ISS GOVERNADOR VALADARES – prova de português

Por: Sthefanny Alcântara

Olá, pessoal! No último fim de semana (16/02/2020), foi aplicada a prova do ISS Governador Valadares. A banca do concurso foi a MSM Consultoria & Projetos. A prova de português foi composta de 14 questões, e a maioria delas foram questões referentes a gramática, em vez de interpretação textual. Infelizmente a banca cobrou assuntos que não são muito úteis ao cargo de Auditor Fiscal. Paciência. No entanto, já adianto que há possibilidade de recursos nas questões 03, 06, 08 e, talvez, na 14. Vamos às questões.

01 – A conjunção e, que inicia a última oração do texto, estabelece uma relação de:
a) Adição
b) Oposição
c) Explicação
d) Alternância

Aquele aluno que decora os valores semânticos das conjunções errou esta questão. Apesar de a conjunção “e” ser tipicamente aditiva, no contexto desta questão, ela é adversativa, ou seja, expressa uma oposição. Quando dizemos, por exemplo, “estudou e não passou”, estamos, na verdade, dizendo “estudou, mas não passou’. Da mesma forma, quando o texto diz “andei pulando pelas ruas como sempre, e não caí”, a ideia é “andei pulando pelas ruas como sempre, mas não caí”. Ora, se a pessoa anda pulando pelas ruas, é fácil que ela caia, mas isso não aconteceu. Portanto, confirmamos o gabarito preliminar da banca: letra B

02 – Em “Dessa vez nem caí: guiava-me…” o elemento destacado é morfologicamente:
a) Conjunção coordenativa
b) Preposição
c) Advérbio
d) Pronome reflexivo  

Gente, “nem” não pode ser uma conjunção. Sabe por quê? Porque uma conjunção liga duas orações. A expressão “dessa vez” não é uma oração. O “nem” é um advérbio de negação, pois ele tem o sentido de “não”. Notem que dizer “dessa vez nem caí” é o mesmo que dizer “dessa vez eu não caí”. Portanto, concordo com o gabarito da banca: letra C

03 – Em duas entradas de supermercado de uma cidade foram afixados estes dois avisos:

É proibido a
entrada de animais,
É proibida a
entrada de
bicicletas

Observe as afirmações seguintes sobre os avisos:
I. Ambos apresentam a mesma estrutura. No entanto, no 1º aviso, o adjetivo proibido apresenta-se invariável e no 2º concorda com entrada.
II. O 1º aviso está de acordo com a regra de concordância e a variedade padrão da língua.
III. O 2º aviso está adequado a concordância, ou seja, a expressão “E proibido” + substantivo precedido de artigo, o adjetivo concorda com o substantivo.

Está correta a opção:
a) Apenas a I
b) Apenas a ll e lll
c) Apenas a lll
d) Apenas a l e llI

Vislumbro possibilidade de recurso nesta questão. No item I, que a banca considerou correto, podemos dizer que os avisos apresentam a mesma estrutura. Ok. No entanto, o adjetivo proibido ficaria invariável se a estrutura fosse a seguinte: É proibido entrada de animais. Contudo, como existe o artigo definido “a” determinando o substantivo “entrada”, o “proibido” deveria concordar com o substantivo. Assim, a forma correta é: “é proibida a entrada de animais”. Já que o substantivo foi determinado, o adjetivo varia, sim. Portanto, cabe um recurso aqui. Este item deveria ter sido considerado incorreto
O item II está incorreto e a banca o considerou incorreto mesmo. O primeiro aviso não está de acordo com a regra de concordância pelo motivo que vimos acima. O certo deveria ser: É proibida a entrada de animais. Vejam que a banca concorda que este item está errado, pois o adjetivo varia para concordar com o substantivo. Tal entendimento contraria o gabarito preliminar do item I. 
O item III está correto pelos motivos que falamos acima. Portanto, cabe recurso para alteração de gabarito da letra D (apenas I e III) para a letra C (apenas III).

04 – Dadas as afirmações a seguir:
I. O verbo haver é impessoal e equivale a existir, a expressão “solução” será objeto direto, já que o verbo é transitivo direto.
II. O emprego da palavra “Mano” no contexto, é um solecismo.
III. As palavras do 2º balão se referem à classe dos adjetivos.

É correto:
a) Apenas a afirmação I.
b) Apenas a afirmação II.
c) Apenas a afirmação III.
d) Todas estão corretas  

O item I está correto. De fato, na frase “sem corrupção não há solução”, o verbo haver é impessoal e equivale a existir. Trata-se de um caso de oração sem sujeito. Sempre que o verbo haver estiver com sentido de existir, ele será transitivo direto. Não há sujeito. Portanto, haverá, pelo menos, o verbo “haver” e um objeto direto.
O item II está incorreto. Solecismo é um “erro” de sintaxe. Ele pode ser um erro de concordância ou regência, por exemplo. Um exemplo de solecismo seria dizer “nós vai”. O emprego da palavra “mano” é apenas o uso de gíria, de linguagem informal. 
O item III também está incorreto. As expressões do segundo balão “verdade, realidade, conveniência ou insanidade” são da classe dos substantivos, e não dos adjetivos. Assim, apenas o item I está correto, o que torna a letra A o gabarito da questão. Concordamos com a banca. 

05 – Considere a frase a seguir:
Bombom: o presente que todos gostam.
Essa frase apresenta desvio quanto à norma padrão da língua portuguesa de:

a) Concordância 
b) Regência
c) Semântica
d) Pontuação  

Estamos diante de um erro de regência, pois o verbo “gostar” é transitivo indireto e pede a preposição “de” (gostar de algo/alguém). Portanto, a forma correta da frase é: Bombom: o presente de que todos gostam. Confirmamos a letra B como gabarito. 

06 – Observando os aspectos de pontuação, concordância e colocação pronominal, podemos afirmar que:
I. Na oração “Durante anos o netinho, foi as alegrias de seus avós”, há um uso inadequado no que diz respeito à pontuação, uma vez que se usou a vírgula entre o sujeito e o verbo.
II. Na oração “As crianças estavam meio chateadas, porque as brincadeiras foram bastante difíceis”, a palavra bastante está adequada à concordância por ser um advérbio ficando invariável.
III. Na oração “Ele vivia em paz, embora se sentisse sozinho”, a colocação do pronome “se” está correto por se tratar de uma próclise.

Assinale:
a) Se a I estiver correta
b) Se a I e III estiverem incorretas
c) Se a II e III estiverem corretas
d) Se apenas a lI estiver correta.

Cabe recurso aqui. O item I foi dado como errado pela banca. Entretanto, ele está correto. Uma das regras sobre o emprego da vírgula é que não separamos o sujeito de seu verbo por vírgula. Assim, o item I deveria ter sido considerado correto. 
O item II também está correto. A palavra “bastante”, quando na função de advérbio, é invariável. Exemplos: As meninas eram bastante bonitas.
O item III está correto. Trata-se de um caso de próclise. A oração “embora se sentisse sozinho” é uma oração subordinada adverbial concessiva. Nas palavras do mestre Evanildo Bechara “não se pospõe, em geral, pronome átono a verbo flexionado em oração subordinada” (BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa, 2015, p. 606).

Assim, os três itens estão corretos. Como não há tal alternativa, cabe recurso pleiteando a anulação da questão.

07 – O significado da palavra “lânguidas” mais adequado ao contexto é:
a) Voluptuosas
b) Não lapidadas
c) Disciplinadas
d) Similitudes  

Lânguido possui alguns significados diferentes, entre eles o de “voluptuoso, sensual”. É possível deduzir isso por meio das seguintes passagens do texto:
“Esses perfis esguios, de longas pernas e ventres torneados, parecem repelir os excessos da sociedade contemporânea com sua magreza, exprimindo um trabalho árduo e disciplinado sobre a própria volúpia.
(…)
E a cada nova temporada, desde os cobiçados altares das passarela, lânguidas celebridades do mundo “fashion” convocam o ávido público a idolatrar e imitar suas formas.”  

Portanto, lânguido está relacionado a algo voluptuoso, sensual. Confirmamos o gabarito da banca: letra A. 

08 – Releia os dois últimos parágrafos do texto e responda se as afirmativas referentes a eles são F (Falsa) ou V (Verdadeira):
(   ) No trecho “Com esses bisturis de software”… o pronome destacado refere-se ao ser que se acha no campo de ação da pessoa com quem se fala.
(  ) O adjetivo digital, usado para caracterizar o substantivo pureza, contrapõe-se, por oposição ao sentido de analógica, que qualifica o substantivo imperfeição.
(    ) O adjetivo reais se opõe à ideia de perfeição ideal dos “modelos digitalizados”.

É correta a opção:
a) V, V, F.
b) F,F,V.
c) V,V,V.
d) F,V,F.  

Discordo do gabarito da primeira frase, que banca deu como verdadeiro. Se voltarmos ao texto, veremos que o pronome “esses” não se refere ao ser com quem se fala. Isso aconteceria, por exemplo, se eu estivesse conversando com você e, me referindo ao livro que você tem nas mãos, dissesse “ah, eu já li esse livro”. No entanto, não é isso que acontece. A começar que o texto não está falando diretamente com ninguém (estou ciente da minha dupla negativa aqui, tá? Rs). Vamos voltar ao texto:

“Não é por acaso que programas de edição gráfica como o Photoshop desempenham um papel tão importante na construção dos “corpos belos” expostos nas vitrines midiáticas. Com esses bisturis de software, todos os “defeitos” e outros detalhes demasiadamente orgânico presentes nos corpos fotografados são eliminados, retocados ou corrigidos. ” 

Gente, a expressão “esses bisturis de software” retoma “programas de edição gráfica”. É uma forma de voltar àquela expressão sem repeti-la. Trata-se de um mecanismo de coesão textual. Nada tem a ver com o demonstrativo “esse” se referindo a pessoa com quem se fala. Portanto, item incorreto

A segunda frase está correta. O adjetivo digital se refere ao substantivo pureza e se contrapõe a analógico, que se refere a imperfeição. Vamos ver no texto: “As imagens assim editadas aderem a um ideal de pureza digital longe de toda imperfeição toscamente analógica e de toda viscosidade que pareça orgânica demais.” 
Notem que o texto diz que toda pureza digital está LONGE de toda imperfeição analógica, promovendo uma ideia de oposição mesmo. 

Por fim, a última frase também está correta. Quando o texto fala de corpos reais, ele se opõe à “perfeição” dos “modelos digitalizados”. Ora, os corpos digitalizados não são reais. 
Assim, considero como correta a seguinte sequência: F V V. A banca forneceu como gabarito a sequência V V V. Eu interporia recurso requerendo a anulação da questão.

09 – O texto tematiza:
a) A contradição humana na modernidade.
b) A necessidade que temos de ser notados, valorizados.
c) As dificuldades de autoconhecimento dos valores humanos.
d) A problemática relação entre ser reconhecido e a ausência de felicidade.
Gente, o assunto principal do texto é a necessidade que temos de sermos notados (letra B). O texto já começa dizendo que nem sempre precisamos estar olhando ou conversando com alguém para nos sentirmos notados, reconhecidos e respeitados. O texto também fala do significa de dar as costas a alguém, e também que é uma cortesia “incluir” alguém em uma conversa. Portanto, o gabarito é a letra B mesmo.

10 – Todas as alternativas estão de acordo com a conjugação verbal da forma verbal, EXCETO: 

a)Resfolegar (presente do subjuntivo, 1ª p. Pl.)- resfoleguemos  
b)Poder (pretérito perfeito do indicativo, 1ª p. Sing.) – pude  
c)Valer (presente do subjuntivo, 1ª p. Pl.)- valhamos  
d)Ver (futuro do subjuntivo, 1ºp. Sing.) – vermos
A alternativa incorreta é a letra D mesmo, pois o verbo ver conjugado na primeira pessoa do singular (eu) do futuro do subjuntivo é “vir”. As outras conjugações estão de acordo com a pessoa, tempo e modo verbais. 

11 – Em lugar de um adjetivo pode aparecer uma locução adjetiva, ou seja, uma expressão com valor de adjetivo formada por preposição e substantivo.
O adjetivo que não corresponde à locução entre parênteses é:

a) Inguinal (da virilha).
b) Zigomático (da maçã do rosto)
c) Crural (do couro)
d) Ígneo (do fogo)  

Conhecimento inútil. Gente, a única alternativa que não corresponde à locução adjetiva nos parênteses é a letra C, pois crural é algo relativo à coxa, e não ao couro. Na letra B, zigomático é relativo ao osso zigomático, que é popularmente chamado de osso da bochecha ou maçã do rosto. É, pessoal, precisamos entender de anatomia para fazer provas de português de algumas bancas. Acredito que a maioria dos candidatos vai errou esta questão. Assim, confirmamos o gabarito da banca: letra C

12 – Observe as orações e indique a alternativa em que a palavra destacada foi empregada INCORRETAMENTE:

a) O distraído motorista infligiu as leis de trânsito.
b) Fomos roubados. Nosso advogado vai impetrar mandado de segurança.
c) Aquela cidade estava infestada de pernilongos transmissores de várias doenças.
d) Ao que é isento de germes patogênicos chamamos de asséptico.  

A única palavra empregada incorretamente é “infligiu” (letra A). O verbo é “infrigir”. Portanto, a forma correta é infringiu. Confirmamos o gabarito da banca: letra A

13 – Em “A natureza humana tão é misteriosa, que uma grande ventura nos faz chorar e uma grande desgraça nos faz rir”.
A oração destacada classifica-se como:
a) Oração subordinada adverbial concessiva.
b) Oração subordinada substantiva objetiva direta.
c) Oração subordinada adverbial consecutiva.
d) Oração subordinada adjetiva restritiva.

As expressões “tão / tanto / tal…que” são tipicamente consecutivas. Vejam os exemplos a seguir:

  1. Ela é tão bonita, que impressiona a todos.
  2. Ele estudou tanto, que passou em primeiro lugar no concurso. (Causa = estudou muito. Consequência = passou em primeiro lugar).

Assim, trata-se de uma oração consecutiva mesmo. Gabarito letra C.
As orações concessivas expressam uma ideia de contraste. As objetivas diretas completam o sentido de um verbo. E as adjetivas funcionam como um adjetivo, determinam um substantivo. 

14 – Na análise da frase: “Vendem-se ternos”, há uma alternativa INCORRETA. Aponte-a:

a) “se” partícula apassivadora.
Sim. O “se” transmite uma ideia de passividade. Vejam a letra C.

b) sujeito indeterminado.
Não. O sujeito é “ternos”. Trata-se de um sujeito paciente, mas é sujeito. Portanto, este é o nosso gabarito.

c) agente da passiva indeterminado.
Gente, bem resumidamente, é o seguinte: o gramático Evanildo Bechara chama esse tipo de construção de voz reflexiva passiva. O exemplo que ele dá é “alugam-se casas”. Podemos fazer uma analogia com “vendem-se ternos”. Vejam o que ele diz:
“A voz passiva difere da reflexiva com sentido passivo em dois aspectos:

  1. pode apresentar o verbo em qualquer pessoa, enquanto a reflexiva só se constrói na 3ª pessoa com o pronome se (conhecido também pela denominação de “apassivador”): [isso torna a letra A correta]

Eu fui visitado pelos meus parentes
Nós fomos visitados pelos parentes.

  1. pode seguir-se de uma expressão que denota o agente da passiva, enquanto a reflexiva, no português contemporâneo, dispensa:

Eu fui visitado pelos parentes.
Aluga-se a casa (não se diz: aluga-se a casa pelo proprietário)
(BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa, 2015, p. 236)

Assim, percebam que no nosso exemplo, não dizemos “vendem-se ternos pelos vendedores”. O agente da passiva não é indeterminado, ele é dispensado. Já sabemos que são os vendedores que vendem os ternos. Também não conseguimos conjugar o verbo em outra pessoa que não seja a terceira (do singular ou plural). Portanto, quem quiser tentar um recurso aqui, não custa nada. No entanto, imagino que a banca possa indeferi-lo, alegando que, já que o agente da passiva não está explícito, ele está indeterminado. Enxergo esta alternativa como errada também, mas sem dúvida a letra B está “mais errada”. É possível que nem a banca saiba disso, pois é algo bem aprofundado. De qualquer forma, vocês podem usar a gramática de Bechara para construir o recurso. 

d) a frase é passiva pronominal.
Sim, temos o pronome apassivador “se”. 

Assim, eu concordo com o gabarito da banca: letra B

Então, gente, esses foram os comentários a respeito da prova de Auditor Fiscal de Tributos da prefeitura de Governador Valadares. Bons estudos!

Sthefanny Alcântara

Graduada em Letras Português e Inglês. Pós-graduada em Direito Tributário Municipal. Pós-graduada em Contabilidade Pública Municipal. Possui experiência também no ensino de Língua Inglesa, tendo realizado curso de aperfeiçoamento na Education First (EF) em Cambridge, Reino Unido. Apaixonada pela Língua Portuguesa.