É caso de crase? Aprenda sem crise! (parte 1)

Por: Denise Carneiro (tia Deny)

Olá, concurseiros! Tudo bem? Todos com saúde? Então, vamos estudar!
Hoje daremos algumas dicas sobre o uso da crase, tema recorrente em provas de concurso, vamos lá?

Primeiramente, o que é a crase?

A crase nada mais é do que a contração da preposição “a” com um artigo feminino ou pronome (relativo ou os demonstrativos: aquele, aquela e aquilo), indicada pelo acento grave.
Assim, vamos identificar, na frase abaixo, a ocorrência da crase:
Exemplo: Iremos à praia amanhã. (“a” preposição + “a” artigo)
O verbo “ir“, no contexto, pede a preposição “a” (ir a algum lugar), o substantivo feminino “praia” aceita o artigo “a“, assim ocorre a contração “a+a” e devemos fazer uso da crase.
Dica! É interessante, para ajudar na identificação da ocorrência da crase, substituir a palavra feminina por uma masculina e observar se aparece “ao” na frase, vejamos:
Iremos à praia amanhã. (praia = substantivo feminino)
Iremos ao circo amanhã. (circo = substantivo masculino)
Assim, se substituímos a palavra feminina por uma masculina e  “ao” aparece: ocorrência de crase!
Agora que conseguimos visualizar como ocorre a crase, vamos a mais algumas regrinhas úteis sobre o tema:

1) Não devemos usar o acento grave antes de palavras masculinas: (regra)

Em, regra o uso do acento grave antes de palavra masculina acarreta erro gramatical, vejamos:
Exemplo: O livro pertence a João.
Por que não devemos empregar a crase? Porque a palavra masculina “João” não aceita o artigo feminino “a”, apenas o artigo masculino “o”, assim, como não ocorre a contração “a” (preposição) + “a” (artigo feminino), não podemos fazer uso da crase, percebem?
Exceção: deve ocorrer a crase antes de palavra masculina quando temos um termo feminino subentendido, é o caso de “à moda de“, vejamos:
Exemplo: Comi um macarrão à José Sá. (à moda de José Sá)
Vamos a outro exemplo? Agora a palavra feminina implícita é “rua“:
Exemplo: Fui à Joaquim Nabuco comprar livros.  (Fui à rua Joaquim Nabuco comprar livros)
Entenderam o ponto? Na verdade identificamos as situações acima como exceções, porém, na prática, a regra permanece intacta: temos palavra ou expressão feminina subentendida, logo temos também o artigo feminino implícito, assim a contração “a+a” ocorre de todo modo.

2) Locuções adverbiais, prepositivas ou conjuntivas formadas com palavra feminina devem ser craseadas:

Locuções Adverbiais (com valor de advérbio): às vezes, à direita, à esquerda, à noite, à risca, à toa, à vontade, à claras, às duas horas, às escondidas, às escuras, às pressas, às tontas, à mão, à míngua. 
Locuções Prepositivas (terminam com preposição): à moda de, à procura de, à luz de, à beira de, à busca de, à sombra de,  à custa de, à distância de, à espera de, à maneira de, à vista de.
Locuções Conjuntivas (funcionam como conjunção):  à proporção que, à medida que.
Atenção! Locuções de núcleo masculino não são craseadas, exemplos: a óleo, a dedo, a cavalo, a rigor, a respeito, a bordo, a pedido de, a convite de.

3) Não devemos empregar crase antes de verbos, vejamos:

Exemplos: Ela começou a cantar para você dormir.
                     Vimos Maria a rezar pelas crianças da escola.
                     Precisamos apender a ler de forma crítica.
                     Estamos dispostos a solucionar a questão.
Por que não devemos usar acento grave antes de verbos? Porque não temos a contração da preposição “a” com o artigo “a” , assim não cabe a crase.
Mesmo que haja a preposição “a”, como na última frase “dispostos a“, não temos o artigo “a” (o verbo não admite artigo). Percebem que falta um “a” para ocorrer a contração?
No início desta conversa, falamos que a crase ocorre no caso da contração da preposição “a” com artigo “a”, mas também mencionamos a possibilidade de crase:
1) na contração da preposição “a” com  pronome relativo
2) na contração da preposição “a” com um destes pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aquilo.
No próximo encontro mostraremos a vocês como isso ocorre, ok?
Continuem firmes e perseverem. O esforço, com certeza, será recompensado com a aprovação.
Abraço e fiquem com Deus.

Denise Carneiro (tia Deny)

Servidora Pública Federal desde 2009 (Técnica da Receita Federal), professora de Língua Portuguesa desde 2013, autora do livro Completaço CESPE (Editora Saraiva) e comentarista de mais de 14 mil questões até o momento (e seguindo). Conhecida carinhosamente como tia Deny, tenho encurtando o caminho de milhares de sobrinhos rumo à aprovação.