada adverbial condicional “Se não morresse”, que foi deslocada para o início do período (antes da oração principal).

alternativa “E” está absolutamente errada, sem qualquer margem para dúvida. Porém, ao mencionar as orações adverbiais condicionais na alternativa “D”, o examinador ERRA a classificação e prejudica a indicação do item como correto.

A alternativa “E” deve ter sido considerada a “mais errada“, julgamento que não é ideal numa prova objetiva.
Particularmente, considero mais justo ANULAR esta questão.

É isto, gente!
Vamos seguir firmes rumo à aprovação!
Qualquer coisa, falem comigo no Instagram @professoradenisecarneiro !
Um beijo e fiquem com Deus!

Denise Carneiro

Graduada em Direito pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), pós graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela UNIPÊ, pós graduada pela Escola Superior da Magistratura Trabalhista (ESMAT), advogada, servidora pública da Receita Federal do Brasil.