Concursos e Cansaço Mental

Por: Lucas Magalhães Cruz

Uma atividade que passei a desenvolver recentemente é a orientação para quem está se preparando para concursos de Psicologia, tanto para a prova objetiva, quanto para a discursiva.

Nos últimos dias, o contato com esse momento de preparação me fez lembrar uma vivência inusitada pela qual eu passei no dia de uma prova. 

Acredito que essa vivência pode ser uma demonstração da importância de considerar a energia e o cansaço durante a preparação e no momento da prova.

Recordo que sempre saí de provas de concursos mentalmente esgotado. Contudo, o problema era que o forte cansaço começava a aparecer durante a prova, o que afetava o desempenho.

Nos meus primeiros concursos, o cansaço era tanto que eu errava questões fáceis, inclusive na etapa do preenchimento do gabarito. Isso me fez perceber a importância de administrar a energia para evitar o cansaço mental e ter um desempenho melhor.

Fiz uma série de adaptações e, no auge de minha preparação, estava conseguindo manter um nível ótimo de atenção e de energia durante a prova. 

Porém, após a prova, parece que o cansaço vinha em dobro, o que não era mais um problema, considerando que a prova já tinha sido feita sem que o cansaço atrapalhasse. 

E foi depois de uma prova que aconteceu a vivência inusitada. 

Estava saindo da sala exausto e não conseguia pensar direito mais em quase nada. Nem sabia dizer se achei a prova fácil ou difícil. Lembro que estava com uma garrafa vazia de água mineral e fui procurar um cesto de lixo. Quando encontrei, vi que era dividido para coleta seletiva. Tinha 4 opções, com cores diferentes e com os nomes indicando: papel, plástico, etc. 

Eu, mentalmente exausto, fiquei um tempo na frente das 4 opções sem conseguir identificar em qual das lixeiras eu deveria jogar a garrafa de plástico. No final, resolvi levar a garrafa comigo! 

Aparentemente é possível pensar que fui mal na prova, pois não consegui resolver um problema tão óbvio. Mas esse foi um concurso no qual fiquei em primeiro lugar, com alta pontuação na parte objetiva e com nota máxima na discursiva. 

Nesta ocasião, eu realmente consegui administrar bem minha energia para fazer da melhor forma que pude a prova, dentro do limite de tempo estabelecido. Porém, após a prova, o esgotamento chegou com muita intensidade e tudo o que eu queria – e de que precisava – era descansar.

Com isso, percebe-se que a adequada administração da energia ao longo das provas é decisiva em concursos públicos. E esses são exemplos de como o cansaço pode ser um obstáculo à aprovação, gerando distração, esquecimentos e erros.

Logo após a prova, não precisa se cobrar tanto. O relaxamento é merecido e necessário.


Lucas Magalhães Cruz

Contato: lucasmcpsi@gmail.com // https://br.linkedin.com/in/lucas-magalhães-cruz-644599183

Lucas Magalhães Cruz

Graduado em Psicologia, Especialista em Psicologia Social de Fundamentação Pichoniana. Atualmente é Professor do TEC Concursos e Analista Legislativo (Psicólogo) da Assembleia Legislativa de Sergipe. Foi aprovado em 1º lugar no concurso da ALESE e teve outras aprovações, como, por exemplo, 2º lugar para o cargo de Analista de Gestão de Pessoas (Treinamento e Desenvolvimento) na Câmara de Vereadores de Salvador.